O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de financiar e participar de uma rede internacional de prostituição que recrutava mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas. As informações foram divulgadas pelo portal UOL nesta terça-feira (13), com base em mensagens extraídas do celular do empresário.
Segundo a reportagem, as conversas, registradas entre 2023 e 2025, indicam que Vorcaro participava da seleção das mulheres, negociava valores e discutia a permanência delas no grupo. Os diálogos também apontam para a intenção de estruturar uma agência de modelos para centralizar as contratações e organizar a atividade.
A investigação apura possíveis irregularidades na contratação dos serviços e o envolvimento de mulheres estrangeiras na rede. Entre as nacionalidades mencionadas nas mensagens estão russa, ucraniana, venezuelana, argentina e polonesa.
Refugiada ucraniana aparece em mensagens
Um dos episódios destacados pela reportagem envolve uma jovem ucraniana de 19 anos, refugiada da guerra em seu país. Segundo o UOL, ela teria ingressado no grupo em outubro de 2023.
Em mensagens de novembro daquele ano, o promotor de eventos Diogo Batista informou a Vorcaro que havia três refugiadas ucranianas no grupo. O ex-banqueiro respondeu que queria que uma delas permanecesse para ele.
Na sequência, Diogo compartilhou dados do passaporte da jovem para organizar uma viagem ao Rio de Janeiro. De acordo com as conversas reproduzidas pelo portal, ele afirmou que ela não poderia retornar à Ucrânia porque os pais consideravam mais seguro que permanecesse fora do país.
Os diálogos também registram a sugestão de incluir as refugiadas em uma agência. Em janeiro de 2024, a ideia voltou a ser discutida, acompanhada da proposta de alugar um imóvel para hospedar as mulheres.
Em março daquele ano, a jovem foi mencionada entre as mulheres encaminhadas para um jantar de Vorcaro em um bar localizado nos Jardins, na zona oeste de São Paulo.
Agência de modelos e movimentações financeiras
A PF também investiga negociações envolvendo a Allure Eventos, agência de modelos pertencente ao empresário Felipe Nisti Cataldo. Segundo a reportagem, Vorcaro recebeu, em dezembro de 2023, um contrato que previa a compra de 50% da empresa por R$ 1,5 milhão.
As conversas indicam que a estrutura empresarial poderia ser utilizada para centralizar a contratação das mulheres. A investigação busca esclarecer se a agência foi efetivamente empregada para viabilizar os serviços e qual seria o papel de cada envolvido.
Entre os investigados citados na reportagem estão Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo, e Leonardo Serrano, empresário responsável pela organização logística de eventos internacionais. Segundo o UOL, Serrano atuava na contratação de intermediários, na reserva de passagens, na organização de hospedagens e na administração de recursos destinados às mulheres.
As mensagens também fazem referência a eventos realizados em cidades como São Paulo, Londres, Paris, Roma e Dubai.
Em um evento realizado em Londres, em abril de 2024, 99 mulheres teriam sido contratadas para trabalhar para Vorcaro, conforme a apuração publicada pelo portal. A reportagem identificou ainda 21 faturas emitidas pela SL Consulting entre abril de 2024 e março de 2025, que totalizavam aproximadamente US$ 70 milhões.
Os valores e as operações mencionados integram as informações reunidas pela reportagem e ainda precisam ser contextualizados no âmbito das apurações sobre a finalidade dos pagamentos e a participação dos investigados.
Defesa nega exploração
Em nota, Daniel Vorcaro negou ter explorado ou desrespeitado mulheres. O ex-banqueiro afirmou que as acusações não correspondem à sua conduta e contestou a narrativa apresentada.
“Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei”, declarou.
A investigação da Polícia Federal busca esclarecer as circunstâncias das contratações, a eventual utilização de empresas para intermediar os serviços e a existência de possíveis crimes. Até que haja conclusão das apurações e decisões judiciais, as suspeitas devem ser tratadas como alegações investigadas, e não como culpa comprovada dos envolvidos.
*Com informações do Uol
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