O avanço das redes sociais como principal meio de comunicação na era digital tem transformado a dinâmica das disputas eleitorais no Brasil, e no Amazonas não é diferente. A presença no ambiente online tornou-se uma ferramenta estratégica para pré-candidatos ao Governo do Estado, funcionando como vitrine política, espaço de mobilização e canal direto com o eleitor.
Entre os nomes colocados como pré-candidatos ao Governo do Amazonas estão o senador Omar Aziz (PSD), a professora e empresária Maria do Carmo Seffair (PL), o prefeito de Manaus David Almeida (Avante), o vice-governador Tadeu de Souza (PP) e a advogada Natalia Demes (PSOL).
Presença digital dos pré-candidatos
Entre os cinco nomes, Natalia Demes é quem possui o menor número de seguidores nas redes sociais. Presidente do PSOL Manaus e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher – Manaus (CMDM), ela contabilizava cerca de 5.055 seguidores no Instagram até as 15h30 desta terça-feira, 3, momento da apuração desta reportagem. A advogada é o nome do partido para uma eventual disputa ao governo.
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Em seguida aparece Tadeu de Souza, procurador do Estado de carreira e cotado como pré-candidato ao Executivo estadual e pode contar com o apoio do atual governador do Amazonas, Wilson Lima. Ele soma aproximadamente 22,7 mil seguidores.

O senador Omar Aziz reúne 125 mil seguidores. Presidente da Comissão de Transparência do Senado, ele já foi apontado como o melhor governador do Brasil em 2013 e tem utilizado as redes para divulgar alianças com prefeitos do interior e demais políticos do Amazonas, consolidando-se como um dos nomes centrais na pré-campanha.
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Maria do Carmo Seffair possui 126 mil seguidores. Reitora da Fametro, mestre e doutora em Direito, ela é apontada como o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro ao Governo do Amazonas e conta com apoio do clã Bolsonaro, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência da República.
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Já David Almeida lidera em número de seguidores, com 357 mil. Em seu segundo mandato como prefeito de Manaus, ele já foi deputado estadual e assumiu interinamente o Governo do Amazonas em 2017, após a anulação do mandato de José Melo de Oliveira e de seu vice pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Redes sociais e decisão de voto
A influência das redes sociais no comportamento do eleitor já foi apontada em levantamento do Instituto DataSenado, divulgado pela Agência Senado. Em 2019, a pesquisa nacional “Redes Sociais, Notícias Falsas e Privacidade na Internet”, realizada em parceria com as Ouvidorias da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, mostrou que 45% dos entrevistados afirmaram ter decidido o voto levando em consideração informações vistas em alguma rede social nas eleições de 2018.
Segundo o estudo, o principal meio de informação dos brasileiros foi o aplicativo de mensagens WhatsApp, evidenciando o peso das plataformas digitais no processo eleitoral.
Seguidores x votos
Para entender se o número de seguidores pode, de fato, influenciar no resultado eleitoral, a reportagem ouviu o consultor político e estrategista de comunicação Renato Bagre. Segundo ele, quantidade não é sinônimo de vitória.
“Número de seguidores ajuda, mas não decide eleição”, afirma.
Bagre explica que seguidores indicam potencial de alcance, enquanto engajamento demonstra envolvimento do público. “Mas o que importa mesmo é conversão — quando aquela exposição vira confiança e depois vira voto”, pontua.
O especialista detalha a diferença entre os conceitos: “Alcance é quem viu. Engajamento é quem reagiu. Voto é quem decidiu.”
Renato Bagre ressalta que essa decisão não ocorre apenas por causa de uma publicação. “E essa decisão não acontece só por causa de um post. Ela é construída com narrativa consistente, presença territorial e coerência ao longo do tempo.”

Questionado se é possível inflar números sem impacto real nas urnas, ele é categórico: “Não.”
“É possível inflar números sem criar base real. Seguidor não é sinônimo de liderança”, afirma.
Para Bagre, força política envolve outros fatores estruturais. “Força política envolve estrutura, alianças, capilaridade e capacidade de mobilização fora da internet.”
Ele acrescenta que já presenciou cenários distintos nas disputas eleitorais. “Já vi candidato com perfil grande performar mal nas urnas. E já vi campanha crescer com base organizada e comunicação estratégica, mesmo sem números impressionantes no digital.”
O consultor resume: “Rede social amplia. Não substitui política.”
Campanha híbrida
Sobre as mudanças na construção de candidaturas ao governo, Bagre avalia que as redes alteraram o ritmo e o nível de exposição dos políticos.
“Mudaram o ritmo e a exposição”, afirma.
Ele destaca que hoje a construção da imagem começa muito antes do período oficial de campanha. “Hoje a construção começa muito antes do período eleitoral. O eleitor acompanha o candidato o tempo todo. Erro vira notícia em minutos. Coerência virou ativo estratégico.”
Apesar disso, Renato Bagre pondera que elementos tradicionais seguem determinantes. “Mas uma coisa não mudou: eleição ainda se vence com presença e estrutura.”
Para o especialista, o cenário atual exige integração entre o digital e o território. “O digital acelerou o processo, mas não eliminou a importância do território, das alianças e da organização. Campanha moderna é híbrida. Quem entende isso sai na frente.”
IA, Redes Sociais e Propaganda Eleitoral
Vale lembrar que, nesta semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou as regras sobre a utilização de inteligência artificial (IA) durante as eleições deste ano. As normas valem para candidatos e partidos.
Por unanimidade, a Corte decidiu proibir postagens nas redes sociais de conteúdos modificados no período de 72 horas antes do pleito e 24 horas após a votação. A medida se aplica a alterações envolvendo imagem e voz de candidatos ou de pessoas públicas.
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As regras foram definidas com a aprovação de diversas resoluções que vão nortear o pleito, no qual serão escolhidos presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
Com a pré-campanha em curso no Amazonas, e as redes sociais podendo potencializar uma campanha, .é importante destacar, segundo especialista, que o pleito pode ser decidido com a combinação entre presença digital, articulação política e mobilização fora das telas — agora também sob as novas regras eleitorais que buscam disciplinar o uso da tecnologia no processo democrático.
Texto: Bruno Pacheco
Ilustração: Ranyere Frota
Revisão Jurídica: Letícia Barbosa


