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terça-feira, junho 18, 2024

Representatividade política LGBTQIA+ foi tema de debate com ativista dos direitos civis e humanos Paulo Trindade

Professor universitário e ativista dos direitos civis e humanos, Paulo Trindade foi o primeiro ativista gay a ser pré-candidato à Prefeitura de Manaus pelo PSOL nas últimas eleições

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“O mês do orgulho LGBTQIA+ é bem significativo e devemos pensar o movimento muito mais amplo. Trazer essa parte mais afetiva é algo que, pelo menos, tem fortalecido muito os LGBTs para sobreviver diante de todas as circunstâncias e adversidades que enfrentam no dia a dia”, destacou o professor universitário e ativista dos direitos civis e humanos, Paulo Trindade durante o quadro “Erica Lima Conversa”, do Portal O Convergente.

Apresentado pela pesquisadora Erica Lima e transmitido ao vivo pelo Instagram nessa quinta-feira, 1º/7, a conversa com o professor universitário orbitou em torno da representatividade política e da atuação social dele como liderança.

Filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Paulo Trindade foi o primeiro ativista gay a ser pré-candidato à Prefeitura de Manaus nas eleições municipais de 2020. Durante a entrevista, ele falou sobre a experiência de ser o primeiro pré-candidato LGBTQIA+ da capital amazonense a um cargo majoritário.

“Para mim foi um orgulho. Foi histórico para cidade de Manaus ter um candidato assumidamente gay. Eu sou um homem gay cis e tem também uma série de circunstâncias. Minha trajetória acabou me levando para esse lugar. É um orgulho muito grande, das pessoas que acreditaram, sobretudo, em mim”, pontuou Trindade.

Paulo Trindade destacou que a comunidade LGBTQIA+ sofre muitas questões, especialmente preconceitos e colocar o nome dele à disposição para concorrer a uma vaga numa corrida eleitoral majoritária em Manaus é desmistificar determinadas posições e em espaços importantes para cidade.

“É pautar, pensar e planejar uma Manaus dentro da perspectiva que é muito mais integral, aonde abarca a questão indígena, LGBTQIA+, mulheres, negritude. Porque também a gente entende as diferenças em diversidades e, no fim das contas, nós também somos pessoas. Cada um merece respeito, acesso à cidadania, direitos humanos e civis”, declarou.

Políticas públicas – Ao longo da conversa, Erica pontuou que, mesmo estando em pleno século XXI, o Brasil vive um retrocesso em vários âmbitos. A pesquisadora perguntou ao entrevistado o que pode contribuir para uma pessoa, inserida na comunidade LGBTQIA+, concorrer a uma eleição.

Paulo explicou que a agenda do Congresso Nacional é muito afastada das questões que os movimentos sociais pedem, e, por esta razão, é preciso pensar que hoje boa parte dos LGBTQIA+ não têm acesso à educação, trabalho, moradia e agora, no meio da pandemia, também não tem acesso a saúde.

O professor universitário, Paulo destacou que em paralelo ao que ocorre no Brasil, com as questões da comunidade LGBTQIA+, no Amazonas foi consolidado no mês de junho deste ano a construção da “Política da Saúde Integral LGBTQIA+”. Trindade faz parte do Comitê Técnico Interinstitucional de Saúde Integral LGBT, vinculada à Coordenação Estadual de Saúde LGBT – Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).

“Todo o Sistema Único de Saúde (SUS) precisa estar dentro do Estado fazendo acompanhamento direto para que essa população possa acessar uma ação simples, que muitas das vezes é ir a um hospital ou até mesmo fazer uma consulta. Humanizar, tratar e pensar em outras formas de abordagem, isso é entender e qualificar cada vez mais a população”, opinou.

Além disso, o ativista ressaltou que a população LGBTQIA+ também precisa de maior acesso à educação. “Parece simples, mas muitos LGBTs querem acesso à educação, só que terminar um curso ou muitas vezes ingressar na faculdade se torna um passo muito mais avançado e com maiores dificuldades”, pontuou.

Eleições 2022 – Durante o bate-papo, Paulo Trindade afirmou que o PSOL saiu otimista das eleições municipais de 2020 com aumento de filiados e, para 2022, o sentimento é que se trata de uma luta constante.

“Pensar também que 2022 é uma luta diante de tudo que a gente enfrentou é perguntar para a sociedade: vocês estão gostando do jeito que está? Vamos pensar em uma transformação? Quem quer aí pensar em uma outra possibilidade de país, de estado e cidade?”, questionou.

Ao finalizar, o professor universitário pontuou que o trabalho em torno das ações que envolvem a luta das mulheres acabou abrindo portas para que outras bandeiras sejam pensadas, discutidas e trazidas mais para próximo da sociedade, como a negritude, as Pessoas com Deficiência (PCDs), LGBTQIA+ e outras.

Biografia – Paulo Trindade é professor universitário, pesquisador, artista visual, produtor cultural e ativista dos direitos civis e humanos.

Representante da sociedade civil no Comitê Técnico Interinstitucional de Saúde Integral LGBT, vinculada a Coordenação Estadual de Saúde LGBT – Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFAM). Especialista em Arte e Educação (UNIASSELVI). Graduação no curso de licenciatura em Artes Plásticas (UFAM).

Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas em Gênero, Sexualidades e Interseccionalidades (GESECS) e Arte, Ciência e Tecnologia na Amazônia (Innaturae). Foi professor universitário no Centro de Educação a Distância (Ufam) / Universidade Aberta do Brasil (UAB) e Faculdade de Artes (Ufam). É fundador e integrante do Coletivo Difusão e Centro Popular do Audiovisual em Manaus/AM onde desenvolve projetos socioculturais e ambientais desde 2006. Fundador da Mídia Ninja e outras ações de mídia livre.

Confirma a entrevista compelta:

Fotos:

 

Por Lana Honorato

Fotos: Marcus Reis

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