Com a redução do nível dos rios durante o período de estiagem no Amazonas, empresas que atuam no transporte de cargas anunciaram a retomada da chamada “taxa da seca” a partir de 5 de setembro. A cobrança adicional será aplicada ao transporte de contêineres destinados a Manaus e busca compensar os custos extras provocados pelas limitações de navegabilidade durante a vazante.
A medida ocorre à medida que a diminuição da profundidade dos rios impõe restrições às embarcações de maior porte. Com menos água disponível para navegação, navios podem precisar reduzir a quantidade de carga transportada ou recorrer a operações adicionais para conseguir chegar à capital amazonense.
A MSC Brasil informou que a sobretaxa será de US$ 1.450 por contêiner de carga seca, valor equivalente a aproximadamente R$ 7,2 mil na conversão considerada pelo setor. Para contêineres refrigerados, utilizados principalmente no transporte de produtos que exigem controle de temperatura, a cobrança será maior e chegará a US$ 1.900.
Outras duas empresas do segmento logístico também confirmaram a cobrança de US$ 1.450 para operações com destino a Manaus durante a estiagem.
Custo pode chegar ao consumidor
O aumento dos custos logísticos gera preocupação pelos possíveis reflexos sobre a cadeia de abastecimento amazonense. Por depender significativamente do transporte fluvial para entrada e saída de mercadorias, o estado fica mais suscetível às dificuldades de navegação durante os meses de seca.
A sobretaxa é inicialmente cobrada sobre a movimentação das cargas, mas o custo adicional pode ser incorporado ao restante da cadeia e, consequentemente, chegar ao consumidor.
Entre os produtos que podem sofrer impactos estão alimentos, carnes, água mineral, materiais de limpeza e outros itens transportados em contêineres para abastecimento do mercado local.
A cobrança também ocorre em um período estratégico para o comércio, quando empresas começam a reforçar estoques para os últimos meses do ano.
Itacoatiara terá operação alternativa
Além da cobrança adicional, empresas do setor começam a preparar estratégias para enfrentar uma eventual redução mais acentuada da navegabilidade.
Uma das alternativas planejadas pelo Grupo Chibatão é instalar um píer provisório em Itacoatiara, município localizado em uma região estratégica para a navegação no Amazonas.
A estrutura deverá ser transferida de Manaus entre setembro e outubro, com previsão de entrar em funcionamento em novembro, período em que a vazante costuma impor maiores dificuldades às operações fluviais.
O objetivo é permitir que grandes embarcações descarreguem parte das mercadorias antes de seguirem em direção a Manaus.
Cargas serão transferidas para balsas
A operação prevista para Itacoatiara será baseada em um sistema de transbordo. Os contêineres transportados pelos navios de maior porte serão retirados e colocados em balsas, embarcações com menor calado e, portanto, capazes de navegar em trechos com profundidade mais reduzida.
A estrutura provisória planejada terá mais de 250 metros de comprimento e aproximadamente 24 metros de largura.
A expectativa é que os guindastes utilizados no píer tenham capacidade para realizar cerca de sete movimentações de carga por hora, permitindo a continuidade do transporte entre Itacoatiara e Manaus mesmo diante de condições mais restritivas de navegação.
A adoção da sobretaxa e a preparação de estruturas alternativas antecipam os efeitos da vazante sobre a logística amazonense. Nas próximas semanas, a evolução do nível dos rios deverá determinar a dimensão das restrições enfrentadas pelo transporte de cargas e os possíveis reflexos sobre o abastecimento e os preços no estado.
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