Da escala 6×1 à democracia: entenda as pautas que levaram a esquerda às ruas pelo Brasil

Atos realizados em diferentes cidades no domingo (11) combinaram campanha pela reeleição de Lula com reivindicações trabalhistas, defesa da educação pública, soberania nacional e mobilização do eleitorado para o segundo turno

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As manifestações realizadas por movimentos e partidos de esquerda em diferentes cidades brasileiras neste domingo (11) foram além da campanha eleitoral pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os atos também colocaram nas ruas algumas das principais bandeiras defendidas atualmente por sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais do campo progressista.

Batizada em São Paulo de Marcha pela Democracia, a mobilização teve seu maior ato na Avenida Paulista e foi acompanhada de atividades em dezenas de municípios do país. Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Goiânia e Manaus estiveram entre as cidades com manifestações, caminhadas, bandeiraços e outras ações políticas.

Em Manaus, apoiadores de Lula se reuniram no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico, dentro dessa agenda nacional de mobilização.

Fim da escala 6×1 ganha espaço entre as bandeiras

Uma das pautas de maior visibilidade nos atos foi o fim da escala de trabalho 6×1, modelo no qual o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de jornada para um dia de descanso.

A reivindicação ganhou força política e passou a ocupar posição de destaque entre movimentos ligados aos trabalhadores e grupos de esquerda.

Na manifestação da Avenida Paulista, cartazes e discursos defenderam a mudança na jornada. Atos estudantis realizados durante a semana também incluíram expressamente o fim da escala 6×1 entre suas reivindicações.

O tema chegou também ao centro da disputa institucional. A proposta em discussão no Congresso prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e duas folgas semanais, sem redução salarial. A tramitação passou a ganhar importância ainda maior durante o segundo turno presidencial.

Democracia como eixo político

Outra bandeira recorrente foi a defesa da democracia.

A expressão apareceu tanto no nome da marcha realizada em São Paulo quanto nas manifestações promovidas por entidades sindicais e estudantis.

A União Nacional dos Estudantes (UNE), que declarou apoio à candidatura de Lula no segundo turno, organizou manifestações pelo país defendendo, entre outros pontos, democracia e educação pública gratuita e de qualidade.

Entidades sindicais também incorporaram o tema às mobilizações. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), por exemplo, relacionou os atos à defesa da democracia, dos direitos sociais, da valorização do trabalho e da soberania nacional. (CTB⁠)

Educação e participação dos jovens

A presença de jovens tornou-se uma das características dessa nova fase da mobilização.

Organizações estudantis passaram a promover assembleias, manifestações e atividades em universidades com o objetivo de ampliar a participação desse segmento no processo eleitoral.

Na Avenida Paulista, entidades estudantis, coletivos juvenis, torcidas organizadas e grupos de fãs de artistas participaram da convocação da Marcha pela Democracia.

Entre as reivindicações apresentadas pelos estudantes aparecem a defesa das universidades públicas, educação gratuita e de qualidade, democracia e direitos sociais.

O protagonismo juvenil também passou a integrar a estratégia eleitoral de Lula nesta reta final, com a campanha buscando ampliar principalmente a participação de jovens e eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Trabalho, salários e direitos sociais

As centrais sindicais colocaram ainda na agenda questões diretamente relacionadas à vida dos trabalhadores.

Entre as bandeiras apresentadas estão:

* valorização do trabalho e dos salários;
* preservação e ampliação de direitos trabalhistas;
* fortalecimento dos serviços públicos;
* proteção de políticas sociais;
* redução da jornada de trabalho;
* defesa da soberania nacional.

A CTB definiu como estratégia para o segundo turno ampliar a presença dos sindicatos nos locais de trabalho, nas ruas e nas redes sociais.

Soberania nacional entra no discurso

O conceito de soberania nacional também passou a ocupar espaço nas manifestações.

Para organizações sindicais que participaram das mobilizações, o tema envolve a proteção das riquezas nacionais, dos empregos, dos serviços públicos e da capacidade de o país definir sua própria política econômica e social.

A pauta ganha características diferentes conforme a região.

No Amazonas, por exemplo, o debate sobre soberania pode se conectar diretamente a questões como Zona Franca de Manaus, empregos do Polo Industrial, preservação da Amazônia, universidades e políticas federais voltadas à região Norte.

Segundo turno transforma reivindicações em disputa eleitoral

Embora muitas dessas bandeiras sejam anteriores às eleições, elas passaram a ser utilizadas também como elemento de mobilização eleitoral.

O PT orientou militantes e apoiadores a intensificarem o diálogo com eleitores indecisos, pessoas que votaram em outros candidatos no primeiro turno e cidadãos que não compareceram às urnas.

Segundo material divulgado pelo partido para o segundo turno, mais de 33 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno, enquanto aproximadamente 9 milhões escolheram candidatos que ficaram fora da disputa final. A orientação da campanha é disputar justamente esse eleitorado.

A estratégia ajuda a explicar a multiplicação de manifestações, caminhadas, panfletagens e encontros em diferentes estados.

Uma pauta comum, mas não única

Apesar de os atos reunirem organizações identificadas com a esquerda, não existe uma única “pauta nacional da esquerda”.

PT, PSOL, PCdoB, sindicatos, organizações estudantis e movimentos sociais possuem programas e prioridades próprias.

O que as manifestações desta semana revelam é a formação de um núcleo comum de bandeiras nesta reta final das eleições: defesa da democracia, direitos dos trabalhadores, redução da jornada, educação pública, políticas sociais, soberania nacional e oposição ao avanço da direita e da extrema direita.

Ao mesmo tempo, a eleição presidencial passou a funcionar como elemento de unificação desses diferentes grupos.

No domingo, essa estratégia ficou evidente: das grandes avenidas do Sudeste ao Largo de São Sebastião, em Manaus, as pautas sociais dividiram espaço com uma palavra de ordem essencialmente eleitoral — mobilizar votos para tentar reeleger Lula no segundo turno marcado para 25 de outubro.

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