A Câmara Municipal de Santos, no litoral de São Paulo, retirou de pauta um requerimento de homenagem à deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) após protestos realizados durante a sessão de quinta-feira (15). A proposta, apresentada pelo vereador Sérgio Santana (PL), previa parabenizar a parlamentar por ter sido a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com 1.956.238 votos.
Manifestantes contrários à homenagem lotaram as galerias da Câmara e reagiram com gritos a discursos de vereadores de direita. A mobilização foi convocada por parlamentares de partidos de esquerda, como PT e PSOL. Diante dos protestos, Sérgio Santana retirou o requerimento da pauta logo no início da sessão.
As manifestações foram motivadas por declarações de Campopiano sobre feminicídio e violência contra mulheres. Vereadores lembraram que a deputada eleita afirmou que o feminicídio não existe e que os homens são naturalmente mais agressivos.
Nas redes sociais, a vereadora de Santos Débora Camilo (PSOL), também eleita deputada estadual, comemorou a retirada da proposta e atribuiu a decisão à mobilização popular.
“Em um país em que quatro mulheres são mortas por dia, não podemos aceitar retrocessos na luta das mulheres nem a normalização de discursos machistas que reforçam a violência e a submissão”, escreveu.
Débora também afirmou que homenagear esse tipo de discurso representa desrespeito à luta histórica das mulheres por dignidade, igualdade e pelo direito de viver sem violência. Ao final da publicação, destacou a força da organização popular e defendeu a continuidade da mobilização em defesa dos direitos das mulheres.
O requerimento havia sido apresentado na semana passada. Na justificativa, Sérgio Santana argumentou que a votação expressiva de Campopiano demonstrava “enorme reconhecimento público e a confiança depositada pela população paulista”, além de representar um “marco para nossa representatividade” na Baixada Santista.
Apesar de ter afirmado anteriormente que não retiraria a proposta mesmo diante dos protestos, o vereador recuou e retirou o requerimento durante a sessão.


