Disputa pelo comando do Senado esquenta: PL articula 41 votos contra Alcolumbre e Centrão vira peça-chave da eleição

Rogério Marinho prepara candidatura com apoio do PL, Davi Alcolumbre busca a recondução e Tereza Cristina mantém seu nome na disputa. Com votação secreta, partidos fazem contas e negociam alianças para fevereiro de 2027

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A eleição para a presidência do Senado Federal, marcada para 1º de fevereiro de 2027, já movimenta os bastidores de Brasília e coloca em confronto diferentes grupos políticos que disputam o controle de uma das instituições mais importantes do país. O resultado das eleições gerais de outubro, que redesenhou a composição do Congresso Nacional, ampliou as negociações entre partidos, governistas e oposição.

Três nomes concentram as articulações: o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá; o senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte; e a senadora Tereza Cristina, do Progressistas de Mato Grosso do Sul.

Segundo a CNN Brasil, em reportagem publicada nesta quarta-feira (4), o PL programou uma reunião para as 11h, em Brasília, com a expectativa de anunciar oficialmente o nome de Rogério Marinho. A decisão foi articulada na terça-feira (3), em encontro de lideranças da legenda com seu presidente nacional, Valdemar Costa Neto. Até o momento da apuração consultada, o anúncio permanecia previsto, sem confirmação de sua conclusão.

PL conquista maior bancada, mas precisa negociar

O novo cenário partidário representa uma mudança significativa na correlação de forças do Senado. Conforme levantamento oficial da Agência Senado, publicado em 25 de outubro, o PL deverá ocupar 29 das 81 cadeiras na legislatura que começa em fevereiro de 2027.

O PT aparece com dez senadores, seguido pelo MDB, com oito; PP, com seis; União Brasil e Republicanos, com cinco cada; e PSD e PSB, com quatro representantes cada.

A eleição da presidência depende da maioria de votos, em votação secreta. Com os 81 senadores presentes e votando validamente, o patamar necessário para vencer é de 41 votos. Isso significa que nenhuma legenda conseguirá, isoladamente, eleger o novo presidente.

Alcolumbre reúne apoios do Centrão e mantém diálogo com Lula

Davi Alcolumbre trabalha para permanecer na presidência do Senado por mais dois anos. Sua articulação envolve dirigentes partidários, senadores governistas e parlamentares de centro.

No dia 27 de outubro, a Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, anunciou oficialmente apoio à recondução do presidente do Senado. A manifestação foi assinada por Antonio Rueda e Ciro Nogueira, presidentes nacionais das duas legendas.

A decisão ocorreu após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. Segundo a CNN Brasil, Alcolumbre também recebeu sinalizações de integrantes do MDB, Republicanos e Podemos. O apoio do presidente Lula à recondução foi relatado pelo Estadão.

A movimentação, entretanto, encontrou resistência dentro do próprio PP. A senadora Tereza Cristina mantém o interesse na disputa, enquanto parlamentares ligados à oposição questionam o apoio firmado pela direção partidária.

Rogério Marinho busca unir a oposição

Do outro lado, Rogério Marinho tenta ampliar o alcance de sua candidatura para além dos 29 integrantes previstos para a bancada do PL.

Conforme reportagem da Folha de S.Paulo de 2 de novembro, a estratégia inclui negociar com senadores do Novo, Republicanos, PP, União Brasil e PSDB. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho, confirmou a intenção de construir alianças com outros partidos e parlamentares independentes.

Marinho também passou a defender que senadores de direita divulguem publicamente em quem votarão, apesar de o processo eleitoral ser secreto. A intenção declarada é reforçar a transparência dos compromissos assumidos pelos parlamentares.

Tereza Cristina mantém candidatura e negocia acordo

A senadora Tereza Cristina reafirmou, na terça-feira (3), sua intenção de disputar a presidência do Senado e declarou que pretende se tornar a primeira mulher a ocupar o posto.

Segundo informações divulgadas pelo Estadão e reproduzidas pelo UOL, a parlamentar mantém conversas com Rogério Marinho sobre uma possível composição. Ambos sinalizaram que pretendem evitar uma disputa direta entre si.

Entre as alternativas discutidas nos bastidores está um entendimento para os biênios de 2027-2028 e 2029-2030, sem definição formal até agora.

Projeções de votos: o que dizem os bastidores

MAIORIA COM 81 VOTOS VÁLIDOS

41

Votos necessários para a eleição

BANCADA PROJETADA DO PL

29

Das 81 cadeiras do Senado

As projeções divulgadas pela imprensa mostram que os dois principais grupos reivindicam apoios que ainda não foram confirmados individualmente.

Em reportagem de 3 de novembro, o Congresso em Foco registrou que aliados de Alcolumbre e de Marinho alegavam contar com aproximadamente 48 votos cada. A soma ultrapassa o número total de senadores, evidenciando a existência de compromissos disputados ou não consolidados.

Uma simulação baseada nas bancadas previstas para 2027 demonstra os diferentes caminhos de negociação:

Articulação partidária Cadeiras projetadas
PL 29
PL + Novo 32
PL + Novo + Republicanos 37
União Brasil + PP + MDB + PSD 23
Esses quatro partidos + PT 33

Simulação aritmética, não intenção de voto. A inclusão de um partido não significa apoio oficial e unânime de seus senadores.

Na reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 2 de novembro, integrantes da oposição chegaram a estimar entre 45 e 50 compromissos favoráveis a Marinho. Já aliados de Alcolumbre mencionaram 48 apoios à CNN. Essas contagens são declarações atribuídas aos respectivos grupos, e não levantamentos independentes ou votos comprovados.

Redes sociais revelam divergências na oposição e no Centrão

As manifestações públicas dos políticos também mostram que as orientações nacionais dos partidos não garantem adesão de todos os eleitos.

Um dos exemplos é o de Guilherme Derrite, eleito senador pelo PP de São Paulo. Em vídeo divulgado nas redes sociais em 27 de outubro, segundo reportagem do UOL, Derrite afirmou que não votará em Alcolumbre, contrariando a orientação anunciada pela federação União Progressista.

O parlamentar defendeu a união da direita em torno de uma única candidatura, citando Rogério Marinho e Tereza Cristina. A reportagem registra a manifestação em vídeo; não foi possível confirmar diretamente a publicação original na plataforma.

Outra manifestação relevante veio da direção estadual do PP no Rio Grande do Sul. Conforme noticiado pelo portal O Republicano, o diretório manifestou oposição ao acordo nacional com Alcolumbre e apoio ao nome de Tereza Cristina.

As posições tornam evidente a diferença entre o apoio anunciado pelas cúpulas partidárias e o comportamento individual dos senadores.

Arthur Lira também entra nas articulações

O ex-presidente da Câmara dos Deputados e senador eleito Arthur Lira, do PP de Alagoas, aparece nos bastidores como outra liderança importante.

Segundo a CNN Brasil, Lira chegou a ser mencionado como alternativa para o comando do Senado, embora aliados tenham apontado interesse em uma articulação de prazo mais longo.

Já o Congresso em Foco registrou negociações envolvendo a possibilidade de Lira assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das comissões mais relevantes da Casa.

O que pode definir a votação de fevereiro?

A eleição interna será realizada em 1º de fevereiro de 2027, quando os novos parlamentares tomarão posse. O Regimento Interno do Senado, em seu artigo 60, prevê votação secreta, com exigência de maioria de votos e presença da maioria da composição da Casa.

Segundo explicação oficial do Senado, quando há mais de um candidato à presidência, a votação é realizada por meio de cédulas de papel.

O acompanhamento das articulações aponta quatro fatores concretos para observar até a eleição: a formalização do nome do PL, um eventual acordo entre Marinho e Tereza Cristina, a posição individual dos senadores dos partidos de centro e a confirmação dos apoios anunciados pelas lideranças.

A principal conclusão dos números disponíveis é que nenhuma das candidaturas possui, até agora, 41 votos individualmente confirmados em fontes públicas. As alegações de apoio devem ser tratadas como estimativas políticas, sujeitas a mudanças até fevereiro.

A disputa também será um dos primeiros testes da relação entre o novo Congresso Nacional e o governo Lula, em um cenário no qual o PL deterá a maior bancada individual do Senado, mas dependerá de alianças para ocupar a presidência.

Leia mais: TRE-AM inicia análise das contas eleitorais de 2026; campanhas ao Governo e Senado entram na mira da fiscalização

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