Oposição muda estratégia e deve apoiar PEC pelo fim da escala 6×1 no Senado

Anteriormente, a direita tentava evitar que a aprovação da proposta se convertesse em um ganho político para o presidente Lula, segundo bastidores

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Senadores da direita e da oposição reavaliaram a estratégia de atuação em relação à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e passaram a considerar votar a favor da medida. A mudança foi divulgada pelo diretor de Jornalismo da CNN Brasil em Brasília, Daniel Rittner, nesta terça-feira (13).

Até a semana passada, a articulação de parlamentares oposicionistas era dificultar a votação da proposta para adiar a análise para depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Outra possibilidade discutida era apresentar emendas que alterassem o texto e obrigassem o retorno da matéria à Câmara dos Deputados, impedindo a conclusão da tramitação antes do pleito.

A estratégia tinha como objetivo evitar que a aprovação da proposta se convertesse em um ganho político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição contra Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a apuração de Rittner, interlocutores da campanha de Flávio passaram a avaliar que um posicionamento contrário à PEC poderia provocar desgaste eleitoral.

A preocupação é com a repercussão da votação entre os trabalhadores e nas redes sociais. Conforme a análise relatada pelo jornalista, mesmo com argumentos em defesa de modelos mais flexíveis de jornada, a oposição poderia enfrentar dificuldades para comunicar sua posição sem ser associada à rejeição de mais dias de descanso para os trabalhadores.

Votação no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), assumiu o compromisso de levar a proposta ao plenário. O calendário divulgado pela Casa prevê a votação em primeiro turno na quarta-feira (14). A apuração da CNN, porém, aponta que parlamentares governistas e oposicionistas avaliam a possibilidade de a deliberação ocorrer, na prática, apenas na quinta-feira (15).

A PEC 221/2019 propõe reduzir a jornada semanal máxima de trabalho de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem redução salarial. Para ser aprovada definitivamente no Senado, uma proposta de emenda à Constituição precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos de votação.

A mudança de postura da oposição ocorre em meio à disputa presidencial e às articulações para definir o futuro da proposta. Caso avance no Senado, a PEC poderá representar uma alteração nas regras de jornada de trabalho no país, tema que ganhou espaço no debate político durante a campanha eleitoral de 2026.

*Com informações da CNN

Leia mais: Da escala 6×1 à democracia: entenda as pautas que levaram a esquerda às ruas pelo Brasil

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