O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou na noite desta quinta-feira (10) o sigilo do caso Banco Master, a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. Com a decisão, documentos da investigação da Polícia Federal passaram a revelar detalhes sobre a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com antigos integrantes do Banco Central.
Segundo a PF, Vorcaro teria mantido uma rede de influência dentro da instituição e obtido acesso a informações consideradas confidenciais da investigação. Os documentos também apontam suspeitas de que ele teria oferecido benefícios a servidores e ex-servidores do BC.
Um dos citados é Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central. Conforme a investigação, Vorcaro teria intermediado a compra de um imóvel rural avaliado em R$ 4,8 milhões para Paulo Sérgio e o irmão dele, Luis Roberto. A PF também identificou mensagens que indicariam que o ex-banqueiro teria ajudado a organizar uma viagem da família de Paulo Sérgio para a Disney, em 2024.
Em uma das conversas, Paulo Sérgio agradece a Vorcaro pela ajuda e informa que estava prestes a embarcar com a família. A investigação também cita Belline Santana, ex-chefe de supervisão do Banco Central, que, segundo relatório da PF, teria recebido ou estaria previsto para receber R$ 760 mil. As mensagens analisadas pelos investigadores apontariam pagamentos destinados a Belline por meio de terceiros.
A PF afirma que os vínculos entre Vorcaro e Belline remontam a 2023 e identificou mensagens sobre pagamentos ao ex-funcionário do BC ao longo de 2024. As suspeitas e circunstâncias dos pagamentos ainda são objeto de investigação e não representam, por si só, comprovação de irregularidades.
As defesas de Paulo Sérgio e Belline não haviam se manifestado até a última atualização das informações fornecidas.
(*)Com informações da CNN Brasil


