A disputa pelo Governo do Acre nas eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos, com Alan Rick (Republicanos) na liderança dos levantamentos mais recentes e Mailza Assis (PP) apresentando crescimento e se aproximando do senador. Tião Bocalom (PSDB) aparece em terceiro lugar, enquanto os demais candidatos ainda têm participação mais restrita nas pesquisas.
Ao mesmo tempo, a eleição para o Senado apresenta um cenário mais aberto. O Acre terá duas vagas em disputa, reunindo nomes conhecidos da política estadual, como o ex-governador Gladson Cameli (PP), o senador Márcio Bittar (PL) e o ex-governador e ex-senador Jorge Viana (PT). A situação jurídica de Cameli, entretanto, pode alterar significativamente a configuração da disputa.
Alan Rick lidera, mas Mailza reduz distância
Os três levantamentos mais recentes apresentados apontam Alan Rick como primeiro colocado na corrida pelo Palácio Rio Branco. A vantagem, porém, varia de acordo com o instituto.
Na pesquisa Veritá, divulgada em 8 de setembro, Alan Rick aparece com 39,8%, seguido por Mailza Assis, com 27,9%, e Tião Bocalom, com 11,7%. Thor Dantas não aparece individualmente no levantamento apresentado, enquanto os demais candidatos somam 12,5%. Brancos, nulos e indecisos representam 7,9%.
Já a pesquisa Travessia, divulgada em 6 de setembro, mostra uma diferença menor: Alan Rick tem 36%, contra 32% de Mailza Assis. Bocalom aparece com 14% e Thor Dantas com 6%. Nesse levantamento, a margem de erro é de 3,5%, colocando Alan e Mailza em empate técnico.
Na pesquisa Quaest, de 27 de agosto, Alan Rick tinha 33%, Mailza 24% e Bocalom 15%. Thor Dantas registrava 2%.
| Candidato | Veritá | Travessia | Quaest |
|---|---|---|---|
| Alan Rick (Republicanos) | 39,8% | 36% | 33% |
| Mailza Assis (PP) | 27,9% | 32% | 24% |
| Tião Bocalom (PSDB) | 11,7% | 14% | 15% |
| Thor Dantas (PSB) | — | 6% | 2% |
Os números mostram duas tendências. Alan Rick mantém a liderança em todos os levantamentos, enquanto Mailza apresenta crescimento em relação à pesquisa anterior, reduzindo a distância para o senador. Bocalom permanece em terceiro, embora tenha oscilado negativamente entre os levantamentos mais recentes.
O cenário também revela que a disputa pelo governo ocorre principalmente dentro do campo de direita e centro-direita, que concentra os três candidatos mais bem posicionados. No campo progressista, Thor Dantas aparece como principal nome, enquanto Dr. Luizinho e Eudo Raffael têm percentuais menores ou não aparecem individualmente nos levantamentos apresentados.
Quem disputa o Governo do Acre
Seis candidaturas ao governo foram apresentadas como oficialmente registradas:
- Alan Rick (Republicanos) — coligação Trabalho da Esperança, formada por Republicanos, PSD, Avante e Novo.
- Mailza Assis (PP) — coligação Avança Acre, formada por PP, PL, União Brasil, MDB, PDT e Democrata.
- Tião Bocalom (PSDB) — frente Produzir para Empregar, com Cidadania, PRD e Solidariedade.
- Thor Dantas (PSB) — candidato pelo campo de centro-esquerda.
- Dr. Luizinho (Agir) — candidatura pelo partido isolado.
- Eudo Raffael (PCB) — candidatura pelo PCB.
Mailza assumiu o governo após a saída de Gladson Cameli, que deixou o cargo em abril de 2026 para disputar o Senado. A governadora tenta transformar a estrutura administrativa herdada em vantagem eleitoral.
Alan Rick, por outro lado, chega à disputa com uma posição competitiva construída a partir de sua atuação no Senado e de uma base política que, segundo os dados apresentados, possui presença relevante em municípios do interior.
Bocalom concentra parte importante de sua força eleitoral em Rio Branco, onde foi prefeito, e busca ampliar sua presença junto ao eleitorado ligado à produção rural.
Disputa pelo Senado pode mudar com situação de Gladson
A eleição para o Senado apresenta um componente adicional: a situação jurídica de Gladson Cameli.
Nos cenários estimulados apresentados, Cameli aparece com aproximadamente 25% das intenções de voto, liderando a disputa. Márcio Bittar também chega a cerca de 25% nos cenários em que Gladson é retirado ou enfrenta impedimentos jurídicos.
Jorge Viana aparece em terceiro, com aproximadamente 16%, sendo o principal nome associado ao campo de esquerda.
Também disputam as duas vagas:
- Sérgio Petecão (PSD)
- Mara Rocha (Republicanos)
- Eduardo Velloso (Solidariedade)
- Dr. Júnior Feitosa (DC)
- Professor Inácio Moreira (PSOL)
A situação de Cameli, portanto, é central para a corrida. O candidato foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a 25 anos e 9 meses de prisão, em processo relacionado à Operação Ptolomeu. Após o registro da candidatura, foram apresentados pedidos de impugnação com fundamento na Lei da Ficha Limpa.
A defesa tenta obter decisões judiciais que permitam a manutenção da candidatura enquanto recursos são analisados.
Isso cria dois cenários políticos distintos: com Gladson na disputa, ele aparece entre os favoritos; sem Gladson, a disputa tende a beneficiar diretamente nomes como Márcio Bittar e pode abrir espaço para outros candidatos.
Para os demais candidatos ao governo, não foram apontados pedidos de impugnação de gravidade semelhante. Ainda assim, a situação processual deve ser acompanhada até o julgamento definitivo dos registros.
A direita dividida e os diferentes palanques nacionais
O Acre possui histórico de forte presença eleitoral do campo conservador. Em 2026, entretanto, esse eleitorado não está concentrado em uma única candidatura.
Márcio Bittar é o candidato do PL ao Senado e representa o vínculo mais direto, entre os principais candidatos, com o campo bolsonarista.
Mailza Assis também disputa espaço nesse eleitorado por meio da aliança que reúne PP e PL, além de outras siglas. Seu palanque incorpora setores conservadores e ligados ao agronegócio.
Alan Rick e Tião Bocalom também adotam discursos associados à direita e a pautas conservadoras, o que contribui para uma fragmentação do eleitorado desse campo.
Do outro lado, Jorge Viana representa o principal nome do grupo associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado. Thor Dantas, do PSB, ocupa posição semelhante na disputa pelo governo.
A eleição, portanto, não se resume a uma divisão entre esquerda e direita. Há também uma disputa interna pelo eleitorado conservador, especialmente entre Alan Rick, Mailza e Bocalom.
Máquina estadual favorece Mailza no interior
Um dos fatores que podem influenciar a eleição é a distribuição dos apoios políticos.
Mailza Assis conta com a estrutura política herdada da administração de Gladson Cameli e, conforme os dados apresentados, possui apoio de uma parcela significativa de prefeitos do interior e deputados estaduais.
Alan Rick, entretanto, apresenta força em regiões como o Vale do Juruá e o Alto Acre, onde sua atuação parlamentar e a destinação de emendas são utilizadas como instrumentos para consolidar apoio político.
Bocalom tem sua principal base em Rio Branco, onde já foi prefeito, mas procura avançar entre lideranças ligadas ao setor produtivo e ao eleitorado rural dos municípios menores.
Essa disputa pelo interior é particularmente importante no Acre porque problemas de logística, acesso e distância entre os municípios fazem com que a presença física e a capacidade de entregar obras e recursos tenham peso significativo na política local.
Dinheiro das campanhas: Mailza e Alan Rick concentram maiores volumes
Os dados de prestação de contas apresentados no sistema da Justiça Federal, o Divulgacand, também mostram diferenças expressivas entre as campanhas.
Entre os candidatos ao governo, Mailza Assis declarou R$ 3,557 milhões em recursos recebidos, todos registrados como provenientes do fundo partidário. Até o fechamento desta matéria, não havia despesas eleitorais lançadas.
Alan Rick aparece logo atrás, com R$ 1,8 milhão recebidos, sendo R$ 1,75 milhão do fundo partidário e R$ 50 mil em recursos próprios. As despesas declaradas somavam R$ 50,5 mil, principalmente com impulsionamento de conteúdo.
| Candidato | Recursos recebidos | Despesas declaradas | Patrimônio |
|---|---|---|---|
| Mailza Assis | R$ 3,557 mi | R$ 0 | R$ 167,5 mil |
| Alan Rick | R$ 1,8 mi | R$ 50,5 mil | R$ 5,24 mi |
| Tião Bocalom | R$ 302,2 mil | R$ 3,3 mil | R$ 1,22 mi |
| Thor Dantas | R$ 221,7 mil | R$ 3.300 mil | R$ 761,5 mil |
| Eudo Raffael | R$ 9,22 mil | R$ 6,65 mil | R$ 165 mil |
| Dr. Luizinho | Não apresentada | — | — |
O contraste financeiro é significativo. Enquanto as campanhas de Mailza e Alan Rick já receberam valores superiores a R$ 1 milhão, Eudo Raffael declarou pouco mais de R$ 9 mil.
Também chama atenção o patrimônio declarado de Alan Rick, de R$ 5,24 milhões, diante dos R$ 167,5 mil declarados por Mailza Assis.
Senado concentra campanhas milionárias
Entre os candidatos ao Senado, os maiores volumes de recursos declarados estão concentrados em nomes conhecidos da política acreana.
Márcio Bittar declarou R$ 3,04 milhões, Gladson Cameli, R$ 3,03 milhões, Sérgio Petecão, R$ 2,8 milhões, e Mara Rocha, R$ 2,396 milhões.
Jorge Viana declarou R$ 1,608 milhão, enquanto Eduardo Velloso registrou R$ 24 mil e Professor Inácio Moreira, R$ 45,7 mil. Não havia prestação de contas apresentada para Dr. Júnior Feitosa.
| Candidato | Recursos recebidos | Despesas declaradas | Patrimônio declarado |
|---|---|---|---|
| Márcio Bittar | R$ 3,04 mi | R$ 0 | R$ 9,51 mi |
| Gladson Cameli | R$ 3,03 mi | R$ 0 | R$ 6,0 mi |
| Sérgio Petecão | R$ 2,8 mi | R$ 0 | R$ 3,86 mi |
| Mara Rocha | R$ 2,396 mi | R$ 0 | Não declarou bens |
| Jorge Viana | R$ 1,608 mi | R$ 15 mil | R$ 5,58 mi |
| Professor Inácio Moreira | R$ 45,8 mil | R$ 1,47 | R$ 200 mil |
| Eduardo Velloso | R$ 24 mil | R$ 0 | R$ 9,82 mi |
| Dr. Júnior Feitosa | Não apresentada | — | — |
A comparação, porém, deve ser feita com cautela. Receita declarada não significa necessariamente gasto realizado, já que parte significativa dos recursos pode ter sido recebida antecipadamente e ainda não utilizada.
Segurança e fronteiras estão entre os principais temas
Independentemente do posicionamento ideológico, os candidatos terão de responder a problemas que afetam diretamente o cotidiano da população.
A segurança pública aparece entre as principais preocupações. O Acre enfrenta a atuação de facções criminosas e sua posição estratégica nas rotas de fronteira com Peru e Bolívia coloca o combate ao crime organizado e o policiamento das divisas no centro do debate.
O fortalecimento do Gefron e a cooperação com o governo federal são algumas das medidas discutidas.
Outro tema recorrente é a infraestrutura. A BR-364 é fundamental para a ligação do Acre com o restante do país e para o deslocamento entre os municípios. A BR-317 também aparece entre as rodovias consideradas estratégicas.
Nos municípios mais isolados, como Jordão, Porto Walter, Santa Rosa do Purus e Marechal Thaumaturgo, a discussão vai além das estradas. Transporte aéreo e hidroviário e conectividade são questões diretamente relacionadas ao acesso da população a serviços públicos e mercados.
Produção rural e emprego entram no centro da disputa
A produção rural também deve ocupar espaço importante nos programas de governo.
Entre as principais demandas estão a regularização fundiária, a recuperação de ramais e o apoio à mecanização de pequenas e médias propriedades. A proposta de ampliar a produtividade sem aumentar o desmatamento também aparece associada à chamada economia verde.
Na geração de empregos, o desafio é reduzir a dependência da administração pública. As propostas discutidas pelos candidatos incluem incentivos fiscais para atração de empresas, fortalecimento do comércio e estímulo à produção local.
O aproveitamento econômico sustentável da floresta, incluindo manejo certificado e extrativismo, surge como outra frente de debate.
Saúde continua concentrada na capital
Na saúde, um dos principais problemas apontados é a concentração de exames especializados e cirurgias em Rio Branco.
O resultado é a necessidade de deslocamento de moradores do interior para a capital, aumentando custos e pressionando a rede de atendimento.
Entre as propostas em discussão estão a ampliação e reestruturação dos hospitais regionais, especialmente no Vale do Juruá e no Alto Acre, além de medidas para atrair e fixar médicos especialistas nos municípios mais distantes.
A eleição ainda está aberta
Os números disponíveis mostram uma eleição para o governo com liderança de Alan Rick, crescimento de Mailza Assis e Bocalom em terceiro lugar, mas com espaço para alterações ao longo da campanha.
A corrida ao Senado é ainda mais sujeita a mudanças. O desempenho de Gladson Cameli nas pesquisas o coloca entre os favoritos, mas sua situação jurídica pode alterar completamente o equilíbrio entre os candidatos.
No campo político, a principal característica da eleição é a fragmentação da direita. Alan Rick, Mailza Assis, Tião Bocalom e Márcio Bittar disputam diferentes segmentos do eleitorado conservador, enquanto Jorge Viana concentra o principal polo identificado com o lulismo.
Com duas vagas para o Senado e uma disputa pelo governo ainda sem definição no primeiro turno, apoios municipais, capacidade financeira, presença no interior e desfechos judiciais podem ser decisivos até outubro.


