Da pré-campanha às urnas: os caminhos dos candidatos ao Governo do Amazonas até o segundo turno

Omar Aziz e Maria do Carmo chegam ao segundo turno após meses de movimentações políticas

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O Amazonas chega ao segundo turno das Eleições 2026 com uma disputa que começou a ser desenhada muito antes do início oficial da campanha. Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL), agora adversários na corrida pelo Governo do Estado, colocaram seus nomes à disposição ainda na fase de pré-campanha e construíram trajetórias distintas até a definição dos dois candidatos que seguem na disputa.

Omar apostou na experiência acumulada em cargos públicos, na articulação com lideranças políticas e na formação de uma aliança partidária. Maria do Carmo, por sua vez, estruturou sua candidatura pelo PL, aproximou-se do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e passou a defender uma alternativa aos grupos que tradicionalmente disputam o comando do Executivo estadual.

A campanha, no entanto, não se limitou aos dois nomes. Durante meses, Roberto Cidade (União Brasil) e David Almeida (Avante) também apareceram entre os principais concorrentes nas articulações e nas pesquisas eleitorais. O cenário só se definiu em 4 de outubro, quando Omar e Maria do Carmo terminaram nas duas primeiras posições e garantiram vaga no segundo turno.

As primeiras movimentações começaram em 2025

A pré-campanha para o Governo do Amazonas ganhou contornos públicos em 2025. Em abril daquele ano, Omar Aziz lançou o movimento “Amazonas Forte de Novo”, iniciativa que ajudou a organizar sua articulação política e a discutir a construção de um projeto para o estado. Naquele período, o senador já mantinha diálogo com lideranças como Eduardo Braga (MDB), David Almeida (Avante) e representantes de municípios do interior.

Omar Aziz fala sobre volta ao governo do Amazonas - PSD - Partido Social  Democrático

Em julho de 2025, o PL anunciou Maria do Carmo Seffair como pré-candidata ao Governo do Amazonas. O lançamento ocorreu com a participação de lideranças da legenda, entre elas o então presidente estadual do partido, Alfredo Nascimento, e marcou a entrada formal da empresária na corrida estadual.

Na ocasião, Maria do Carmo afirmou que pretendia estudar os problemas do Amazonas, ampliar as visitas aos municípios e construir propostas para a administração estadual. Sua candidatura também ganhou projeção pela ligação com o campo político bolsonarista, que passou a integrar a identidade pública de sua pré-campanha.

Maria do Carmo é anunciada como pré-candidata ao governo

A partir dali, os dois projetos passaram a se desenvolver em paralelo. Omar buscava consolidar uma candidatura apoiada em sua trajetória política e na interlocução com diferentes grupos. Maria do Carmo trabalhava para ampliar sua presença no interior e fortalecer sua identificação com o PL.

Quem são os candidatos que chegaram ao segundo turno?

Omar Aziz, de 68 anos, é engenheiro civil e tem uma trajetória política que inclui mandatos de deputado estadual, vice-prefeito de Manaus, vice-governador e governador do Amazonas, cargo que ocupou entre 2010 e 2014. Atualmente senador, ele concorreu ao governo pela coligação Força Amazonas, formada por PSD, MDB, Republicanos e Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV. A deputada estadual Alessandra Campelo (PSD) compõe a chapa como candidata a vice-governadora.

Maria do Carmo Seffair, de 66 anos, é empresária, educadora, contadora e advogada, ligada ao grupo educacional Fametro. Antes de disputar o Governo do Amazonas, foi candidata a suplente de senadora em 2022 e concorreu à vice-prefeitura de Manaus em 2024, na chapa encabeçada por Capitão Alberto Neto. Em 2026, disputa pela primeira vez o cargo de governadora, pela coligação Mudar é Urgente, formada por PL e Novo. O coronel Aníbal Gomes Jr. é o candidato a vice-governador.

Uma campanha com quatro nomes em evidência

Embora Omar e Maria do Carmo tenham chegado ao segundo turno, o caminho até a decisão passou por uma disputa com mais candidatos em evidência. Além deles, Roberto Cidade e David Almeida ocuparam espaço relevante nas articulações políticas e nos levantamentos divulgados durante a pré-campanha.

Roberto Cidade entrou na corrida depois de assumir o Governo do Amazonas em maio de 2026, por meio de uma eleição indireta realizada pela Assembleia Legislativa, após as renúncias do governador Wilson Lima e do vice-governador Tadeu de Souza. Já David Almeida deixou a Prefeitura de Manaus para concorrer ao Executivo estadual.

Com o início oficial da campanha, em 16 de agosto, as candidaturas intensificaram agendas na capital e no interior, caminhadas, carreatas, reuniões com apoiadores e ações nas redes sociais. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começou no fim de agosto, ampliando a exposição dos candidatos e a apresentação de suas propostas.

(Ilustração: Ranyere Frota)

Omar explorou sua experiência administrativa e sua rede de relações políticas. Maria do Carmo reforçou a proposta de mudança e a ligação com lideranças nacionais do PL. Roberto Cidade buscou apresentar a continuidade de sua atuação à frente do governo, enquanto David Almeida utilizou sua experiência na Prefeitura de Manaus para sustentar a candidatura.

O resultado do primeiro turno

A votação de 4 de outubro definiu os dois candidatos que disputariam a etapa final. Omar Aziz terminou em primeiro lugar, com 40,63% dos votos válidos, equivalentes a 841.846 votos. Maria do Carmo ficou na segunda posição, com 24,49%, ou 507.335 votos.

Roberto Cidade e David Almeida não avançaram para o segundo turno. A partir da confirmação do resultado, as campanhas passaram a reorganizar suas estratégias e a buscar apoio de lideranças que haviam participado de outros projetos eleitorais no primeiro turno.

Omar amplia alianças após o primeiro turno

Com a definição do segundo turno, Omar Aziz passou a receber declarações de apoio de partidos, prefeitos, vereadores e lideranças que haviam apoiado outros candidatos na primeira etapa da eleição.

O Avante, partido de David Almeida, anunciou apoio formal a Omar. O prefeito de Manaus, Renato Júnior, também declarou apoio ao candidato do PSD. O PSB do Amazonas seguiu o mesmo caminho, enquanto a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, decidiu liberar seus filiados para escolherem entre os dois candidatos ao governo, sem indicar apoio formal a uma das candidaturas.

O senador Eduardo Braga (MDB), aliado de Omar desde o primeiro turno, manteve o apoio. Já o senador Plínio Valério (PSDB), que anteriormente havia sinalizado resistência a dividir palanque com Omar, declarou apoio ao candidato do PSD em outubro.

A campanha também registrou o retorno de prefeitos que haviam apoiado Roberto Cidade no primeiro turno, entre eles os gestores de Barcelos, Autazes, Borba e Manicoré. As adesões ampliaram a lista de aliados declarados de Omar na etapa final da disputa.

Maria do Carmo reforça ligação com o PL e o bolsonarismo

Maria do Carmo concentrou parte de sua estratégia na mobilização de apoiadores do PL e na aproximação com lideranças nacionais da direita. Antes mesmo da campanha oficial, recebeu manifestações públicas de apoio de Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. Na reta final do segundo turno, também contou com a presença de Flávio Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira em agendas realizadas em Manaus.

A candidata manteve o discurso de que representa uma alternativa aos grupos políticos tradicionais do estado e buscou mobilizar eleitores para a votação de 25 de outubro. Sua campanha também procurou ampliar o alcance da candidatura no interior, enquanto o cenário político se reorganizava após as adesões anunciadas em torno de Omar.

Imagem gerada com auxilio de inteligência artificial (IA)

A decisão chega às urnas

Depois de meses de articulações, mudanças no cenário político, campanha nas ruas e nas redes e uma primeira votação com vários candidatos competitivos, o Amazonas chega ao segundo turno com duas candidaturas que construíram trajetórias diferentes até a disputa final.

Omar Aziz chega à votação depois de terminar o primeiro turno na liderança e ampliar o arco de apoios partidários e municipais. Maria do Carmo disputa o governo pela primeira vez como cabeça de chapa e mantém a aposta na mobilização de sua base política e dos eleitores identificados com o PL.

Neste domingo, 25 de outubro, os eleitores amazonenses decidirão quem comandará o Executivo estadual pelos próximos quatro anos. A definição será feita nas urnas, após uma campanha marcada por alianças, mudanças de estratégia e a passagem de quatro candidaturas em evidência para um confronto direto entre duas.

Leia mais: Erica Aguiar participa de cobertura especial das eleições 2026 no Sistema Amazônia de Comunicação

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