O escritório de advocacia do ex-presidente Michel Temer (MDB) negociou com o Banco Master um contrato que poderia chegar a R$ 30 milhões para atuar na tentativa de viabilizar a venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB). As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, com base em documentos e mensagens relacionados à negociação.
O contrato foi assinado em 3 de setembro de 2025 e estabelecia o pagamento de R$ 10 milhões em honorários iniciais, além de outros R$ 20 milhões condicionados ao avanço da operação. A transação dependia de autorização do Banco Central (BC), que acabou vetando o negócio.
De acordo com a reportagem, o valor inicial seria dividido em duas parcelas de R$ 5 milhões: a primeira na assinatura do contrato e a segunda após 30 dias. Já os honorários de êxito seriam pagos caso a operação avançasse após a autorização do BC.
O documento previa a atuação em diferentes frentes para tentar destravar a negociação, incluindo uma ação judicial relacionada ao Banco Central, uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) e a busca de mediação junto aos órgãos competentes para viabilizar a formalização do negócio entre o Master e o BRB.
Mensagens mostram cobranças por pagamentos
Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e o publicitário Elsinho Mouco, apontado como interlocutor de Temer, também foram citadas na reportagem. Os diálogos mencionam o envio do contrato e cobranças relacionadas aos pagamentos previstos.
Em uma das conversas, Vorcaro informou que estava no Banco Central e que só poderia conversar mais tarde. Mouco respondeu pedindo que ele verificasse com a equipe se o pagamento já havia sido realizado.
A reportagem também identificou contatos diretos entre Temer e Vorcaro nos dias seguintes ao envio do contrato. Em 5 de setembro de 2025, o ex-presidente enviou uma mensagem ao banqueiro: “Qdo puder, me ligue”.
Venda ao BRB foi barrada
A negociação entre o Banco Master e o BRB dependia da aprovação do Banco Central, responsável por avaliar a operação no âmbito de suas atribuições regulatórias. A autorização, no entanto, não foi concedida, impedindo a concretização da venda.
O contrato previa honorários adicionais condicionados ao avanço da transação. A existência dessa cláusula, por si só, não esclarece se os valores condicionais chegaram a ser pagos nem quais serviços foram efetivamente executados pelo escritório.
As informações divulgadas por O Globo descrevem os termos do acordo e as comunicações entre os envolvidos, mas não estabelecem, por si só, a ocorrência de irregularidades na contratação.
O caso amplia a atenção sobre as articulações em torno da tentativa de venda do Banco Master ao BRB e sobre os serviços jurídicos contratados durante o processo.
*Com informações do UOL
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