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quarta-feira, abril 17, 2024

‘Nova Guerra Fria’ – Aliança militar do Atlântico Norte amplia laços com o Japão

O avanço ganhou contornos dramáticos com a invasão da Ucrânia pelas forças armadas russas, mas também resvala na delicada questão de Taiwan

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Os últimos anos foram de acirramento político-econômico entre dois grandes blocos de países: o chamado Ocidente (personificado nos Estados Unidos, Canadá e União Europeia) e a dupla China-Rússia. O avanço ganhou contornos dramáticos com a invasão da Ucrânia pelas forças armadas russas, mas também resvala na delicada questão de Taiwan.

Um fato que trouxe novos elementos para essas disputas geopolíticas, que já vêm sendo chamadas por alguns de “nova Guerra Fria”, foi o anúncio de que o Japão pretende abrir um “escritório de ligação” com a Otan, a poderosa aliança militar encabeçada pelos Estados Unidos e países europeus. “Já estamos em discussões, mas nenhum detalhe foi finalizado ainda”, disse o ministro das Relações Exteriores japonês, Yoshimasa Hayashi, em maio.

Caso se concretize, será a primeira vez que um escritório de ligação seria instalado na Ásia. Vale lembrar que Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte. Ou seja, a aliança militar estenderia seus tentáculos para além da sua área de influência previamente determinada.

Um estreitamento de relações entre a Otan e o Japão tem um alvo claro: a China, que vem expandindo sua influência política, econômica e militar por todo o mundo. Nas últimas duas décadas, intensificou o financiamento em infraestrutura em diversos países em desenvolvimento na América Latina e Ásia, mas, principalmente na África. Também criou laços com os países insulares no pacífico, região que tem sido negligenciada pelos Estados Unidos nos últimos anos.

Em paralelo, a China ampliou consideravelmente seu poderio bélico, incluindo sua carteira de ogivas nucleares. Elevou seu número de porta-aviões, de caças, tanques e outros veículos. Hoje, é o segundo país com mais gastos anuais em defesa, atrás somente dos Estados Unidos.

Essa influência econômica e militar tem animado cada vez mais a China a apertar o cerco contra Taiwan, país visto por Pequim como uma mera “província rebelde” desde 1949. Desde então, os dois países lutam pela primazia de serem reconhecidos pelos demais países como a “única China”.

Taiwan obteve o apoio da maior parte dos países até os anos 1970, quando uma reaproximação entre Estados Unidos e o governo chinês, como forma de isolar a União Soviética, fez com que a ilha perdesse esse favoritismo. A “única China” passou a ser a de Pequim e não a de Taipé.

O regime de Xi Jinping não descarta uma invasão militar, caso a ilha declare oficialmente sua independência. Nos últimos anos, contudo, os Estados Unidos e Europa têm ampliado as parcerias comerciais com Taiwan, embora eles reconheçam oficialmente o regime de Pequim como a “única China”.

Territórios em disputa

Como se não bastasse, Pequim reivindica o controle sobre vários territórios banhados pelo chamado Mar do Sul da China, incluindo ilhas que hoje fazem parte do Japão. Esses e outros fatores transformam a região do Pacífico em uma panela de pressão que precisa ser manuseada com muito cuidado.

“A China tem aumentado as forças navais próximas ao Japão e ela reivindica as Ilhas Senkaku, que é uma cadeia de ilhas desabitadas controladas pelos japoneses”, comenta o internacionalista Rodrigo Reis. “E o Japão, além de tudo, anunciou recentemente os planos para o seu maior reforço militar desde a Segunda Guerra Mundial”.

Reis admite que a movimentação japonesa afeta a estabilidade na região, mas que é um reflexo claro da invasão da Ucrânia pela Rússia. “A guerra teve repercussões que foram muito além da fronteira na Europa, fazendo com que vários países repensem questões militares e de segurança”. Ele cita como exemplo o fato de Finlândia e a Suécia, países tradicionalmente neutros, buscarem adesão à Otan.

Leia mais: PF realiza operação sobre chacina no rio Abacaxis

Por informações da CNN

Foto: Divulgação

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