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sábado, maio 25, 2024

Polarização: Disputa entre Lula e Bolsonaro deve ficar mais acirrada no 2º turno e propagação de fake news pode influenciar no resultado, aponta cientista político

Helso Ribeiro avalia que o número de abstenções no primeiro turno será ainda maior no segundo, e que entrarão em campo fatores que podem influenciar o resultado das eleições, como a utilização de muitas fake news e uso de robôs para propagar estas notícias

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A polarização que se formou em torno dos nomes dos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano, Jair Messias Bolsonaro (PL), atual presidente, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi confirmada nas urnas nesse domingo, 2/10, quando ocorreu a votação para escolha do mandatário do país e representantes para os parlamentos brasileiros (deputados estaduais, distritais e federais, e senadores). Em primeiro turno, Lula saiu na frente e arrematou 57.259.504 milhões de votos (48,43%) e Bolsonaro ficou com 51.072.345 milhões de votos.

Porém, a disputa entre os presidenciáveis só acabará no dia 30 de outubro, quando um dos dois candidatos sairá vencedor para governar o país pelos próximos quatro anos (2023-2026), que ao que tudo indica será uma disputa voto a voto como no primeiro turno. Contudo, a polarização vai continuar nas redes sociais, nas ruas, nas urnas e deverá seguir mesmo no pós-eleições.

Para o advogado e cientista político Helso Ribeiro, a polarização vai ficar ainda mais acirrada pela disputa dos votos, onde pode ocorrer a migração na opção de candidato, quando alguém votou por ventura em Lula no primeiro turno poderá optar por Bolsonaro nesse segundo turno, o apoio dos demais candidatos que não entraram na disputa e tiveram um bom percentual também pode influenciar no resultado final, assim como as estratégias que serão traçadas tanto por Bolsonaro quanto por Lula, na busca de mais votos.

“Olha eu penso o seguinte: faltou muito pouco, 1,5% apenas para que Lula ganhasse no primeiro turno. Eu acredito que o segundo turno é uma nova eleição e é de fato. As pessoas vão lá e vão votar. Claro que pode e há de ocorrer migrações de voto. Pessoas que votaram no Lula votarão alguns no Bolsonaro, pessoas que votaram no Bolsonaro alguns votarão no Lula. Isso ocorre em todas as eleições. Nós já vimos agora o apoio do PDT, do Ciro Gomes ao Lula. O que eu ouvi é que o MDB ia seguir na mesma direção, da Simone, Tebet, não sei se isso vai ocorrer, caso isso ocorra eu penso que é um forte apoio os dois partidos, terceiro e quarto colocados, apoiando o mesmo candidato e partidos que tiveram percentuais que podem influir”, comentou Helso.

Dados das eleiçõesDe um total de mais de 156 milhões de eleitores que estavam aptos a votar, o número dos que deixaram de ir às urnas foi de 32.770.982 milhões. Já os que votaram nulo esse número foi de 3.487.874 milhões, o que corresponde a 2,82% do total de votos. Já os votos em branco somaram 1.964.779 milhão (1,59%).

Só nestes números, somam-se 38.223.635 milhões de eleitores que não concordaram ou não apoiaram as candidaturas de Lula e Bolsonaro e dos demais candidatos, o que mostra que ambos terão bastante trabalho pela frente para montar estratégias para garantir a quantidade de votos que obtiveram no primeiro turno e conquistar o eleitor que não foi às urnas ou que foi, mas optou em apertar as teclas branco ou nulo.

Além disso, tanto Lula quanto Bolsonaro ainda terão que “cair no gosto” dos eleitores dos demais candidatos, como Simone Tebet (MDB), que obteve 4.915.423 votos; Ciro Gomes (PDT), com 3.599.287 votos; Soraya Thronicke (União Brasil), com 600.955 votos; e com a soma de 782.205 mil votos dos candidatos Felipe D’Ávila (Novo), Padre Kelmon (PTB), Léo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB), Vera Lúcia (PSTU) e Eymael (DC). Somando todos estes votos dos presidenciáveis que não conseguiram chegar ao segundo turno, são 9.897.870 milhões que optaram por uma terceira via ainda no primeiro turno.

Analisando ainda os dados do primeiro turno, em que houve um grande número de abstenções, Helso Ribeiro acredita que será maior ainda neste segundo turno, uma vez que há pessoas que votaram em outros candidatos e se recusam votar em Lula e Bolsonaro, e podem optar por votar branco, nulo, justificar ou mesmo nem comparecer no dia da votação.

“Eu acredito que este quase um mês de campanha vai acirrar ainda mais a disputa, então isso vai ser apertado. Houve uma diferença de cerca de 5% de votos a mais para o Lula do que para Bolsonaro, isso eu digo que está em aberto ainda, com uma vantagem, é evidente, para o Lula. Eu penso que vai aumentar ainda a abstenção, tendo em vista que tem pessoas que se recusam a votar em um ou noutro. E, portanto, essa abstenção que foi de quase 21% penso eu que vai aumentar. É possível sim ocorrer mudanças, eu diria que não é o mais provável, mas é possível sim, vão ter fatos novos, eu tenho certeza que as fake news vão aumentar cada vez mais, robôs serão utilizados, isso aí pode ser que influa. Vamos aguardar”, finaliza Ribeiro.

 

Por Edilânea Souza

Fotos: Divulgação / Ilustração: Marcus Reis

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