A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não deve participar, nesta segunda-feira (7), do ato político organizado na Avenida Paulista, em São Paulo, com a presença do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. A decisão está relacionada aos cuidados com a saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.
Michelle não possui impedimento judicial para viajar. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, porém, ela avalia que as regras impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dificultam a entrada de uma pessoa que possa substituí-la durante períodos mais longos fora de casa.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária após decisão de Moraes. O STF informou que a medida foi concedida inicialmente diante do quadro de saúde do ex-presidente e posteriormente mantida após avaliação de sua recuperação.
Michelle tenta garantir auxílio de familiares
A defesa de Bolsonaro já pediu ao STF autorização para que parentes de Michelle possam auxiliá-la nos cuidados com o ex-presidente quando ela precisar cumprir compromissos fora de Brasília.
Em abril, Moraes negou autorização permanente para que Carlos Eduardo Antunes Torres, irmão de Michelle, atuasse como acompanhante. O ministro considerou que ele não possuía formação profissional na área de saúde. A entrada permanente havia sido autorizada excepcionalmente para profissionais como médicos, enfermeiros e fisioterapeutas.
Em outra ocasião, o ministro autorizou temporariamente Geovanna Kathleen Ferreira Lima, irmã de Michelle, a permanecer na residência enquanto a ex-primeira-dama realizava exames médicos.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a legenda buscaria uma autorização que permitisse à irmã de Michelle substituí-la durante compromissos de campanha. Segundo a apuração, ainda não havia decisão sobre uma autorização mais ampla até a manhã desta segunda-feira.
Bolsonaro permanece com restrições
Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar após ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado e outros crimes. A prisão domiciliar foi concedida por razões humanitárias após agravamento de seu estado de saúde.
Em julho, Moraes impôs novas restrições às visitas depois que Flávio Bolsonaro divulgou nas redes sociais uma carta atribuída ao pai. Posteriormente, o ministro voltou a permitir determinadas visitas, mas manteve a necessidade de autorização prévia para parte dos visitantes e a proibição de encontros com finalidade político-eleitoral.
Flávio segue impedido de visitar o pai durante o período estabelecido pela decisão judicial.
Ato na Paulista integra estratégia de Flávio
Enquanto Michelle permanece em Brasília, Flávio Bolsonaro participa das mobilizações de 7 de Setembro em São Paulo. A Avenida Paulista concentra o principal ato ligado ao candidato do PL neste feriado da Independência.
A manifestação ocorre em plena campanha presidencial de 2026 e tem entre suas principais bandeiras críticas ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. Lideranças do PL e aliados de Bolsonaro também participam da mobilização.
Antes do ato, Flávio participou de um culto em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas, entre outros aliados.
A ausência de Michelle ocorre em um momento no qual o PL tenta ampliar sua participação na campanha presidencial de Flávio. A ex-primeira-dama também disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal e vem conciliando compromissos eleitorais com os cuidados ao marido.


