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segunda-feira, julho 15, 2024

‘A população do Amazonas sabe que pode contar comigo’, afirma Conceição Sampaio

Parlamentar pelo Amazonas há quase três décadas, Conceição Sampaio falou ao Convergente sobre sua trajetória política, desafios enfrentados como mulher na política partidária, frustração por ter vencido, mas não ocupado a vaga na Câmara dos Deputados e a disposição em disputar mais uma eleição no ano que vem

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À frente do PSDB Mulher no Estado, Conceição Sampaio tem vasta experiência na vida política. Seja ocupando cargos legislativos ou executivos, ela afirma prezar pelos ensinamentos dados pela família e que, segundo ela, foram e são a base de sua vida pública. Concorrendo a vice-prefeita nas últimas eleições municipais, Conceição não venceu a eleição, mas adquiriu mais experiência e também por isso não descarta a possibilidade de concorrer nas eleições de 2022. Conceição afirma sonhar com uma política mais igualitária entre homens e mulheres.

Em entrevista ao Portal O Convergente, ela falou sobre a polarização da política nos dias atuais, CPI da Covid, experiências pessoais, novos projetos e desafios enfrentados durante sua trajetória na política partidária. Conceição que, por muitos anos atuou na área de comunicação social, teve seu último cargo eletivo entre 2015 e 2019 como deputada federal pelo Amazonas.

À época, ela participou de ações importantes no Congresso Nacional, como da CPI de Crimes Cibernéticos e da Comissão de Seguridade Social e Família, da Câmara Federal. No Amazonas, Conceição foi vereadora de Manaus (2005-2006) e deputada estadual em dois mandatos ocupados entre os anos de 2007 a 2014.

Na entrevista a seguir ela fala um pouco sobre sua atuação política no período em que esteve em Brasília e também sobre os desafios enfrentados na primeira onda de Covid-19 no Estado, onde, ainda na gestão do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB), esteve à frente da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc).

O Convergente – O que motivou você a entrar no mundo da política partidária?

Conceição Sampaio – Eu cresci em uma família onde meu pai me ensinou muito sobre os princípios da vida. De acolhimento de uns aos outros e mostrando que o mundo não se move quando estamos parados. Então foi justamente com esse crescimento como pessoa, como ser humano, que eu cheguei à política. Entendendo que é a política a única forma de tratar as pessoas. Quando nós temos o discernimento da escolha tornamos possível que a política transforme, que seja usada para o bem estar social da população. Foi exatamente dessa forma que eu cheguei na política. Entendendo a política como uma ciência, como algo capaz de transformar socialmente uma população.

OC – A gente tem todo um contexto histórico até que a mulher fosse inserida nesse universo político. Nas vezes em que você atuou no legislativo, sentiu algum tipo de dificuldade por ser mulher? Como você lida com isso hoje?

CS – A política sempre foi olhada e trabalhada para ser uma atividade onde os homens acabassem predominando. O próprio Congresso Nacional se padroniza dentro da atividade como sendo somente para os homens. E não tem problema em ser uma atividade onde os homens também possam participar, só que nós, mulheres, precisamos ocupar espaços de poder. Nós mulheres, que representamos 50% da população, precisamos também fazer parte desse espaço de poder. É lógico que em uma atividade tão masculina você chega em vários momentos da sua vida, da sua história e vai percebendo que ainda é preciso muitas mudanças, que ainda temos muito a mudar e contribuir.

OC – Sobre essa representatividade feminina. Hoje não temos uma representante do Amazonas no Congresso. Ao que você atribui isso?

CS – É importante lembrar que nós não estamos hoje com uma mulher na Câmara Federal não porque o povo do Amazonas não quis. Se olharmos os oito mais votados na eleição de 2018 vamos ver que tem uma mulher eleita. Nós tivemos mais votos que alguns que ali estão. O problema está no sistema do nosso país. E, no caso específico de 2018, ainda que eu tivesse quase 80 mil votos e o candidato que está lá pouco mais de 50 mil, a diferença dos votos de quase 28 mil votos não impediu o cenário que se apresentou. A crise que o Brasil ainda sofre de representatividade é exatamente por casos como esse. Onde a coligação naquele momento se tornou mais forte do que a coligação onde eu estava. São crises de representatividades que a população reclama. O que é correto, porque quando você vota, você quer exatamente que o seu voto seja respeitado.

OC – Isso ocorreu devido ao sistema de legenda?

CS – Sim. Em 2018 nós ainda tivemos os sistemas de coligações. Então a coligação da chapa do governo na época teve mais votos que a chapa onde eu estava. Porque é assim, quando você vota em um candidato ao governo de uma chapa, 10% daqueles votos acabam passando para toda aquela chapa. E do lado onde eu estava recebemos menos votos. Então ainda que eu tivesse mais votos, o outro colega entrou. Mas foi uma coisa do sistema. Esse sistema funcionou até 2018, nas eleições do ano que vem já vem dentro de uma nova roupagem onde não tem mais esse sistema de coligações. Só temos agora coligações para o majoritário.

OC – A gente vive hoje uma política mais intensa e opinativa por parte da população, principalmente, nas redes sociais. A gente vê muitos políticos usando isso para se promover. Como você vê isso, esse uso político nas redes sociais? 

CS – As redes sociais são um avanço e na pandemia a gente viu quanta importância tem o mundo digital. Agora o parlamentar tem que saber, acima de tudo, sobre a sua responsabilidade. Eu fui talhada desde muito pequena para viver a vida. Sempre lutando, entendendo a minha responsabilidade onde quer que eu estivesse. E quando chego ao parlamento, graças a Deus, sempre tive o entendimento de que ali a minha responsabilidade tinha que ser triplicada. Porque ali eu não estava tratando da minha vida e sim da vida de pessoas, de uma população toda. Você não pode ser um legislador sem estar legislando. Legislar a vida das pessoas sem conhecer. E o parlamento, uma sessão parlamentar é muito importante por isso, porque ali você vai colocar seu voto e seu voto vai decidir uma pauta, uma matéria que vai modificar para melhor ou para pior a vida das pessoas.

OC – Hoje a gente vive uma situação política polarizada. A política parece estar mais presente na vida das pessoas e ao mesmo tempo parece não estar. Como você avalia esse cenário que a gente vive hoje?

CS – Eu acho que a polarização é perigosa. É muito importante, de uma forma ou de outra, você ter acesso a informação. Chega mais rápido, mas é importante quando você entende que a informação sem educação não vale. É o caso das fake news, por exemplo, que você entende aquilo como verdade e muitas vezes você ou a sua família estão sendo enganados, mas ainda assim replica aquela informação. Então é muito importante o discernimento. A gente precisa melhorar nosso discernimento de um modo geral. A gente precisa perceber mais. E quando você não percebe isso, acaba se tornado alienado. A internet de um modo geral é muito importante, é hoje uma das mais importantes ferramentas que nós temos.

Confira um trecho da entrevista:

OC – Falando um pouco sobre a sua trajetória política. Vi que você participou de uma CPI sobre Crimes Cibernéticos, no ano de 2015. Como foi isso e porque se iniciou essa CPI na época?

CS – O que motivou a CPI foi aquela situação ocorrida com a Carolina Dieckmann, quando invadiram o computador dela. A gente não tinha uma legislação para poder verificar esse outro mundo que nós também participávamos já em 2015 de uma forma direta. Tive muita felicidade em participar. Porque você vai conhecendo um mundo que você olha ali no celular, mas que por trás daquilo ali existe um mundo onde muitos crimes acabam sendo praticados e a gente não tem noção disso. Essa CPI teve essa finalidade, de que pudéssemos entender melhor esse mundo digital que pensamos que conhecemos.

OC – A partir daí que começaram a surgir algumas legislações nesse sentido?

CS – A partir disso, várias políticas começam a surgir, onde a gente acabou criando algumas legislações que passaram a ser marcos legais de um determinado assunto, de uma determinada área, que foi o caso da CPI de crimes cibernéticos. Nós não tínhamos uma legislação para crimes cibernéticos, então o trabalho que a CPI teve foi fazer esse diagnóstico e apontar aquilo que nós encontramos. Muitas das legislações que nós temos hoje, onde inclusive precisamos avançar mais, elas sugiram a partir daquele momento da CPI, dos encaminhamentos que a CPI acabou apontando. As orientações para que novas legislações fossem criadas ou uma legislação que pudesse definir como crime, o que vem acontecendo hoje na internet.

OC – Falando sobre esse assunto, a gente tem visto hoje o andamento de uma CPI, que é a CPI da Covid e muita gente desacredita nos resultados. Muito em função do que acontece lá em termos de intenções políticas, que ficam subentendidas ali. Como você vê essa CPI hoje? Você acha que realmente ela vai trazer alguma resposta para a população ou acha que o foco é mais a coisa política mesmo? 

CS – Eu venho do parlamento e eu sempre vou defender as ferramentas que o parlamento tem. A CPI é uma dessas ferramentas extremamente importantes do parlamento. Então é muito importante quando nós, que estamos ocupando um cargo eletivo, temos esse entendimento. Muitas pessoas acabam entendendo que dali não vem resultando nenhum. E eu, como parlamentar que fui e estive por anos da minha vida, posso garantir que uma CPI bem feita traz resultados muito positivos para a população. Porque ela traz para a visibilidade um tema que, a partir dali, pode surgir um projeto de lei e uma lei no futuro. Desejo muito que a CPI faça os encaminhamentos corretos. Hoje não estou no parlamento, mas como cidadã cobro da mesma forma que era cobrada quando ali estava. Desejo que ela traga as respostas necessárias que nós precisamos te, que esclareça muitas coisas que ainda não estão na visibilidade.

Confirma um trecho da entrevista:

OC – Falando justamente da pandemia. Como foi para você estar à frente da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) no momento que iniciou a pandemia no Estado? Foi um dos momentos mais difíceis na sua trajetória, mesmo já tendo uma vida política intensa?

CS – Eu já passei muitos momentos difíceis, sou uma pessoa que não me acovardo diante de nada e foi exatamente no início dessa pandemia, onde a gente não sabia que tamanho ela teria e o que era o coronavírus, que eu estava. Sou muito grata a Deus porque em nenhum momento de 2020 me fez fraquejar. Foi certamente um dos momentos mais difíceis porque ali estávamos tratando de vidas e nada é maior do que a vida de alguém. Todas as missões que cumpri foram difíceis, certamente, mas estar à frente da Semasc entendo que foi certamente o momento mais difícil da minha vida e o que mais agradeço a Deus. Deus me escolheu para que nesse momento eu estivesse ao lado de quem ali estava precisando.

OC – Falando em missões. Quais os planos para 2022? Temos uma eleição chegando. Você pretende apoiar ou concorrer a algum cargo, como nas últimas eleições onde você concorreu como vice-prefeita? 

CS – Aprendi a viver um dia de cada vez, mas é logico que eu luto para que nós, mulheres, possamos continuar ocupando espaços, inclusive na política. Tive a honra de ser vereadora, deputada estadual, federal e candidata a vice-prefeita. Então de alguma forma eu tive a possiblidade de entender bem o parlamento e o executivo. Isso é fundamental. Eu tenho hoje o entendimento que o PSDB Amazonas, que tem à frente o ex-prefeito e ex-senador Arthur Virgílio quer continuar contribuindo com o Estado do Amazonas. E vamos continuar. Eu vivo um dia de cada vez. Estou à disposição. O voto é a confiança de alguém e a população do Amazonas sabe que pode contar comigo.

Confirma um trecho da entrevista: 

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Por Izabel Guedes

Fotos e vídeos : Marcus Reis

Confirma imagens da entrevista:

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