A eleição para a Assembleia Legislativa do Amazonas deve colocar o eleitor diante de uma escolha recorrente: manter representantes já conhecidos ou apostar em novos nomes.
Com 24 vagas em disputa, a corrida pela Aleam reúne deputados que tentarão renovar o mandato, vereadores interessados em ampliar a atuação política e candidatos que buscam chegar ao Parlamento estadual pela primeira vez.
Entre os nomes citados para a reeleição estão Dr. George Lins, Mário César Filho, Adjuto Afonso, Felipe Souza, Sinésio Campos, Abdala Fraxe, Débora Menezes e Rozenha. Adjuto Afonso ocupa atualmente a presidência da Aleam.
No grupo que tenta conquistar uma cadeira aparecem os vereadores Aldenor Lima, Rodrigo Guedes e Professora Jacqueline, além do jornalista Victor Laborda.
Professora Jacqueline chegou a assumir temporariamente uma vaga na Assembleia, mas deixou o posto e retornou à Câmara Municipal de Manaus. Agora, ela volta a ser mencionada entre os nomes que podem disputar um mandato estadual.
Vantagem de quem já está no cargo
Para os atuais deputados, a campanha começa antes mesmo do período eleitoral. Ao longo do mandato, eles mantêm equipes, visitam municípios, apresentam projetos e destinam emendas para diferentes áreas.
Esse conjunto de fatores aumenta a visibilidade e facilita a manutenção de bases políticas.
Segundo o cientista político Helso Ribeiro, a atuação durante os quatro anos pode criar uma relação mais próxima com determinados grupos do eleitorado.
“Se ele tiver projetos e trabalhos de fato, consegue mostrar isso. De certa forma, fideliza um eleitorado. As emendas direcionadas para determinados grupos também ajudam a fidelizar algum nicho eleitoral”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a experiência continua sendo um fator importante. Ainda assim, o eleitor amazonense não apresenta um comportamento único.
“O eleitor amazonense é extremamente heterogêneo em relação às suas escolhas. Sempre tem uma novidade surgindo, mas a experiência aliada a um trabalho feito acaba fazendo com que a renovação não seja tão grande”, explicou.
Helso acredita que a próxima composição da Aleam deverá manter uma parcela significativa dos atuais parlamentares.
“Eu apostaria em pouca renovação. Acredito que mais de 60% dos deputados estarão reeleitos”, disse.
Vereadores apostam em lembrança recente
Os vereadores que pretendem disputar uma vaga estadual chegam à eleição com o nome ainda presente na memória do eleitor, especialmente após o pleito municipal de 2024.
Essa lembrança pode favorecer candidaturas como as de Aldenor Lima, Rodrigo Guedes e Professora Jacqueline.
Por outro lado, a eleição estadual exige uma estrutura mais ampla. Para conquistar uma cadeira na Aleam, os candidatos precisam ultrapassar os limites de suas bases municipais e buscar votos em diferentes regiões do Amazonas.
Além da votação individual, o desempenho dos partidos e das chapas também terá influência direta na distribuição das vagas.
Jovens demonstram desejo de renovação
Entre os eleitores mais jovens, a renovação aparece como uma alternativa diante da insatisfação com os atuais representantes.
O estudante universitário e estagiário Lucas, de 22 anos, afirma que pretende votar em um candidato novo.
“A maioria dos que já estão lá não me representa e parece desconectada da nossa realidade. Quero alguém com ideias mais modernas e que entenda o que a minha geração está passando”, declarou.
Para ele, propostas ligadas ao primeiro emprego e à educação serão decisivas.
Lucas também pretende observar se o candidato mantém atuação fora do período eleitoral.
“Quero ver o histórico do candidato na comunidade ou na internet, se ele realmente defende causas ou se só aparece em época de eleição”, afirmou.
A postura do estudante reforça o peso das redes sociais na aproximação entre candidatos e eleitores jovens. No entanto, Helso Ribeiro alerta que popularidade digital não garante resultado nas urnas.
“As redes sociais são de fundamental importância, mas não basta isso. Ter muitos seguidores não garante que essas pessoas vão votar no candidato”, explicou.
Experiência pesa entre adultos
A gerente de loja Mariana, de 42 anos, segue outra lógica. Para ela, o histórico do candidato é mais importante do que a novidade.
“Prefiro votar em quem eu já conheço e acompanho o trabalho. A rotina é muito corrida para ficar apostando no escuro”, disse.
Mariana afirma que pode repetir o voto em um deputado que tenha apresentado resultados para a região onde vive. Caso contrário, buscará outro candidato com experiência.
Entre as prioridades dela estão transporte público, atendimento nos postos de saúde e responsabilidade com os gastos públicos.
“Para ganhar meu voto, tem que ter ficha limpa, pé no chão e mostrar como vai pagar pelas promessas que está fazendo”, afirmou.
Eleitores mais velhos valorizam trajetória
A preferência por nomes conhecidos também aparece entre os eleitores mais velhos.
O aposentado Antônio, de 68 anos, diz que costuma confiar em candidatos com experiência política.
“Já vi muita promessa de gente nova que entra lá e faz igualzinho aos outros. Prefiro confiar em quem já tem bagagem política e que eu sei onde encontrar se precisar cobrar”, declarou.
Para ele, a saúde pública deve ocupar espaço central nas propostas dos candidatos.
Antônio também cobra atenção aos aposentados e uma trajetória sem envolvimento em escândalos.
“Tem que olhar para a saúde pública, porque marcar exames hoje em dia é um sufoco, e mostrar respeito com os direitos dos aposentados”, disse.
Disputa legislativa fica em segundo plano
Além da concorrência entre atuais deputados e novos candidatos, a eleição para a Aleam enfrenta outro desafio: a baixa lembrança dos nomes que disputam cargos proporcionais.
Em uma eleição geral, as campanhas para presidente e governador costumam dominar o debate público. Com isso, muitos eleitores deixam a escolha para deputado estadual para perto da votação.
“Os cargos proporcionais acabam ficando em terceiro ou quarto plano. O eleitor guarda mais facilmente os cargos majoritários, principalmente os do Executivo”, avaliou Helso.
Esse cenário favorece candidatos que já possuem estrutura, presença nos municípios ou exposição pública. Ao mesmo tempo, abre espaço para mudanças durante a campanha, sobretudo entre os eleitores que ainda não definiram o voto.
A disputa pela Aleam será, portanto, um teste entre a força dos mandatos e o desejo de renovação. Os atuais deputados precisarão defender o trabalho realizado. Os novos nomes terão de provar que representam uma alternativa viável.
O resultado mostrará se o eleitor amazonense prefere preservar a maior parte da atual composição ou promover uma mudança mais ampla no Parlamento estadual.


