A desembargadora Eva do Amaral Coelho, de 73 anos, criticou durante sessão do Tribunal de Justiça do Pará as novas regras estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal para o pagamento de benefícios a magistrados.
A manifestação ocorreu no dia 9 de abril, durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal. Na ocasião, a desembargadora afirmou que os limites impostos aos chamados “penduricalhos” têm impactado a percepção pública sobre a magistratura.
“Hoje nós passamos de cidadãos que zelam pela proteção dos direitos para vilões da história. Nós somos os bandidos agora”, afirmou.
Durante o desabafo, Eva também disse que “daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão” e criticou o que classificou como narrativas que teriam distorcido a imagem dos juízes.
“Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas e mais verbas, como um privilégio, um penduricalho, uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura que hoje a gente vive com uma tensão enorme”, declarou.
A desembargadora também afirmou que há sobrecarga de trabalho na carreira. “Eu queria que parte da população viesse viver o dia a dia do juiz e do desembargador, para ver como é que a gente trabalha. Enormes horas extras, sacrificando fim de semana.”
Ainda durante a sessão, ela pediu desculpas aos colegas e disse que se tratava de um “desabafo sobre uma situação muito triste”. Segundo a magistrada, não haveria atualmente vozes em defesa da categoria.
“Quanto mais a gente se defende, mais a gente é execrado. A população vai sentir quando ela procurar a justiça e realmente não tiver. Aí ela vai sentir e vai ver de que lado ela optou”, afirmou.
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, em março deste ano a desembargadora recebeu R$ 91,2 mil líquidos, conforme dados da folha de pagamento divulgada pelo tribunal.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Pará e solicitou posicionamento sobre o caso, bem como pediu contato da comunicação da desembargadora, mas não houve retorno até a publicação deste texto.


