O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia que Donald Trump está isolado internacionalmente ao não reconhecer a vitória do chefe do Executivo brasileiro nas eleições realizadas no último domingo (25). Na avaliação de auxiliares do governo federal, o resultado das urnas foi legitimado por manifestações de lideranças internacionais, partidos políticos e representantes dos poderes Legislativo e Judiciário do Brasil.
A percepção dentro do governo é de que não há espaço para questionamentos sobre o processo eleitoral brasileiro, especialmente após o reconhecimento da vitória de Lula por diferentes setores políticos, incluindo o próprio Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no segundo turno.
Além dos Estados Unidos, Argentina e Israel também não parabenizaram o presidente brasileiro reeleito nem reconheceram oficialmente sua vitória. O presidente argentino, Javier Milei, foi o único chefe de Estado da América do Sul a não cumprimentar Lula pelo resultado. Outros líderes de direita da região, como Santiago Peña, do Paraguai, Daniel Noboa, do Equador, e José Antonio Kast, do Chile, manifestaram reconhecimento ao resultado eleitoral.
Governo destaca diferença de votos
Outro fator considerado pelo Executivo federal é a diferença registrada nas urnas. Lula foi reeleito com aproximadamente 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 59,8 milhões.
Na avaliação de integrantes do governo, a votação expressiva, somada ao reconhecimento do resultado por instituições e partidos brasileiros, enfraquece as tentativas de questionamento da eleição.
A gestão Lula também considera que chega a este momento em uma posição política mais fortalecida do que durante a crise do tarifaço, no ano anterior. Na ocasião, o governo norte-americano anunciou medidas comerciais contra o Brasil em meio às articulações de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), incluindo o então deputado Eduardo Bolsonaro, que buscavam pressionar os Estados Unidos a adotar retaliações ao país.
Carta de Flávio e reação de Trump
A avaliação do governo brasileiro também considera que o resultado eleitoral enfraqueceu a articulação internacional de Flávio Bolsonaro. Após deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos, na quarta-feira (28), o senador publicou uma carta na qual se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
Minutos depois, o documento foi substituído por uma nova versão, na qual Flávio retirou a expressão “presidente eleito” e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Na quinta-feira (29), Donald Trump voltou a comentar o cenário político brasileiro e criticou as eleições, chegando a classificar o pleito como uma “desgraça”. O presidente norte-americano também afirmou que pretende conversar com Lula e declarou que o brasileiro teria pedido a ele uma postura de neutralidade durante a disputa eleitoral.
Questionado sobre quem considera o presidente legítimo do Brasil, Trump evitou responder.
Possível encontro entre Lula e Trump
Apesar das declarações do presidente norte-americano, até o momento não há solicitação de ligação entre os dois chefes de Estado, segundo informações apuradas pelo portal Metrópoles.
Uma possível oportunidade de encontro entre Lula e Trump poderá ocorrer durante a Cúpula de Líderes do G20, prevista para dezembro, nos Estados Unidos. A reunião poderá abrir espaço para uma conversa entre os presidentes em meio às divergências envolvendo o reconhecimento do resultado eleitoral brasileiro.
*Com informações do Metrópoles


