O anúncio do asfaltamento do trecho central da BR-319, feito nesta terça-feira (31), foi celebrado pelo deputado federal Saullo Vianna (MDB-AM), que atribuiu o avanço à articulação da bancada do Amazonas no Congresso Nacional.
A obra, estimada em R$ 670 milhões, deve finalmente levar pavimentação a cerca de 405 quilômetros da rodovia que permanecem sem asfalto há mais de 40 anos.

“Hoje é um dia histórico para o Amazonas. Depois de muita luta da nossa bancada, nossa única alternativa de ligação rodoviária do Amazonas ao país será, finalmente, concluída. Isso significa tirar do isolamento a população do Amazonas punida por um alto de vida que emperra o nosso desenvolvimento econômico”, afirmou Saullo Vianna.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, detalhou que a primeira etapa contempla 40 quilômetros entre Humaitá e Realidade, com início das obras previsto para maio.
“Vamos lançar os editais em abril de 3 lotes de manutenção e pavimentação da BR-319 do trecho do meio, de km 250 ao km 590. E as primeiras obras em maio. Ou seja, vamos tirar a população da lama no inverno e da poeira no verão, mas acima de tudo retira o Amazonas do isolamento”, informou Renan Filho.
Ponte e mudanças no licenciamento
Entre as intervenções anunciadas está a construção da ponte sobre o Igapó Açu, no km 260, substituindo a travessia por balsa.
Saullo Vianna também ressaltou a importância da aprovação da emenda à MP 1.308/2025, de autoria do senador Eduardo Braga, que flexibilizou o licenciamento ambiental para obras consideradas estratégicas.

Desde 2023, o deputado atua junto aos senadores Omar Aziz e Eduardo Braga em reuniões com o governo federal para viabilizar a pavimentação. Em 2025, o grupo percorreu a rodovia para mostrar a situação da estrada.
“Essa estrada é sinônimo de dignidade, de integração e de oportunidade para milhares de famílias do Amazonas. O que queremos é avançar com responsabilidade, garantindo desenvolvimento sem abrir mão da preservação ambiental”, acrescentou.
Custos elevados e isolamento

A falta de pavimentação no trecho central da BR-319 eleva os custos de manutenção, especialmente no período chuvoso, quando a lama dificulta o tráfego.
Dados baseados em relatórios do DNIT apontam que aproximadamente R$ 1,4 bilhão foram gastos entre 2009 e 2024 para garantir a trafegabilidade em trechos da rodovia.
O parlamentar também lembrou que, durante a pandemia, a ausência de uma ligação rodoviária eficiente dificultou o envio de oxigênio e outros insumos ao Amazonas.
Inaugurada em 1976, a BR-319 liga Manaus a Porto Velho, mas foi abandonada cerca de 12 anos depois. Atualmente, apenas 34% dos 656 quilômetros estão pavimentados, mantendo o estado isolado por via terrestre há décadas.


