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Acre entra na reta final das eleições de 2026 com seis candidatos ao governo

A movimentação eleitoral também ganhou intensidade nas últimas semanas

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A eleição para o Governo do Acre entra na reta final com seis candidaturas oficialmente registradas e uma disputa marcada pela concentração das pesquisas em três nomes: Alan Rick (Republicanos), Mailza Assis (Progressistas) e Tião Bocalom (PSDB). Também concorrem ao Palácio Rio Branco Dr. Luisinho (Agir), Eudo Raffael (PCB) e Thor Dantas (PSB). O Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) concluiu, em 15 de setembro, o julgamento dos 388 pedidos de registro de candidatura apresentados no estado. Desse total, 16 foram indeferidos, 21 candidatos renunciaram e oito processos ainda aguardavam julgamento de recursos.

Os seis candidatos ao governo apareciam como deferidos na consulta de candidaturas divulgada com base no DivulgaCandContas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 7 de setembro. A situação, porém, ainda pode sofrer alterações em razão de recursos. Segundo o TRE-AC, decisões sobre registros podem ser levadas ao TSE e, enquanto houver recurso pendente, o candidato permanece sub judice e pode continuar fazendo campanha, participar do horário eleitoral e manter o nome na urna, conforme as regras eleitorais.

Pesquisa mostra três nomes nas primeiras posições

Os levantamentos realizados nas últimas semanas apresentam diferenças nos percentuais, resultado de períodos, amostras e metodologias distintas. Por isso, os números representam retratos de momentos específicos da campanha e não constituem previsão do resultado da eleição.

A pesquisa mais recente encontrada é a do Instituto Veritá, divulgada em 8 de setembro. O levantamento ouviu 1.030 eleitores entre 29 de agosto e 1º de setembro. No cenário estimulado, Alan Rick apareceu com 39,8%, seguido por Mailza Assis, com 27,9%, e Tião Bocalom, com 11,7%. Os demais candidatos, agrupados, somaram 12,5%, enquanto 7,9% declararam voto branco ou nulo ou não souberam ou não responderam. O levantamento foi registrado no TRE-AC sob o número AC-08816/2026.

Na pesquisa Quaest, divulgada em 27 de agosto, Alan Rick tinha 33%, Mailza Assis, 24%, e Tião Bocalom, 15%. Thor Dantas aparecia com 2%, Dr. Luisinho com 1% e Eudo Raffael não pontuou. O levantamento ouviu 804 pessoas entre 23 e 26 de agosto e tinha margem de erro de três pontos percentuais.

O levantamento do Real Time Big Data, divulgado em julho, também colocava Alan Rick, Mailza Assis e Tião Bocalom nas três primeiras posições, com 38%, 28% e 17%, respectivamente. Na pesquisa espontânea daquele levantamento, 53% dos entrevistados não souberam ou não responderam, indicando naquele momento uma parcela expressiva do eleitorado ainda sem candidato definido.

Assim, considerando os levantamentos recentes apresentados, Alan Rick aparece na primeira posição nos cenários estimulados pesquisados, Mailza Assis na segunda e Tião Bocalom na terceira entre os nomes que aparecem conjuntamente nos levantamentos. Os percentuais, entretanto, variam de acordo com o instituto e a data da coleta.

Campanhas ampliam presença em Rio Branco e no interior

A movimentação eleitoral também ganhou intensidade nas últimas semanas. As agendas dos candidatos combinam atividades em Rio Branco, viagens ao interior, reuniões com setores específicos da economia e encontros com apoiadores.

Alan Rick tem dividido a campanha entre compromissos eleitorais no Acre e sua atuação no Senado. Em setembro, passou a ampliar as atividades no estado, com visitas a comerciantes, reuniões com diferentes setores e viagens pelo interior. Em 15 de setembro, por exemplo, esteve no Aquiri Shopping, em Rio Branco, para ouvir comerciantes. No dia seguinte, cumpriu agenda que incluiu Rio Branco, Manoel Urbano e Cruzeiro do Sul.

Mailza Assis, que busca a reeleição, tem concentrado parte das atividades em Rio Branco, com reuniões com empresários, servidores, representantes da segurança pública, cooperativas e movimentos sociais. Entre as agendas recentes estão encontros com agentes da segurança pública e mães atípicas, além de atividades relacionadas à saúde, produção e geração de renda.

Tião Bocalom tem mantido uma agenda com forte presença no interior. O candidato esteve em municípios como Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Feijó, onde participou de caminhadas, reuniões e encontros com lideranças. O programa “Produzir para Empregar” é apresentado como um dos principais eixos de seu plano, com propostas voltadas à produção rural, agronegócio, indústria, infraestrutura e geração de empregos.

Thor Dantas também tem realizado caminhadas, reuniões e visitas a municípios, incluindo Cruzeiro do Sul e Rio Branco. Eudo Raffael e Dr. Luisinho aparecem com menor volume de agendas públicas divulgadas nos levantamentos consultados, embora mantenham atividades de campanha.

Registro de Gladson Cameli é indeferido pelo TRE-AC

A situação jurídica de maior repercussão no estado envolve uma candidatura ao Senado, e não a disputa pelo governo. Em 11 de setembro, o TRE-AC julgou por unanimidade procedente uma ação de impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral e indeferiu o registro de Gladson Cameli (PP) para o Senado.

A decisão teve como fundamento a aplicação da Lei da Ficha Limpa após condenação da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo o TRE-AC, a decisão é recorrível e, até que haja uma decisão definitiva, Cameli permanece sub judice, podendo continuar a campanha e manter o nome na urna.

O caso tem impacto no cenário político estadual porque Cameli integra o grupo político que esteve à frente do governo, mas não representa uma impugnação à candidatura de Mailza Assis, que aparece com registro deferido na consulta das candidaturas ao Executivo estadual.

Saúde, segurança, emprego e BR-364 entram no centro do debate

Além da disputa entre os candidatos, os principais problemas estruturais do Acre começam a ganhar espaço na reta final da campanha. Em 16 de setembro, TCE-AC e TRE-AC apresentaram às equipes das candidaturas um diagnóstico sobre pobreza, saúde, educação, segurança, contas públicas, infraestrutura e mudanças climáticas. O encontro contou com informações de órgãos como CGU, Ufac, MPAC, Polícia Federal, Embrapa e Unicef.

Os dados apresentados mostram que 46,2% da população acreana estava em situação de pobreza em 2024, enquanto a renda familiar mensal per capita média chegou a R$ 1.392 em 2025. Na saúde, a taxa preliminar de mortalidade infantil foi de 16,76 mortes por mil nascidos vivos em 2025. Na educação, o diagnóstico apontou deficiências de infraestrutura principalmente nas escolas rurais.

A segurança pública também aparece entre os temas centrais. O diagnóstico apresentado pelos órgãos de controle apontou redução de 42% nas mortes violentas intencionais desde 2017, mas também destacou problemas nos sistemas socioeducativo e prisional e aumento da taxa de feminicídios em 2025.

A situação financeira do Estado é outro ponto relevante. Em 2025, a receita estadual ficou em R$ 13,41 bilhões e a despesa em R$ 13,42 bilhões. As transferências da União representaram 62,74% da receita, enquanto a capacidade de pagamento do Acre recebeu classificação “C” naquele ano.

Na área de infraestrutura, a BR-364, principal ligação terrestre entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, continua entre os assuntos da campanha. Bocalom apresentou a proposta de substituir o modelo tradicional de pavimentação por concreto e aço e defendeu inicialmente um trecho-piloto de 10 quilômetros.

Propostas também miram produção e serviços no interior

A descentralização dos serviços públicos aparece como uma das questões que devem pesar na discussão eleitoral. Entre as propostas apresentadas estão a ampliação da oferta de serviços de saúde fora da capital, investimentos em infraestrutura, fortalecimento da produção rural, geração de empregos e melhoria das condições de transporte.

No plano de Bocalom, por exemplo, estão propostas para ampliar UTIs no Alto Acre e em Cruzeiro do Sul, expandir a hemodiálise para Sena Madureira e Tarauacá e ampliar o transporte aeromédico. Na segurança, o candidato propõe o programa “Acre Mais Seguro”, com videomonitoramento e uso de tecnologia. O plano também prevê ações nas áreas de educação, inovação e tecnologia.

O diagnóstico apresentado por TCE-AC e TRE-AC reforça que a disputa não envolve apenas a capital. O Acre possui 614.753 eleitores distribuídos pelos 22 municípios, segundo o planejamento eleitoral apresentado pelo TRE-AC. A logística para as regiões mais remotas também é um desafio, com previsão de utilização de antenas de satélite para garantir comunicação e transmissão de dados durante a votação.

Com seis candidaturas ao governo, três nomes concentrando as primeiras posições dos levantamentos recentes e questões como pobreza, saúde, segurança, emprego, produção rural, infraestrutura e equilíbrio das contas públicas no centro do debate, o Acre chega à reta final da eleição de 2026 com a disputa ainda aberta a mudanças de cenário. As pesquisas registram o momento em que foram realizadas, enquanto decisões judiciais e a movimentação das campanhas continuam a alterar o ambiente eleitoral até a votação.

CandidatoPartidoVice
Alan RickRepublicanosRicardo Leite
Dr. LuisinhoAgirDaniela Paiva
Eudo RaffaelPCBPoeta Cesinha
Mailza AssisProgressistasJéssica Sales
Thor DantasPSBSocorro Rodrigues
Tião BocalomPSDBSargento Adonis

 

Seis candidaturas ao governo aparecem como deferidas na consulta citada; o TRE-AC concluiu a análise de 388 registros, com 16 indeferimentos, 21 renúncias e oito processos aguardando recursos.

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