Escolha do vice pode ampliar alianças e mudar o rumo da eleição, avalia cientista político

Helso Ribeiro analisa fatores que influenciam a escolha dos candidatos a vice-governador

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A definição do candidato a vice-governador tende a ser uma das etapas mais estratégicas das campanhas eleitorais, especialmente em estados com grandes dimensões territoriais, como o Amazonas. Para o cientista político Helso Ribeiro, a composição da chapa majoritária vai muito além do cumprimento de uma formalidade legal e pode influenciar diretamente na capacidade de uma candidatura ampliar sua presença junto ao eleitorado.

Em entrevista, Ribeiro explicou que o perfil ideal de um vice depende da estratégia adotada por cada campanha. Segundo ele, o principal objetivo é agregar valor político à chapa, seja por meio da capacidade de atrair votos, fortalecer alianças partidárias ou ampliar a estrutura da campanha.

“O vice dos sonhos é aquele que consegue trazer votos. Em alguns casos, os partidos escolhem um nome pouco conhecido, mas que contribui financeiramente para a campanha. Isso tem seu peso nos bastidores, embora o eleitor não perceba diretamente esse aspecto. Já quando o vice possui reconhecimento público, ele pode despertar maior interesse do eleitorado e fortalecer a chapa”, afirmou.

Além do capital político, Helso destaca que o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão continua sendo um fator relevante nas disputas majoritárias. De acordo com ele, um vice filiado a uma legenda com maior tempo de exposição pode ampliar a visibilidade da candidatura.

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“O tempo de propaganda ainda alcança muitas pessoas. Quando o vice pertence a um partido com boa participação no rádio e na televisão, isso ajuda a campanha. Da mesma forma, um nome de grande visibilidade naturalmente atrai atenção e pode contribuir para aumentar o alcance da chapa”, explicou.

Interior ganha importância na estratégia

Para o cientista político, outro aspecto determinante na escolha do vice é a representatividade regional. No caso do Amazonas, onde o eleitorado está distribuído entre a capital e os 61 municípios do interior, a capacidade de articulação em diferentes regiões pode ser decisiva.

Helso observa que, embora nenhum município do interior concentre sozinho um grande número de eleitores, lideranças regionais costumam exercer influência em diferentes calhas de rios e manter articulação com prefeitos e grupos políticos locais.

“O interior representa uma parcela muito significativa do eleitorado amazonense. Muitas lideranças têm influência sobre vários municípios e conseguem dialogar com diferentes regiões. Isso acaba fortalecendo a campanha”, avaliou.

Logística de campanha

Outro ponto destacado por Ribeiro é o aspecto logístico das campanhas no Amazonas. Com um dos maiores territórios do país e desafios de deslocamento entre municípios, a presença de um vice atuante pode permitir que a chapa amplie sua cobertura durante o período eleitoral.

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“Durante a campanha, o candidato e o vice podem cumprir agendas simultâneas em regiões diferentes. Enquanto um está em determinada localidade, o outro pode percorrer outra parte do estado. Em um território das dimensões do Amazonas, essa divisão de tarefas amplia a presença da chapa e permite alcançar um número maior de eleitores”, concluiu.

A definição dos candidatos a vice-governador deve ganhar força nas próximas semanas, à medida que os partidos avancem nas negociações para a formação das chapas que disputarão as eleições de 2026.

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