A pouco mais de um mês do primeiro turno das Eleições 2026, uma parcela expressiva do eleitorado amazonense ainda não definiu espontaneamente em quem pretende votar para o Governo do Estado. Pesquisa do Instituto Direto ao Ponto mostra que 65% dos entrevistados não souberam ou não responderam quando questionados sobre a preferência para governador sem que fossem apresentados os nomes dos candidatos.
O resultado ganha relevância diante de uma disputa em que diferentes candidaturas aparecem próximas entre os eleitores que já manifestam uma escolha. Na modalidade espontânea, Omar Aziz (PSD) registra 10%, seguido por Roberto Cidade (União Brasil), com 9%; Professora Maria do Carmo (PL), com 7%; e David Almeida, com 5%. Wilson Lima e Eduardo Braga aparecem com 1% cada.
Outros nomes somam 1%, enquanto brancos e nulos representam 1%.

O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número AM-09630/2026. Na pesquisa espontânea, o entrevistado responde em quem pretende votar sem receber previamente uma lista com os candidatos, diferentemente do cenário estimulado.
Indecisos entram no radar das campanhas
Para o cientista político Helso Ribeiro, o percentual de eleitores que ainda não manifesta preferência tende a ampliar a atenção das campanhas sobre esse segmento, principalmente diante da proximidade entre os principais concorrentes.
“É claro que os indecisos são sempre cobiçados por todos os candidatos. E eu lembro que Manaus já teve eleição muito acirrada. Lembro do Serafim contra Alfredo Nascimento. Foi mínima a diferença. Então, eu acredito que pode, sim, os indecisos. Nessa eleição, a gente está vendo quatro candidatos muito, muito próximos. Então, trabalhar em cima dos indecisos é uma boa dica e eles podem ajudar a levar alguém para o segundo turno. Isso aí eu não tenho dúvida”, avaliou.
Apesar do peso numérico, Ribeiro ressalta que os indecisos não devem ser interpretados como um bloco eleitoral capaz de migrar integralmente para uma única candidatura. O grupo reúne pessoas com diferentes perfis, prioridades e posicionamentos.
“Se você pega, vamos lá, 100 pessoas indecisas, é claro que elas não vão se direcionar em cima de um mesmo candidato, porque elas têm pensamentos distintos. Mas trabalhar em cima delas é sempre bom”, explicou.
Percentual tende a cair com proximidade da votação
A tendência, segundo o cientista político, é que o número de eleitores sem candidato diminua à medida que o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, se aproxima. Parte desse eleitorado deverá escolher um nome durante as próximas semanas, enquanto outra parcela poderá optar pelo voto branco ou nulo ou ainda se abster.
“Quanto mais próximo ao pleito, menos eleitores indecisos você vai ter. O que ocorre é que até o dia da eleição ainda tem pessoas indecisas que acabam votando branco, votando nulo e muitos nem vão votar, que é abstenção”, afirmou.
Nesse cenário, a campanha entra em uma nova etapa a partir desta sexta-feira (28), com o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. Para Ribeiro, a maior exposição das candidaturas e de suas propostas pode contribuir para que parte dos eleitores comece a definir o voto.
“Esse público não é um público homogêneo, ele é bem distinto, bem separado. Então, é claro que o início da propaganda na televisão, no rádio vai servir para chamar a atenção de algumas pessoas. Então, cada momento servirá sim para chamar a atenção e para diminuir esse número”, analisou.
Disputa pelos votos ainda sem destino
Com 65% sem indicar espontaneamente um candidato, a pesquisa revela um cenário em que uma parcela significativa das preferências eleitorais ainda não está consolidada nesse tipo de questionamento. Ao mesmo tempo, os números mostram uma diferença de apenas cinco pontos percentuais entre os quatro primeiros nomes citados espontaneamente.
Para Helso Ribeiro, conquistar parte desse eleitorado pode ser relevante principalmente em uma disputa equilibrada, embora não seja possível prever como os votos serão distribuídos.
A partir de agora, com a intensificação das agendas de rua, a propaganda no rádio e na televisão e as demais estratégias de campanha, a evolução do percentual de indecisos passa a ser um dos indicadores a serem acompanhados até o primeiro turno. A redução desse contingente e a direção tomada pelos eleitores que hoje não apontam espontaneamente um candidato poderão ajudar a definir a configuração da disputa pelo Governo do Amazonas.
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