A disputa pela Presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para o biênio 2027-2028 segue movimentando os bastidores políticos do Estado. Em posicionamentos encaminhados ao portal O Convergente, os deputados estaduais Thiago Abrahim (MDB) e Wilker Barreto (PSD) mantiveram seus nomes à disposição para assumir o comando da Casa, mas evitaram confirmar candidaturas ou antecipar articulações.
Enquanto isso, o atual presidente da Assembleia, Adjuto Afonso (União Brasil), aparece entre os nomes envolvidos nas negociações para permanecer no cargo. Segundo informações publicadas sobre os bastidores da Casa, aliados do parlamentar projetam o apoio de pelo menos 13 dos 24 deputados estaduais da próxima legislatura.
A movimentação ocorre em meio à reorganização das forças políticas após as eleições de outubro e à chegada de Omar Aziz (PSD) ao Governo do Amazonas em janeiro de 2027.
Além de Adjuto, Thiago e Wilker, o deputado Rozenha (PSD) também aparece entre os nomes mencionados para a disputa. Até o momento, porém, não há confirmação de candidaturas formalizadas para a eleição da nova Mesa Diretora.
Thiago Abrahim deixa nome à disposição e defende diálogo entre parlamentares
Procurado pelo O Convergente, o deputado Thiago Abrahim confirmou, por meio de nota encaminhada por sua assessoria, que está disposto a participar da escolha para a Presidência da Aleam, caso exista entendimento entre seus colegas e o partido.

“Meu nome está à disposição dos colegas parlamentares e do meu partido, caso entendam que posso contribuir e representar o Poder Legislativo nesse próximo período”, afirmou.
O parlamentar ressaltou que uma eventual candidatura deverá ser construída coletivamente, levando em consideração o diálogo e o entendimento entre os deputados estaduais.
“Não se trata de um projeto individual, mas de uma responsabilidade que precisa ser construída em conjunto”, acrescentou.
Apesar de manter aberta a possibilidade de disputar o cargo, Thiago afirmou que o momento ainda não é de intensificar negociações políticas para a eleição da Mesa Diretora.
Segundo ele, a prioridade deve ser a conclusão dos trabalhos legislativos de 2026, especialmente a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA), responsável por estabelecer a previsão de receitas e despesas do Estado para o próximo exercício.
“Temos projetos em tramitação e, especialmente, a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA), que exige nossa atenção e responsabilidade. Somente após essa etapa, acredito que será o momento adequado para iniciar conversas mais específicas sobre uma eventual candidatura à Presidência da Assembleia”, explicou.
Ao comentar o cenário atual, o deputado avaliou que a escolha do próximo presidente ainda está em aberto, diante dos diferentes nomes mencionados nas articulações.
“Vejo o cenário como uma disputa aberta, com diversos nomes colocados à disposição, todos parlamentares preparados e com condições de contribuir com a condução da Assembleia Legislativa”, declarou.
Thiago também acredita que as candidaturas deverão ganhar uma definição somente em 2027, após a diplomação dos parlamentares eleitos e o avanço das conversas entre os integrantes da próxima legislatura.
Wilker Barreto também admite possibilidade de disputar o cargo
Outro nome mencionado nos bastidores é o do deputado Wilker Barreto (PSD), que também mantém aberta a possibilidade de disputar a Presidência da Aleam.
Em resposta ao O Convergente, a assessoria do parlamentar informou que ele não pretende apresentar, neste momento, um posicionamento mais detalhado sobre a eleição, considerando a ausência de uma data oficialmente divulgada para a votação.

“Até o momento não iremos nos posicionar sobre assunto visto que não há datas para eleição na ALEAM. Mas o deputado está com seu nome a disposição caso seja o desejo da casa”, informou a assessoria.
A manifestação indica que Wilker não descarta participar da disputa, mas também não confirma a existência de negociações para viabilizar sua candidatura.
O deputado integra o PSD, mesmo partido do governador eleito Omar Aziz e do parlamentar Rozenha, cujo nome também circula entre os possíveis interessados em assumir o comando da Assembleia.
Até o momento, não há confirmação pública de uma candidatura de consenso dentro da legenda.
Aliados de Adjuto Afonso projetam apoio de 13 deputados
Enquanto Thiago Abrahim e Wilker Barreto mantêm abertas as possibilidades de candidatura, o atual presidente da Aleam, Adjuto Afonso (União Brasil), também aparece nas articulações para continuar no comando do Legislativo estadual.
Segundo informações de bastidores divulgadas pelo BNC Amazonas e pelo D24am, integrantes do grupo político ligado a Adjuto estimam que ele possa reunir o apoio de pelo menos 13 dos 24 deputados que integrarão a Assembleia a partir de 2027.

A projeção considera possíveis alinhamentos com parlamentares da federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, além de integrantes de legendas como Avante, Podemos e PL.
Entretanto, os apoios mencionados ainda não foram confirmados individualmente pelos parlamentares, e os números representam uma estimativa política de aliados do atual presidente, não uma relação oficial de votos comprometidos.
A articulação ganhou destaque após um jantar realizado em 29 de outubro, na residência de Adjuto Afonso, que reuniu o governador eleito Omar Aziz e parlamentares de diferentes partidos.
O encontro foi interpretado por aliados do presidente como uma demonstração de sua capacidade de diálogo com diferentes forças políticas, embora Omar tenha afirmado, na ocasião, que a eleição da Mesa Diretora não foi discutida durante a reunião.
Adjuto assumiu a Presidência da Aleam em julho de 2026, após uma eleição suplementar determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e poderá buscar sua recondução para o próximo biênio.
O Convergente procurou inicialmente a assessoria do deputado para esclarecer seu interesse na disputa e as articulações em andamento. Posteriormente, a reportagem também entrou em contato diretamente com Adjuto Afonso para questioná-lo sobre os apoios atribuídos à sua possível candidatura.
Apesar das duas tentativas, o parlamentar não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.
Possível neutralidade de Omar Aziz entra nas articulações
A participação do governador eleito Omar Aziz nas negociações também é um dos pontos acompanhados nos bastidores da Assembleia Legislativa.
Informações divulgadas após o encontro realizado na residência de Adjuto Afonso indicam que Omar pretende não interferir diretamente na escolha do próximo presidente, deixando as articulações sob responsabilidade dos próprios deputados estaduais.

Durante o jantar de 29 de outubro, o governador eleito afirmou que o encontro teve caráter de agradecimento pelo apoio recebido durante a campanha eleitoral, sem discussões sobre a sucessão da Mesa Diretora.
A possível neutralidade do futuro chefe do Executivo também foi abordada pelo O Convergente junto ao deputado Thiago Abrahim.
Questionado sobre o assunto, o parlamentar destacou a importância da independência institucional entre os Poderes e manifestou confiança na condução política do governador eleito.
“Omar é uma pessoa que compreende a importância da independência e da harmonia entre os poderes. Tenho confiança de que saberá conduzir a relação institucional por parte do Executivo com equilíbrio e respeito às prerrogativas do Legislativo”, declarou.
O Convergente também procurou a assessoria de Omar Aziz para confirmar se o governador eleito pretende manter uma posição de neutralidade e se já existem conversas sobre possíveis candidaturas dentro do PSD.
Entretanto, não houve retorno até o fechamento da reportagem.
Quando será a eleição da nova Mesa Diretora?
Embora as negociações políticas já tenham começado, o calendário regimental estabelece que a eleição da Mesa Diretora para o primeiro biênio da próxima legislatura ocorrerá após a posse dos deputados estaduais, em fevereiro de 2027.

Conforme os artigos 4º e 6º do Regimento Interno da Aleam, a primeira reunião preparatória está prevista para 1º de fevereiro, a partir das 9h, quando serão empossados os parlamentares eleitos.
Na sequência, deverá ocorrer a segunda reunião preparatória, destinada à escolha da Mesa Diretora, conforme estabelece o artigo 7º.
O artigo 8º determina que a eleição seja realizada por votação nominal, com decisão por maioria simples, desde que esteja presente a maioria absoluta da Assembleia.
Como a Casa possui 24 deputados, é necessária a presença mínima de 13 parlamentares para a realização da votação. O número de votos exigido para vencer dependerá do quórum e dos votos registrados, conforme as regras regimentais.
Apesar dessa previsão, ainda não foi confirmado à reportagem um horário específico para a votação da nova Mesa Diretora.
Rozenha também foi procurado
Entre os parlamentares mencionados nas articulações para a Presidência está Rozenha (PSD), que conquistou a reeleição em outubro e integrará a próxima legislatura.

O nome do deputado aparece nas discussões políticas sobre a sucessão da Mesa Diretora, mas não há confirmação de que ele tenha decidido disputar o cargo.
O Convergente procurou sua assessoria para esclarecer o eventual interesse na candidatura, a existência de negociações com outros deputados e a possibilidade de participação de Omar Aziz nas articulações.
Até o fechamento da reportagem, não houve retorno.
Com as declarações obtidas junto às assessorias de Thiago Abrahim e Wilker Barreto, a disputa permanece sem definições formais. Enquanto o deputado do MDB defende que as articulações sejam aprofundadas após a conclusão das pautas legislativas de 2026, Wilker mantém seu nome à disposição caso exista interesse dos demais parlamentares.
Paralelamente, as projeções de apoio ao atual presidente Adjuto Afonso e os movimentos envolvendo deputados de diferentes legendas indicam que a composição da próxima Mesa Diretora continuará sendo objeto de negociações até a votação prevista para fevereiro de 2027.


