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terça-feira, julho 16, 2024

Vice-governador deve ser ouvido na CPI da Covid após responsabilizar Wilson Lima e Bolsonaro por colapso no AM

Carlos Almeida Filho deve prestar depoimento na CPI da Covid no Senado após afirmar que o governador, alinhado com o presidente, deixou que a cepa P1 se espalhasse, sem restrições, por acreditarem na imunidade de rebanho. Requerimento de convocação foi apresentado pelo senador Humberto Costa

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O vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho (sem partido) deve prestar depoimento na CPI da Covid no Senado após declarar que o Amazonas foi usado como laboratório para análise sobre uso da cloroquina no tratamento preventivo do coronavírus e de afirmar que o governador Wilson Lima (PSC), alinhado com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), deixou que a cepa P1 se espalhasse, sem restrições, por acreditarem que Manaus havia atingido a imunidade de rebanho. O requerimento de convocação do vice-governador foi apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE).

Em entrevista ao Painel, da Folha de São Paulo, dessa quarta-feira, 5/5, Almeida Filho afirmou que Wilson Lima teria levado a tese da imunidade de rebanho, amplamente defendida por Bolsonaro, como modus operandi para lidar com a pandemia, o que acabou agravando ainda mais a situação no Amazonas.

“Quando houve envolvimento do governador na operação [da Polícia Federal], a estratégia foi mostrar alinhamento [com Bolsonaro]. Uma coisa era clara, a política era de afirmar que se tinha uma imunidade de rebanho. O que acabou acontecendo foi um laboratório, a P1 encontrou ambiente adequado”, disse o vice-governador.

Operação Sangria – Segundo Almeida, que está rompido com o governador Wilson Lima desde maio de 2020, o ex-aliado tentou se aproximar do presidente Bolsonaro após ser alvo da Polícia Federal, em junho passado, na Operação Sangria, que investiga a compra de respiradores inadequados em uma loja de vinhos.

O vice-governador também falou da crise de oxigênio do início do ano e creditou a Lima a responsabilidade sobre o desabastecimento que resultou em mortes. “Se esperou a água bater no pescoço para a tomada de alguma medida, quando o Governo Federal foi acionado o caos já estava acontecendo. O governador só acionou o governo central quando o cenário já era de terra arrasada”, afirmou.

Em janeiro, Manaus enfrentou a pior fase da pandemia no Estado. Sem leitos, oxigênio e com uma variante mais contagiosa, o Amazonas se tornou o epicentro da pandemia no Brasil. Almeida Filho declarou que a empresa White Martins, responsável pelo fornecimento de oxigênio medicinal a Manaus, avisou com antecedência sobre o problema no abastecimento e, portanto, a responsabilidade seria do governador Wilson Lima.

Visando 2022 – Sobre as declarações de Carlos Almeida, o governador Wilson Lima afirmou se tratar de uma estratégia para atacar o presidente Bolsonaro. Conforme ele, o vice-governador está sendo porta-voz de alguém.

“Ele está sendo mandado por alguém, é tanto que se vocês verificarem a repercussão, quem repercutiu isso daí nacionalmente. Há objetivo eleitoral para 2022. Esse não é o momento de estar discutindo política, esse é o momento de continuar trabalhando para salvar vidas e atender aquelas pessoas que mais precisam, recuperar empregos. As declarações ali são infundadas, aliás, todos vocês que estão aqui sabem o quanto o Estado do Amazonas fez para poder conter a pandemia”, afirmou.

De acordo com o governador, todas as atitudes adotadas pelo governo foram baseadas na ciência e contaram com o apoio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e do Hospital Sírio-Libanês, além de especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de outras instituições respeitadas.

“Todas as medidas de restrição nós tomamos no momento em que elas foram necessárias e estão todas aí, nos decretos que foram publicados pelo Governo do Estado do Amazonas. Sempre reuni com os segmentos, com os poderes e com a imprensa para informar sobre todas as atitudes que estávamos tomando. Não há nenhum fundamento nas declarações que foram dadas”, reafirmou.

A falta no fornecimento de oxigênio em Manaus motivou a instalação da CPI da Covid, no Senado. O Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia no mundo, com mais de 414.399 mortes causadas pela doença.
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Da Redação com informações Folha de S.Paulo

Foto: Divulgação / Ilustração: Marcos Reis

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