Órgãos do Governo do Amazonas anunciaram, nesta quarta-feira (23), o reforço do monitoramento, da fiscalização e do combate a incêndios em Manaus e no interior. As medidas foram apresentadas durante reunião do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).
Segundo o balanço apresentado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), a corporação atuou no combate a 14.899 focos de incêndios urbanos e florestais entre 1º de julho e 22 de setembro. O comandante-geral, coronel Orleiso Muniz, alertou que as condições de estiagem favorecem a propagação do fogo e pediu que a população não faça queimadas, mesmo para limpar quintais.

“Nós estamos, neste momento, sob os piores efeitos do El Niño e muito disso é por conta das condições que esse fenômeno proporciona e da atuação de pessoas de forma intencional e muitas das vezes criminosa. Então, qualquer fogo feito de forma descontrolada pode se transformar numa tragédia. Portanto, se você pretende fazer a limpeza do seu quintal não faça fogo, em hipótese alguma”, orientou.
De acordo com os órgãos estaduais, as projeções climáticas indicam chuvas abaixo da média histórica e temperaturas acima do padrão em grande parte do Amazonas. As autoridades apontam a ação humana e o uso irregular do fogo como desencadeadores dos incêndios registrados nas últimas semanas.
O CBMAM informou que mantém cerca de mil militares e brigadistas em atuação contínua. A corporação possui bases permanentes em 25 municípios e emprega 65 viaturas no combate aos incêndios. Outros cinco veículos devem chegar até o fim de outubro. Lançada em maio, a Operação Amazonas + Verde atua na resposta rápida em 33 municípios.
Fiscalização será ampliada na Região Metropolitana
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) reforçou nesta quarta-feira a fiscalização do uso irregular do fogo na Região Metropolitana de Manaus. A operação abrange 13 municípios e reúne três equipes do instituto e da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb). O órgão também informou que fortalecerá a Operação Tamoiotatá, concentrada no sul do estado.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, disse que os agentes usarão alertas de focos de calor e drones para definir as áreas prioritárias e orientar o deslocamento das equipes.

“Conforme nossos estudos e o painel de alertas de fogo e pontos de calor, nós vamos focar agora na Região Metropolitana, que contém 13 municípios. Esta é uma operação em conjunto com o Batalhão de Policiamento Ambiental. Também vamos atuar no fortalecimento da Operação Tamoiotatá. Vamos acompanhar também os focos de calor com o uso de drones para sermos mais assertivos no deslocamento das equipes, interligados à nossa base e também com o Corpo de Bombeiros”, pontuou.
As equipes irão verificar em campo áreas identificadas por imagens de satélite e levantar informações sobre possíveis infrações ambientais. A fiscalização também levará em conta a direção dos ventos e as condições meteorológicas.
Pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o secretário executivo-adjunto de Gestão Ambiental, tenente Cícero da Silva, destacou as restrições ao uso do fogo e afirmou que o estado registrou redução de 44% no desmatamento em relação ao período anterior.
“Temos o decreto do fogo, que já está em andamento e que proíbe o uso do fogo, no prazo de 120 dias. Em relação ao cenário atual, temos presenciado que essa fumaça tem vindo da concentração na região metropolitana de Manaus. O Amazonas tem registrado uma queda de desmatamento de 44% em relação ao período do ano anterior e o decreto está vigente e tem suas sanções. A Sema continua fazendo monitoramento, junto com o Ipaam, de toda a situação”, declarou.
Segundo o governo, o Decreto Estadual nº 55.339, publicado em 9 de setembro, proíbe o uso do fogo em todo o Amazonas por 120 dias, inclusive para limpeza de áreas, manejo agrossilvipastoril e eliminação de resíduos vegetais. As medidas se somam à situação de emergência climática e ambiental preventiva estabelecida em junho.
O promotor de Justiça André Seffair, do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), defendeu a atuação conjunta dos órgãos públicos e a participação da população na prevenção de novos focos.

“O Ministério Público tem um monitoramento com dados de satélites que são consolidados na nossa base de dados. Precisamos compreender que as instituições estão realizando ações de forma coordenada e reforçar que grande parte desses incêndios tem um fator humano e podemos prevenir, seja pela repressão criminal, seja pela educação ambiental da população. Então, cada um aqui está fazendo sua parte e assim vai ser feito até o final”, destacou.
Fumaça provoca alertas e mobiliza a rede de saúde
O Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (Cemoa) registrou concentrações elevadas de partículas finas no ar nas últimas 24 horas. O órgão emitiu dois alertas válidos até a manhã de quinta-feira (24).
Em Manaus, Rio Preto da Eva e São Sebastião do Uatumã, a qualidade do ar foi classificada como ruim, com índices acima de 50 µg/m³ de material particulado fino (MP2,5). Na área urbana de Manacapuru, o nível chegou à classificação severa, com taxas superiores a 125 µg/m³.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que registrou 132 atendimentos de pacientes com sintomas associados à exposição à fumaça entre 1º de julho e 22 de setembro. Desse total, 23 ocorreram em setembro. Entre os sintomas relatados estão falta de ar, tosse, dor de cabeça, dor no peito, náuseas, irritação na garganta, fadiga, tontura e vômitos.
A Defesa Civil e a SES-AM recomendam que a população evite exercícios e trabalhos pesados ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça. A orientação é manter portas e janelas fechadas nesses horários, reforçar a ingestão de líquidos e, ao sair, utilizar máscara de proteção respiratória adequada. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas cardíacos exigem atenção especial.
Pessoas com sintomas leves podem buscar orientação inicial pelo aplicativo Saúde AM Digital. Em casos de falta de ar intensa, dor no peito, lábios arroxeados ou confusão mental, a recomendação é procurar uma unidade de urgência ou acionar o Samu pelo 192.
Incêndios podem ser comunicados ao Corpo de Bombeiros pelo 193. Denúncias de queimadas ilegais e outras infrações ambientais podem ser encaminhadas ao Ipaam pelo WhatsApp (92) 98557-9454.



