Cinco tremores de terra de baixa magnitude foram registrados na costa do estado do Rio de Janeiro na última sexta-feira, em um intervalo de pouco mais de 12 horas. Os abalos ocorreram em alto-mar, a cerca de 75 quilômetros de Saquarema, e foram identificados pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), com análise do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).
Apesar da sequência de registros chamar atenção, especialistas afirmam que os eventos estão dentro do padrão histórico da região e não representam risco significativo para a população.
Maior tremor atingiu magnitude 2,5
O maior abalo da sequência ocorreu às 8h58 e alcançou magnitude 2,5. Ao longo do dia, outros quatro tremores foram detectados:
- 12h15 – magnitude 2,1;
- 12h18 – magnitude 1,7;
- 13h00 – magnitude 2,1;
- 21h23 – magnitude 1,5.
Segundo os órgãos responsáveis pelo monitoramento, não houve registro de danos materiais, interrupções de serviços ou relatos de moradores que tenham sentido os tremores.
Especialistas descartam risco para a população
De acordo com o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, esse tipo de ocorrência é relativamente comum no território brasileiro.
“O Brasil registra pequenos tremores de terra com certa frequência, especialmente devido às tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre. Na maioria dos casos, esses abalos possuem baixa magnitude e sequer chegam a ser percebidos pela população”, explicou.
O especialista destaca ainda que a margem sudeste do Brasil concentra a principal atividade sísmica offshore do país, o que favorece o registro frequente de pequenos terremotos em alto-mar.
Região já registrou outros eventos semelhantes
Embora cinco tremores em um único dia possam parecer incomuns, os pesquisadores afirmam que a sequência está dentro da normalidade geológica da região.
Gilberto Leite ressalta que a ciência ainda não consegue prever com precisão quando ocorrerão novos abalos ou qual será sua intensidade.
“O histórico de sismicidade dessa região é marcado principalmente por eventos de baixas magnitudes”, afirmou.
Não é a primeira vez que a costa fluminense registra uma sequência semelhante. Entre os dias 21 e 22 de maio deste ano, outra série de tremores foi detectada nas proximidades de Maricá. Na ocasião, o maior evento atingiu magnitude 3,3.
Por que ocorrem tremores de terra no Brasil?
Apesar de estar localizado no interior da Placa Sul-Americana, longe dos limites entre placas tectônicas onde costumam ocorrer os grandes terremotos, o Brasil não está livre de atividade sísmica.
Pequenas movimentações na crosta terrestre, provocadas por tensões geológicas acumuladas ao longo do tempo, são suficientes para gerar tremores de baixa intensidade em diferentes regiões do país.
Esses eventos costumam ser fracos e raramente provocam danos. Na maioria dos casos, são detectados apenas por equipamentos especializados de monitoramento.
Atividade sísmica segue sob monitoramento
Os registros da última sexta-feira reforçam a importância do monitoramento contínuo realizado por instituições científicas brasileiras. A margem continental do Sudeste permanece como a principal área de atividade sísmica em alto-mar do país.
Até o momento, porém, os especialistas não identificam qualquer ameaça para a população ou para as estruturas localizadas no litoral fluminense. A expectativa é que a região continue apresentando apenas eventos de baixa magnitude, como os observados recentemente.


