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sábado, maio 25, 2024

Relatório do MS aponta falta de assistência grave na Terra Indígena Yanomami

Levantamento foi feito entre os dias 15 a 27 de janeiro e entre os principais problemas encontrados neste período pelas equipes enviadas à missão, foram: condições precárias, falta de profissionais e uma desassistência generalizada

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O Ministério da Saúde (MS) divulgou, na última terça-feira, 7/2, o “Relatório Missão Yanomami”, que apontou as principais necessidades dos povos originários diante da situação de urgência na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, após envio de equipes para dar atendimentos e prestar assistências aos indígenas.

O levantamento foi feito entre os dias 15 a 27 de janeiro e entre os principais problemas encontrados neste período pelas equipes enviadas à missão, foram: condições precárias, falta de profissionais e uma desassistência generalizada.

Desde o último dia 15 de janeiro, uma crise sanitária grave de desnutrição entre os indígenas desta e malária foi anunciada ao Brasil e ao mundo, e só foi possível se chegar a estas informações após denúncia encaminhadas ao MS sobre a morte de três crianças Yanomami, entre 24 e 27 de dezembro de 2022, sendo que duas delas tinham cerca de um ano de idade e a outra tinha 10 meses.

O documento destaca que, na ocasião, chegaram a ser abertos 17 chamados aeromédicos para casos graves que exigiam transporte imediato. Já em janeiro, a equipe da missão exploratória constatou pelo menos dez remoções por dia, sendo que 23 crianças foram resgatadas de uma só vez em uma delas.

Melhorias – O Ministério de Saúde fez uma série de indicações ao Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), Casa de Saúde Indígena (CASAI) e às redes de saúde estadual e municipal para melhoria do atendimento a indígenas em Roraima.

Entre as recomendações: contratação de antropólogos e intérpretes para apoiar os
profissionais e indígenas na comunicação e cultura tradicional; reformas estruturais prediais na CASAI, nos Polos, nas UBSI, nas alas hospitalares dos hospitais do Estado e Municípios; necessidade de capacitação dos profissionais da recepção para
identificação dos indígenas desde a admissão na unidade; fortalecimento da integração da rede de atenção à saúde para atendimento à saúde indígena; triagem em massa para todos os indígenas acolhidos na unidade para reavaliação de quadro e montagem de plano de retorno às suas comunidades, dentre outras.

Insegurança – As equipes que realizaram o levantamento pontuaram que a insegurança vivida na Terra Indígena Yanomami fez com quatro polos de atendimento fechados na região de Surucucu e três em outras localidades, devido a graves ameaças.

Falta de insumo e medicação – A falta de medicação e de insumos também foram um dos fatores que dificultaram os atendimentos aos indígenas e a remoção dos mesmos às unidades de saúde. Entre os materiais faltosos, estavam: medicamentos, carrinho de parada, oxigênio medicinal em cilindro pequeno, desfibrilador automático externo (DEA), suporte de soro — nada disso estava à disposição da equipe no momento do trabalho de campo.

Estrutura inchada– Na Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista, a situação era igualmente difícil quando da chegada da equipe. Com capacidade para cerca de 200 pessoas, entre pacientes e acompanhantes, a estrutura acomodava mais de 700. Quando a equipe chegou ao local, cerca de 150 pessoas estavam em situação de alta aguardando o retorno para o território.

Falta de transporte – Outro problema é que os familiares na Casai têm limitações para visitar pessoas internadas nos hospitais da capital, uma vez que o transporte terrestre local também estava com problemas. Além disso, também foram encontrados diversos problemas estruturais, como a precariedade dos banheiros e refeitórios, e questões sensíveis de recursos humanos, como desfalque na equipe e profissionais relatando problemas de saúde mental.

Desnutrição – No relatório, os profissionais concluíram que as principais causas de óbitos são situações preveniveis, em especial a desnutrição. Outro problema encontrado foi a queda paulatina das coberturas vacinais, que passaram de mais de 80% em 2018 para 66% em 2019, 68% em 2020, 73% em 2021 e 53% em 2022.

‘Cenário de guerra’ e intervenções – A crise na saúde indígena é uma preocupação da gestão desde o levantamento de dados durante a transição de governo. Por isso, a missão foi enviada a Roraima logo nos primeiros dias de janeiro. O documento produzido após o trabalho foi o primeiro passo rumo à reparação de um quadro que todos os profissionais definem como ‘cenário de guerra’.

As conclusões dos profissionais deram origem aos grupos de trabalho no Centro de Operações de Emergência (COE). São quatro grandes eixos temáticos: alimentação e nutrição, insumos, infraestrutura e tecnologia e informação.

Em todos os temas houve avanços sensíveis durante as primeiras semanas de trabalho. Foi elaborado um plano de segurança alimentar, além de terem sido entregues 3,7 mil cestas básicas nas regiões de Auaris e Surucu. A previsão é de que outras 4,9 mil cestas sejam enviadas nos próximos dias.

O COE-Yanomami também conseguiu a doação de 200 m³ de oxigênio medicinal para os estabelecimentos, além da mobilização de mais um hospital de campanha junto ao Ministério da Justiça. Houve avanços também nas estruturas de comunicação, com a disponibilização antenas portáteis por satélite, que vão facilitar a comunicação das equipes de campo.

Confira o Relatório na íntegra

 

Da Redação com informações MS

Fotos: Divulgação / Ilustração: Marcus Reis

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