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quarta-feira, junho 12, 2024

Ações afirmativas do TSE garantem diversidade e inclusão nas eleições

A atuação do Tribunal foi ampliada em 2012, quando a Corte instituiu o Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que candidaturas indígenas registradas por partidos e federações partidárias passarão a contar com distribuição proporcional de recursos financeiros oriundos do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos, denominado Fundo Partidário, e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), além de tempo gratuito de rádio e televisão.

A nova regra segue o mesmo padrão de distribuição estabelecido para as pessoas negras. A decisão foi tomada na análise de uma consulta feita pela deputada federal indígena Célia Nunes Correa, conhecida como Célia Xakriabá, da Federação Rede-PSOL, em Minas Gerais. O relator foi o ministro Nunes Marques.

Antes da aprovação em plenário, o assunto foi debatido em audiência pública que coletou contribuições da sociedade civil e de lideranças sobre o incentivo à participação indígena na política.

Para ter acesso aos recursos e ao tempo de antena, será necessária a autodeclaração de etnia indígena. Caberá à agremiação definir os próprios critérios para indicar quais candidaturas, de fato, farão jus às ações afirmativas.

A Presidência da Corte realizará os estudos de impacto necessários para a regulamentação do tema.

Segundo dados do portal de Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em março de 2024, as eleitoras e os eleitores autodeclarados indígenas passaram dos 8% (102.335) do total considerado para a raça no Censo Demográfico 2022 (1.187.246), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O TSE também aprovou a Resolução nº 23.659/2021, que, entre outros pontos, estabeleceu que o cadastro eleitoral deve disponibilizar, além dos dados pessoais, novos campos de identificação, como etnia e língua falada.

Eleitores indígenas:

  • Atualmente, há 320 etnias indígenas cadastradas na Justiça Eleitoral.
  • O eleitorado autodeclarado indígena equivale a 0,07% do universo de votantes no Brasil, com mais de 156 milhões de eleitores.

Grupos indígenas com maior número de eleitores registrados:

  • Tikuna, com 5.202.
  • Makuxi, com 3.695.
  • Autodeclarados indígenas não identificados: 3.689 eleitores.

Candidaturas indígenas

Na comparação entre os dados das Eleições Municipais de 2016 e de 2020, extraídos das Estatísticas Eleitorais disponibilizadas pelo TSE, as candidaturas indígenas aumentaram significativamente. O pleito de 2020 registrou a marca de 1.721 candidaturas autodeclaradas indígenas, um crescimento de 11% em relação à votação anterior, com 1.546 perfis semelhantes.

Em 2020, somente 9% dos concorrentes ao cargo de vereador conseguiram ocupar uma cadeira na Câmara Legislativa Municipal, o equivalente a 181 indígenas eleitos para a função na última eleição.

Ministras negras

A diversidade de gênero, raça e etnia é uma marca da Justiça Eleitoral. Atualmente, o TSE tem quatro ministras mulheres, sendo duas delas declaradamente negras: as ministras Edilene Lôbo, primeira mulher negra a assumir uma cadeira no TSE, e Vera Lúcia Santana Araújo.

Em sua primeira sessão como titular, Edilene Lôbo ressaltou que sua chegada ao órgão máximo da Justiça Eleitoral do Brasil é resultado e ponto de partida de lutas históricas de grupos minorizados “para vencer uma herança estrutural de desigualdade de oportunidades que precisa ser superada em nossa nação”.

 

A ministra citou alguns percentuais que evidenciam essa desigualdade. “Nós, negras, somos apenas 5% da magistratura nacional. Há apenas uma senadora autodeclarada negra, portanto menos de 1% do Senado. São 30 as deputadas federais, o que corresponde a cerca de 6% da Câmara. As mulheres negras ocupam 3% dos cargos de liderança no mundo corporativo, mas 65% das empregadas domésticas no Brasil são negras”, apontou.

Igualdade racial

Fazendo jus ao nome Tribunal da Democracia, o TSE realizou diversas ações para garantir o direito de votar e ser votado de pessoas negras. Entre elas:

  • Encontro Democracia e Consciência Antirracista na Justiça Eleitoral: realizado em novembro de 2022, em comemoração ao Dia da Consciência Negra, o evento discutiu o racismo estrutural, a inclusão de pessoas pretas e pardas, mulheres e indígenas e contou ainda com o lançamento da cartilha Expressões racistas: por que evitá-las.
  • X Encontro Nacional das Escolas Judiciárias Eleitorais (Eneje): ocorreu em maio de 2023 e discutiu temas como cidadania, diversidade e direitos ao comemorar os 20 anos da EJE/TSE. Ainda durante o evento, foram anunciados os vencedores do II Concurso de Boas Práticas das EJEs. Entre eles, havia ações voltadas à população indígena, às pessoas negras e ao incentivo à participação feminina na política.
  • Visita da bancada negra da Câmara dos Deputados: os parlamentares cumprimentaram o ministro Alexandre de Moraes pela condução das Eleições 2022 e pelas medidas adotadas na Justiça Eleitoral que visam promover maior representatividade negra nos espaços de poder. Um dos pontos citados foi a criação, por meio da Portaria nº 230/2022, da Comissão de Promoção da Igualdade Racial. O grupo é responsável por elaborar estudos e projetos para ampliar a participação da população negra nas eleições.
  • Resolução nº 23.724/2023: publicada em outubro de 2023, estabelece as normas gerais para a realização de concurso público para provimento de cargos efetivos dos quadros de pessoal da Justiça Eleitoral. Entre os pontos de destaque, está a reserva de vagas para pessoas indígenas, negras e com deficiência. O novo texto prevê a reserva de 20% de vagas para pessoas negras, 10% para pessoas com deficiência (o dobro do percentual de 5% anteriormente previsto) e 3% para indígenas.

Pessoas com deficiência

Nas Eleições 2022, a acessibilidade foi otimizada com o aprimoramento dos softwares já existentes e instalação de novos recursos nas urnas eletrônicas que foram utilizadas no pleito. Todos os aparelhos, por exemplo, contaram com tradução na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Além disso, um vídeo feito por uma intérprete de Libras foi inserido na urna.

Eleitores com deficiência

  • 1.271.381 (0,81% do total) de eleitoras e eleitores declararam ter algum tipo de deficiência ou mobilidade reduzida;
  • 820 mil pessoas com deficiência participaram das eleições nos dois turnos – um aumento de 30%;
  • 448 candidatas e candidatos declararam ter algum tipo de deficiência, em um universo de mais de 27 mil candidaturas.

As 577.125 urnas usadas no pleito emitiram o “pilili”, alerta sonoro que indica o término da votação. Os equipamentos também contaram com recursos de acessibilidade para garantir a plena inclusão de pessoas com deficiência.

 

Para as pessoas com deficiência visual, as urnas eletrônicas contaram com o sistema Braille. Também foram disponibilizados nas seções eleitorais fones de ouvido para que eleitores cegos ou com baixa visão recebessem sinais sonoros com a indicação do número escolhido e o retorno do nome da candidata ou do candidato em voz sintetizada. Foram realizadas ainda melhorias na qualidade geral do áudio, que fala também os nomes de suplentes e vices.

Eleitoras e eleitores que têm deficiência ou mobilidade reduzida tiveram ainda a possibilidade de votar em seção com acessibilidade, como uma seção instalada em local com rampas ou elevadores, conforme previsto na Resolução 23.669/21.

Encontro Nacional de Acessibilidade

Em novembro de 2023, o TSE realizou o II Encontro Nacional de Acessibilidade da Justiça Eleitoral, que contou com a participação de representantes de todos os Regionais. Esse foi o primeiro evento on-line da JE 100% acessível, com a disponibilização dos três recursos de acessibilidade comunicacional: Libras, legendagem e audiodescrição. A atuação do Tribunal foi ampliada em 2012, quando a Corte instituiu o Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral.

 

 

 

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral – TSE

Foto: Divulgação / Alejandro Zambana / Secom / TSE

Leia mais: Lei do Amazonas que proibia uso da linguagem neutra no currículo escolar é suspensa pelo STF

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