Uma adolescente de 16 anos foi agredida dentro de um shopping na zona oeste de Manaus, no dia 20 de junho, por outra mulher, com um objeto não identificado. As imagens das câmeras de segurança passaram a circular nesta semana.
De acordo com a família da vítima, o objeto tratava-se de uma caneta e a agressora seria uma moradora de rua. Ainda no shopping, a adolescente, que estava sangrando, recebeu os primeiros socorros e foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML), para exame de corpo de delito. Após ser socorrida, ela realizou o Boletim de Ocorrência contra a agressora.
Veja o momento do ocorrido:
Segundo o irmão da vítima, cujo nome não foi divulgado, que frequenta também o shopping, a agressora já havia feito outros furtos no estabelecimento. “Todo dia entra, rouba e ninguém faz nada. Quase matou minha irmã. Já pensou se fosse no rosto dela?”, apontou o irmão.
O Portal O Convergente entrou em contato com a assessoria do shopping e foi repassado a seguinte nota à imprensa:
“O Shopping Ponta Negra lamenta o ocorrido e se solidariza com a cliente. O shopping prestou toda a assistência possível à vítima e colabora com as investigações.”
Especialistas comentam sobre pessoas em situação de rua
Este caso ocorrido no Shopping Ponta Negra tem repercutido nas redes sociais e é um assunto que trata não somente de pessoas em situação de rua, mas também da questão da saúde e do apoio psicológico em relação a essas pessoas.
A equipe do Portal O Convergente conseguiu entrevistar a psicóloga e gestora aposentada das Práticas Integrativa e Complementares, Lourdes Siqueira, para trazer em pauta a questão das políticas públicas que precisam estar mais alinhadas às situações que envolvem as pessoas em situação de rua.
“A política pública tem que estar amarrada a isso, tem que estar percebendo essa sazonalidade, para poder ajudar essas pessoas que são cidadãos no seu sofrimento, porque não estão na rua porque querem, mas a grande maioria são pessoas adoecidas”, destacou Lourdes.
Conseguimos também contato com a psicóloga clínica e social Ana Karoline Oliveira, que destacou sobre o papel do psicólogo perante essa situação.
“É tentar da melhor forma possível fazer acompanhamento, o encaminhamento, a busca e a informação de um familiar e tentar garantir os direitos dessa pessoa, como o acesso à saúde, a segurança”, aponta a psicóloga Ana Karoline.
Essa situação de vulnerabilidade aumentou, principalmente, no período da pandemia, no qual muitas pessoas ficaram desempregadas e, por consequência, sofreram com a falta de subsistência para suprir as suas necessidades e, por isso, passaram a viver em situação de rua.

Outros fatores também que ocasionaram essa “saída” para morar nas ruas seriam os problemas de saúde mental. “Eu atendia a todas as demandas, eu fazia essa abordagem, há um olhar de pessoas que tem um grau severo”, destaca a psicóloga Ana Karoline.
Políticas Públicas sobre o acolhimento para esse público-alvo
As políticas públicas são ações realizadas pelas autoridades para beneficiar a população no modo geral, Esses benefícios têm como objetivo garantir os direitos como educação, saúde, moradia entre outros.
Em relação às pessoas em situação de rua, seria necessário haver ações para atender esses indivíduos para que eles voltem a ser reconhecidos pela sociedade como um todo. Sobre isso, a psicóloga Ana Karoline pontuou: “As políticas públicas poderiam ser mais ativas, ter um olhar mais humano e social nesta questão”.
Dados do IPEA em 2019
A nível Brasil, segundo os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a população de rua já superou 281 mil pessoas. Essas situações de pessoas estarem nas ruas são originadas por diversos motivos, dentre eles o desemprego, vícios como por exemplo bebidas, drogas, entre outros.
“Eu rompi relação com todos os meus familiares. Eu não tenho ninguém, no caso. Justamente por isso, talvez, eu me encontre nesta situação. Eu tinha um troco aí, estava me alimentando, mas agora eu venho aqui, para me alimentar e para tentar uma passagem, para voltar para o Sul”, afirmou uma pessoa em situação de rua residente em Brasília em entrevista dada ao Agência Brasil.
Por Tatiana Nascimento
Revisora: Vanessa Souza
Colaboração: Lourdes Siqueira (Psicóloga e gestora aposentada das Práticas Integrativa e Complementares) e Ana Karoline Oliveira (Psicóloga clínica e social)
Ilustração: Giulia Renata Melo