PF aponta que fundo ligado ao filme “Dark Horse” ficou quase quatro anos sem movimentação

Relatório da PF liga movimentação do Havengate a repasses para produção de “Dark Horse”

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Relatório da Polícia Federal aponta que o Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e utilizado no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, permaneceu sem atividade operacional por quase quatro anos antes de receber recursos relacionados à produção cinematográfica.

Segundo a PF, o fundo foi criado em 2020 para captar investimentos destinados ao Havengate Community, empreendimento imobiliário estimado em US$ 21,1 milhões na cidade de Melissa, no Texas. O projeto era apresentado a investidores brasileiros com possibilidade de participação no programa EB-5, mecanismo que permite solicitar residência permanente nos Estados Unidos mediante investimentos que atendam aos requisitos legais.

O empreendimento, porém, não avançou. Levantamento publicado pelo The Intercept Brasil apontou ausência de registros de propriedade, licenças de construção e obras vinculadas ao projeto nos cadastros oficiais consultados no Texas. A construtora apresentada como parceira informou à publicação que a iniciativa foi encerrada antes da emissão de licenças e do início das obras.

De acordo com o relatório policial, o Havengate continuou juridicamente ativo, mas permaneceu “operacionalmente inerte por quase quatro anos”. A movimentação teria sido retomada em 13 de fevereiro de 2025, quando o fundo recebeu uma primeira remessa de US$ 2 milhões da Entre Investimentos e Participações vinculada ao financiamento de “Dark Horse”. Àquela altura, Eduardo Bolsonaro já estava nos Estados Unidos.

Ao longo de 2025, a PF identificou transferências que somaram aproximadamente US$ 12,3 milhões da Entre Investimentos para o Havengate. Os repasses foram realizados em diferentes meses e, segundo os investigadores, apresentam valores próximos aos previstos em um acordo de financiamento encontrado no celular de Daniel Vorcaro. O documento previa investimento total de US$ 24 milhões para a produção.

A Entre Investimentos pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele declarou à Procuradoria-Geral da República que realizou sete transferências para o Havengate a pedido de Vorcaro. O acordo de colaboração premiada firmado por Freixo foi posteriormente homologado, segundo informações divulgadas sobre a investigação.

O fundo americano é administrado pelo advogado Paulo Calixto e pelo corretor Altieris Santana. Calixto mantém relação profissional com Eduardo Bolsonaro e atua na área de imigração nos Estados Unidos. A PF também registra que Eduardo teria orientado aspectos relacionados à gestão dos recursos destinados ao projeto cinematográfico, ponto que integra a investigação e ainda não representa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.

Para os investigadores, a utilização de um fundo originalmente criado para um projeto imobiliário, que permaneceu inativo durante anos, como veículo de transferências internacionais destinadas a uma produção cinematográfica é uma circunstância que demanda aprofundamento das apurações sobre a origem, a estrutura e o destino final dos recursos.

Eduardo Bolsonaro nega que o dinheiro destinado ao filme tenha sido utilizado para custear suas despesas nos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro, que participou da negociação do financiamento, também nega irregularidades e afirma que os valores tinham como finalidade uma produção privada sobre Jair Bolsonaro. A investigação da Polícia Federal permanece em andamento.

*Com informações da CBN

Leia mais: Alexandre de Moraes mantém silêncio após divulgação de vídeo em jatinho de Vorcaro

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