Sucessão na Aleam esquenta: Quatro nomes entram no tabuleiro e bastidores já contam votos para 2027

Adjuto Afonso tenta transformar articulação em continuidade; Rozenha, Wilker Barreto e Thiago Abrahim aparecem nas conversas pela Presidência da Assembleia. Omar Aziz afirma que não vai interferir, mas rearranjo político após as urnas torna a eleição estratégica para o próximo governo

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A eleição para a Presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) já começou muito antes de os deputados da nova legislatura ocuparem oficialmente suas cadeiras.

Nos corredores políticos de Manaus, pelo menos quatro nomes aparecem nas articulações para comandar o Legislativo estadual a partir de 2027: o atual presidente Adjuto Afonso (União Brasil), Rozenha (PSD), Wilker Barreto (PSD) e Thiago Abrahim (MDB).

Conforme levantamento publicado pelo O Convergente, esses são os nomes que, neste momento, circulam com maior intensidade nas conversas sobre a sucessão da Mesa Diretora. Até agora, porém, não existe candidatura única anunciada, chapa oficialmente registrada ou acordo público que encerre a disputa.

A movimentação ocorre após uma eleição estadual que modificou parte da composição da Casa e colocou o governador eleito Omar Aziz (PSD) diante da necessidade de construir sua futura relação com os 24 deputados estaduais.

O QUE É OFICIAL: A ELEIÇÃO AINDA NÃO ACONTECEU

É importante separar a eleição que ocorreu em julho da disputa que agora começa a ser construída para 2027.

Atualmente, Adjuto Afonso preside a Aleam até 31 de janeiro de 2027. Ele foi eleito em 15 de julho, em uma eleição suplementar realizada após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Adjuto recebeu 19 votos favoráveis e cinco contrários e era o único candidato inscrito naquela votação.

Já a eleição que definirá a direção da Assembleia para a nova legislatura seguirá o rito previsto no Regimento Interno.

Conforme o Regimento Interno oficial da Aleam, a eleição da Mesa Diretora para o primeiro biênio de cada legislatura ocorre na segunda reunião preparatória, com votação pela maioria simples dos deputados, desde que esteja presente a maioria absoluta dos integrantes da Casa. A votação é nominal e candidaturas individuais ou chapas podem ser registradas até a abertura da reunião.

Ou seja: as conversas atuais são articulações políticas prévias. A eleição propriamente dita ainda será realizada.

ADJUTO AFONSO ENTRA NA DISPUTA COM A FORÇA DA CADEIRA

Entre os nomes colocados no tabuleiro, Adjuto Afonso tem uma vantagem evidente: já ocupa a Presidência.

Bastidores apontam, integrantes do grupo político ligado ao atual presidente avaliam que Adjuto poderia reunir 13 dos 24 votos da próxima legislatura. A estimativa considera possíveis apoios de parlamentares ligados à federação União Progressista e a partidos como Avante, Podemos e PL.

Mas há uma diferença fundamental entre projeção e voto fechado. Os 13 votos não foram declarados individualmente pelos parlamentares.

Portanto, trata-se de uma estimativa feita por aliados de Adjuto, e não de uma lista pública de compromissos. Esse detalhe é decisivo porque, numa Assembleia de 24 integrantes, alianças podem mudar até o momento da votação.

JANTAR COM OMAR VIROU TERMÔMETRO DOS BASTIDORES

Um jantar realizado na residência de Adjuto Afonso, na quinta-feira (29), passou a ser interpretado por aliados do parlamentar como uma demonstração de sua capacidade de articulação.

O encontro reuniu o governador eleito Omar Aziz, deputados estaduais eleitos e reeleitos e contou ainda com a presença do senador Eduardo Braga (MDB).

Segundo publicado pelo BNC Amazonas, Adjuto avaliou que houve presença expressiva dos parlamentares e afirmou que “quase todos os novatos” estiveram no encontro.

Politicamente, o evento ganhou peso porque colocou no mesmo ambiente representantes que estiveram em lados diferentes durante a campanha eleitoral.

Nos bastidores do grupo de Adjuto, a leitura é clara: conseguir reunir diferentes forças políticas pode funcionar como demonstração de viabilidade para uma nova candidatura à Presidência.

Mas há outro fato igualmente importante: Omar Aziz afirma que a Presidência da Aleam não foi discutida no jantar.

Noticiado pelo BNC, o governador eleito respondeu que não tratou da sucessão e que o objetivo do encontro foi agradecer o apoio recebido durante a campanha.

OMAR DIZ QUE NÃO QUER ESCOLHER O PRESIDENTE

A posição atribuída até agora a Omar Aziz é um dos fatores capazes de tornar a eleição mais imprevisível.

Conforme informações levantadas, o governador eleito sinalizou que não pretende interferir diretamente na escolha do próximo presidente da Assembleia, deixando a decisão para os deputados.

Se essa posição for mantida até a eleição, a disputa dependerá essencialmente da capacidade de cada candidato de conquistar votos dentro da própria Casa.

Segundo informações de bastidores, os parlamentares presentes no jantar indicaram que as conversas mais diretas sobre a Presidência deverão ganhar corpo depois de 15 de novembro. Até lá, os grupos tendem a testar nomes e medir resistências.

ROZENHA SURGE COMO NOME FORTE DO PSD

Entre os nomes ligados ao grupo político do governador eleito está Rozenha, deputado reeleito e integrante do PSD.

Segundo noticiado pelo BNC Amazonas, Rozenha é um dos nomes que circulam com força para a Presidência e defende uma relação harmônica entre Legislativo e Executivo. A posição é politicamente relevante.

Uma eventual Presidência da Aleam ocupada por um deputado do mesmo partido do governador poderia facilitar a interlocução institucional, mas também colocaria no centro do debate a independência entre os Poderes.

Rozenha foi um dos parlamentares que, em julho, votaram contra Adjuto Afonso na eleição suplementar da Presidência da Casa.

Esse episódio mostra que a disputa atual não nasce do zero. Existem posições anteriores, alianças partidárias e divergências dentro da própria Assembleia.

WILKER BARRETO TAMBÉM ESTÁ NAS CONVERSAS

Outro nome citado nos bastidores é o de Wilker Barreto, também do PSD. Wilker possui experiência parlamentar e aparece entre os nomes lembrados nas articulações para a próxima Mesa Diretora.

Assim como Rozenha, Wilker também votou contra Adjuto Afonso na eleição de julho.

A presença de dois parlamentares do PSD entre os nomes cogitados cria uma questão que ainda precisará ser resolvida internamente: o partido de Omar chegará unido em torno de um nome ou permitirá movimentos individuais?

Até este sábado (31), não há anúncio público de consenso do PSD em torno de uma candidatura.

THIAGO ABRAHIM REPRESENTA UMA ALTERNATIVA DO MDB

O deputado Thiago Abrahim, do MDB, completa o grupo de quatro nomes atualmente citado nas articulações.

O MDB terá presença relevante na próxima legislatura e mantém relação política próxima ao grupo de Omar Aziz.

Thiago também esteve entre os cinco deputados que votaram contra Adjuto Afonso na eleição suplementar de julho.

Assim, três dos nomes hoje mencionados como possíveis concorrentes de Adjuto — Rozenha, Wilker e Thiago Abrahim — estiveram justamente no grupo que não apoiou sua eleição anterior.

O dado não significa que o mesmo alinhamento necessariamente será reproduzido em 2027, mas ajuda a compreender a origem das forças que começam a se movimentar.

JULHO DEIXOU UMA FOTOGRAFIA IMPORTANTE DA ALEAM

A eleição de julho terminou com uma vitória ampla para Adjuto: 19 votos a 5.

Os cinco votos contrários foram de Alessandra Campêlo, Mayra Dias, Rozenha, Wilker Barreto e Thiago Abrahim.

Naquele momento, a bancada do PSD votou contra Adjuto, assim como Abrahim.

Agora, o cenário é diferente.

A eleição de outubro alterou a composição da Casa. Dos 24 deputados escolhidos para a próxima legislatura, 15 foram reeleitos e nove cadeiras serão ocupadas por novos nomes ou por parlamentar que retorna à Assembleia, segundo levantamento do O Convergente.

A próxima Aleam, portanto, terá um grupo significativo de parlamentares que não participou daquela votação de julho.

É exatamente nesses votos que boa parte da disputa poderá ser decidida.

NOVA ALEAM TERÁ OUTRO EQUILÍBRIO DE FORÇAS

Conforme levantamento do O Convergente, a federação União Brasil–PP conquistou cinco vagas na nova composição, enquanto o PSD garantiu quatro cadeiras. MDB e Avante também formaram bancadas relevantes.

Nenhum desses grupos, isoladamente, controla a Assembleia.

Isso obriga qualquer candidato à Presidência a construir uma composição multipartidária.

É por essa razão que as reuniões, jantares e conversas individuais começam a ganhar importância.

A Presidência da Aleam não será conquistada apenas pela força de uma sigla, mas pela capacidade de juntar diferentes bancadas.

POR QUE A PRESIDÊNCIA DA ALEAM É TÃO IMPORTANTE?

A disputa está longe de ser apenas protocolar.

O presidente da Assembleia dirige as sessões, organiza institucionalmente os trabalhos legislativos, participa da definição da agenda administrativa da Casa e exerce influência sobre a dinâmica política do Parlamento.

A Mesa Diretora também ocupa posição fundamental na relação institucional entre Assembleia e Governo do Estado.

Para Omar Aziz, iniciar 2027 com uma maioria parlamentar capaz de garantir governabilidade será fundamental para votação de projetos, orçamento e prioridades de sua administração.

Para os deputados, porém, existe outro interesse: preservar a autonomia do Legislativo diante do Executivo.

É exatamente nesse equilíbrio que a eleição ganha peso.

O QUE É FATO E O QUE É BASTIDOR ATÉ AGORA

Neste momento, o cenário pode ser resumido assim:

É fato: Adjuto Afonso é o atual presidente e permanece no cargo até 31 de janeiro de 2027.

É fato: Rozenha, Wilker Barreto, Thiago Abrahim e Adjuto são os quatro nomes citados nas articulações recentes publicadas pela imprensa local.

É fato: Omar Aziz declarou que o jantar realizado nesta semana não tratou da eleição da Mesa.

É informação de bastidor: aliados de Adjuto calculam que ele poderia ter 13 votos. Esses apoios ainda não foram apresentados publicamente, voto por voto, pelos parlamentares.

É informação publicada sobre os bastidores: as conversas mais decisivas devem avançar depois de 15 de novembro.

Ainda não existe: chapa oficialmente registrada para a eleição de 2027 ou anúncio público de consenso entre os 24 deputados.

A PERGUNTA QUE VAI MOVIMENTAR NOVEMBRO

A eleição para a Presidência da Aleam começa a revelar uma disputa que será, sobretudo, de capacidade de articulação.

Adjuto Afonso tenta largar na frente utilizando o ativo de já comandar a Casa e sua relação com parlamentares de diferentes partidos.

Rozenha e Wilker Barreto aparecem em um PSD fortalecido pela vitória de Omar Aziz para o Governo do Amazonas.

Thiago Abrahim surge como uma alternativa do MDB, sigla igualmente importante na construção do próximo arranjo político estadual.

Mas há uma peça que pode definir todo o jogo: a posição dos deputados que ainda não declararam voto.

Se Omar Aziz mantiver publicamente a decisão de não apontar um candidato, a disputa poderá se transformar em uma eleição construída essencialmente dentro da Assembleia.

E, numa Casa com apenas 24 parlamentares, cada conversa conta.

Cada voto pesa.

E o nome que chegar à eleição conseguindo transformar articulação de bastidor em apoio declarado terá a chance de comandar um dos Poderes mais importantes do Amazonas no início de um novo governo.

Quem deve comandar a Assembleia Legislativa do Amazonas a partir de 2027? Adjuto mantém a Presidência ou a nova composição da Aleam abrirá espaço para outro nome? Acompanhe O Convergente para os próximos movimentos dos bastidores políticos do Amazonas.

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