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domingo, abril 6, 2025

Goteiras, muro cedendo e lixo: Denúncias expõem fragilidade na gerencia de Radyr Jr na infraestrutura da Semed

O Convergente apurou denúncias encaminhadas por pais de alunos em duas escolas de zonas distintas, mas com o mesmo problema: infraestrutura

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O bem-estar dos alunos no ambiente escolar é fundamental para a qualidade do ensino. Ainda assim, em Manaus, a realidade de algumas escolas municipais está longe do ideal. Problemas como prédios deteriorados, acúmulo de lixo nas proximidades, demora na realização de manutenções e até riscos à integridade física dos alunos ainda são recorrentes. A responsabilidade por essas situações recai sobre a Subsecretaria de Infraestrutura e Logística da Secretaria Municipal de Educação (Semed), atualmente sob a gestão de Radyr Jr.

Pais de alunos encaminharam denúncias ao O Convergente, relatando problemas em duas escolas municipais — uma localizada na zona Centro-Sul e outra na zona Sul da capital. Em ambas, a queixa era a mesma: infraestrutura precária. Vale lembrar que o subsecretário Radyr Jr. é o responsável direto por assegurar a qualidade estrutural das unidades escolares administradas pela Semed.

Para apurar a veracidade das denúncias, a equipe de reportagem de O Convergente foi a campo em busca de informações. Tanto os moradores que encaminharam a denúncia das condições de infraestrutura, quanto as gestoras da escola – por serem servidoras públicas -, pais de alunos, responsáveis e moradores da região foram questionados sob sigilo de imagem. O sigilo da fonte é um direito previsto no artigo 5º, inciso XIV da Constituição Federal, que assegura o direito de acesso à informação, que resguarda a identidade da fonte e permite que fatos de grande relevância sejam dados ao conhecimento público.

Durante o atual período chuvoso em Manaus, pais de alunos da Escola Municipal Prof. José Wandemberg Ramos Leite, no bairro Japiim, relataram que a situação tem afetado diretamente os estudantes — com o agravante de “chover mais dentro do que fora” da escola, segundo os relatos.

A principal denúncia aponta problemas no telhado da escola, cuja situação se agrava com as chuvas. Quando chove, os alunos precisam dividir espaço com goteiras dentro da sala de aula e baldes nos corredores que tentam conter a água e evitar alagamentos.

Em contato inicial, o porteiro da unidade confirmou a denúncia: “É verdade mesmo. Tem goteira pra caramba nessa escola aqui”, afirmou.

Responsáveis por alunos também confirmaram os problemas. Uma comerciante da área, avó de um estudante da unidade, declarou que o problema com o telhado é antigo: “Eu já ouvi falar que chove dentro, acho que desde o ano passado a escola está assim. […] Já vi colocarem balde nos corredores e nas salas quando está chovendo.”

Questionada sobre reformas, ela afirmou que houve melhorias na quadra da escola, mas não soube informar se houve qualquer reparo no telhado.

Outro relato, desta vez de uma mãe de aluno, revelou que mesmo com a reforma da quadra, a estrutura ainda apresenta infiltrações. O próprio aluno, presente durante a entrevista, confirmou que a sala de aula apresenta goteiras. “Tem um cantinho que fica pingando água. Às vezes o zelador limpa, mas o balde mesmo não tem”, contou o estudante.

A mãe complementou: “Vejo que a equipe tem boa vontade e é bem organizada, mas a estrutura da escola é fraca. Acho que já deveriam ter reformado.”

Procurada pela reportagem, a gestora da escola afirmou que a Semed já tem conhecimento do problema e que a unidade está na fila de espera para serviços de manutenção, embora não haja previsão de início das obras.

“Estamos aguardando. A equipe de engenharia veio, fez um mutirão em todas as escolas e há uma força-tarefa para atender as pendências ainda neste bimestre”, disse.

Ela também mencionou que desde o ano passado vêm sendo realizados reparos, mas aponta a comunidade como parte do problema: “Trocaram várias vezes, mas as pessoas da comunidade andam em cima do telhado. Todo dia tem denúncia. A bola da quadra cai no telhado e sobem para pegar.”

Sobre a reforma geral, a gestora afirmou que há expectativa de que a escola seja contemplada. Por enquanto, os reparos são feitos apenas nos pontos mais críticos.

Muro com risco de desabamento

Outra denúncia recebida pelo O Convergente aponta que o muro do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Olavo Bilac, no bairro Flores, estaria cedendo e colocando em risco a segurança de alunos, funcionários e pedestres.

A unidade recebe crianças de até 5 anos, o que aumenta a preocupação dos responsáveis. A equipe de reportagem verificou o local e confirmou a situação, que foi confirmada também por moradores da área e pela diretora interina da escola.

Segundo um comerciante da região, o muro está cedendo pelo lado de dentro do prédio. Apesar disso, a escola seguiu funcionando normalmente.

A diretora interina afirmou que o problema ocorre na parte interna do muro, onde funcionava o parquinho, atualmente interditado por risco de desabamento.
“Com as chuvas, o barranco começou a ceder. Já informamos a Semed, que veio ao local e iniciou a contenção. Segunda-feira (21/04), a reconstrução do muro será iniciada”, afirmou.

Ela garantiu que as aulas seguirão normalmente durante a obra: “Os pavilhões ficam do outro lado. Já isolaram a área para que as crianças não tenham acesso, e o trabalho será feito pelo lado de fora.”

O isolamento foi feito com placas de alumínio na parte de trás da escola. No entanto, outro problema salta aos olhos: o acúmulo de lixo e entulho no entorno da escola.

A reportagem constatou lixo espalhado, mato alto e até portas jogadas ao lado do prédio — cenário que pode comprometer a saúde das crianças.

Uma moradora relatou que o despejo irregular é antigo e que o poder público pouco faz para combater o problema. “A chuva levou o lixo embora, porque estava cheio. Fizeram uma limpeza no início do ano, mas depois pararam. E ninguém avisou nada sobre o muro caindo, só colocaram isso aí”, declarou.

Além disso, a estrutura da escola, construída sobre um barranco, pode agravar ainda mais os riscos. Imagens captadas pela reportagem mostram desníveis e indícios de instabilidade na construção.

Outro lado

O Convergente procurou a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para solicitar esclarecimentos sobre os dois casos.

Em relação à Escola Prof. José Wandemberg Ramos Leite, foi questionada a previsão de início da reforma no telhado, uma vez que os alunos seguem sendo expostos a situações precárias.

Sobre o CMEI Olavo Bilac, foi solicitada uma avaliação sobre os riscos estruturais do prédio, construído sobre um barranco, e sobre a situação do muro e do lixo no entorno da escola.

Até o momento, a Semed não se pronunciou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

Leia mais: Semed faz mudanças, mas mantém subsecretário de infraestrutura em meio a denúncias

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