O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que não pretende interferir nas investigações envolvendo o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e disse ter orientado os advogados a não pedirem o encerramento dos inquéritos. A declaração foi dada na sexta-feira (14), durante entrevista ao podcast Não Inviabilize, em parceria com o As Cunhãs. O compromisso constava na agenda oficial da Presidência da República.
Lula afirmou acreditar no filho, mas declarou que as apurações devem continuar.
“Meu filho sabe que ele não pode fazer nada errado. Ele jura por tudo o que é sagrado que ele não tem nada. E eu acredito nele. Mas eu já disse aos advogados: ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho. Quer fazer inquérito, que faça. Eu quero que ele seja investigado, não tem problema nenhum”, declarou.
Atualmente, Lulinha é investigado em três inquéritos abertos a pedido da Polícia Federal. Dois estão relacionados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto o terceiro ficou sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Investigações envolvem Ministério da Saúde e Dataprev
A primeira frente apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a negociações envolvendo cannabis medicinal no Ministério da Saúde. O inquérito foi autorizado por André Mendonça no fim de julho e tramita sob sigilo.
A PF investiga se Fábio Luís teria utilizado sua proximidade com integrantes do governo federal para beneficiar negócios relacionados ao empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A eventual participação de Lulinha, no entanto, ainda está sob investigação.
Uma segunda apuração investiga relações envolvendo a Dataprev. Nesse caso, a PF apura uma possível atuação conjunta de Lulinha, Antunes, da empresária Roberta Luchsinger e de empresários do setor de tecnologia na tentativa de obter negócios com órgãos públicos.
A terceira investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino em 4 de agosto. Segundo a apuração policial relatada nos autos, há suspeita de que Lulinha tenha usado a influência decorrente da condição de filho do presidente para beneficiar empresas parceiras, entre elas a 3Structure IT.
Pagamentos a empresária estão sob apuração
Parte das suspeitas envolve a relação entre o Careca do INSS e Roberta Luchsinger, empresária próxima a Fábio Luís.
De acordo com documentos da Polícia Federal divulgados pelo Metrópoles, foram identificados pagamentos que somam R$ 1,5 milhão feitos por Antunes a Roberta. Em uma das operações financeiras analisadas pelos investigadores, uma mensagem atribuída ao lobista fazia referência ao destinatário como “filho do rapaz”. A PF passou a apurar se a expressão poderia fazer referência a Lulinha.
Roberta sustenta que os valores recebidos estavam relacionados a serviços de consultoria prestados ao empresário.
Registros obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação também indicaram que Roberta e Antonio Antunes estiveram no Ministério da Saúde durante o período analisado pelas investigações. Em uma das ocasiões, os dois estiveram na pasta no mesmo dia e horário.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contesta as suspeitas e afirma que ele não possui relação direta ou indireta com irregularidades. Os advogados também vêm criticando a condução e o vazamento de informações sigilosas relacionadas às investigações.
Os três inquéritos permanecem em fase de investigação. Até o momento, as informações divulgadas tratam de suspeitas que estão sendo apuradas, e não de conclusão sobre responsabilidade criminal de Fábio Luís.
Ao comentar o caso, Lula afirmou que acredita na versão apresentada pelo filho, mas defendeu que a Polícia Federal avance nas investigações sem interferência da Presidência. A declaração ocorre enquanto os investigadores buscam esclarecer a extensão das relações entre empresários, lobistas e pessoas próximas ao filho do presidente.
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