O planejamento é preciso sempre, independente da área em que se escolhe para atuar, e na política não é diferente das outras. Quem almeja ser político e se candidatar a um pleito eleitoral deve, mais do que nunca, planejar esse momento. Não basta estar filiado a uma sigla partidária, confirmar o nome em uma convenção e concorrer a uma determinada vaga. É necessário, ainda, além destes processos, ter boas propostas de governo e poder de convencimento para conquistar o eleitorado.
Tais propostas também devem estar alinhadas com as ideologias que as siglas partidárias defendem e com os ideais dos próprios candidatos, que devem pensar como o eleitor quer ver o político que vai ocupar uma das cadeiras nas determinadas Casas de Poderes, sejam elas legislativas ou executivas.
Mas organizar essas propostas e apresentá-las ao eleitor não é tão fácil assim quanto parece ser. É necessário, acima de tudo, traçar estratégias, saber como elas devem ser desenvolvidas e entender até que ponto elas são atrativas para o eleitor e fazer com que ele chegue às urnas com o nome de um candidato definido, a partir de suas propostas de governo.
Conforme o jornalista e especialista em Marketing Político e Campanhas Eleitorais, Lucas Pimenta, que mora em São Paulo e atua em todo o Brasil, essa é uma tarefa bem difícil, mas que precisa ser pensada e projetada. Pimenta afirma que vender essas propostas ao eleitor, que está cada vez mais exigente, é o “x” da questão, pois o eleitorado quer colocar nos espaços de poderes pessoas que reflitam os anseios da população mais do que seus feitos políticos.
“Mais difícil que montar o plano de governo é vendê-lo ao eleitor, fazer o eleitor sonhar junto. Todas as pesquisas mostram que a preocupação do eleitor é a economia. Falar que ‘vai melhorar à economia, gerar empregos e reduzir preços’ não adianta. Todo mundo irá falar. Agora, criar uma narrativa que o eleitor sinta-se como vítima do problema, entenda a solução proposta e enxergue aquele futuro proposto como o ideal é que é difícil”, disse Pimenta.
Ainda segundo Pimenta, um bom plano de governo precisa de boas pesquisas e quanto mais informação o candidato tiver sobre as necessidades da população ou de seu público, mais ele terá eficiência na montagem das propostas de campanha.
“Um bom plano de governo vem de boas pesquisas, até porque ele é uma peça que reflete aquilo que a população quer, seus maiores anseios e não o que é mais necessário ou precisa ser feito. Quanto mais dados e informações um candidato tiver sobre o que a população ou seu público quer, melhor será seu plano de governo. Mas não só isso. Embalar essas propostas, torná-las um sonho e fazer o eleitor sonhar junto são o segredo”, afirma o especialista.
Influência – Outro alerta feito pelo especialista é o de que não é só um bom plano de governo com boas propostas que vão influenciar o eleitor para que ele vote em um determinado candidato, mas o envolvimento deste candidato com o seu público, a ponto desse eleitor se achar pertencente ao cotidiano deste postulante a uma vaga na disputa eleitoral.
“Pode influenciar sim, mas não só ele. Pessoas votam em pessoas. Uma boa pessoa – o que é diferente de uma pessoa boa – com um plano de governo ruim tem mais chances que um candidato sem graça, que não emociona, que não encanta, que não tem conexão com o eleitor, mas com um ótimo plano de governo”, alertou.
Redes sociais x propostas – O especialista em Marketing Político disse, ainda, que as redes sociais tornou a disseminação das propostas de campanha mais fáceis e mais baratas, porém de nada adianta se o candidato não chamar a atenção e fazer com que o eleitor se identifique com ele, pode até ter as melhores propostas para um mandato, mas isso não basta, é necessário saber utilizar as mídias digitais para atrair o público certo.
“As redes sociais tornam mais fácil e barato levar as propostas até às mãos do eleitor. Mas se não souber usá-las, não pensar que o eleitor está ali se entretendo, passando o tempo, se divertindo, e não para ver político chato falar “eu, eu e eu” não serve de nada. Se o candidato não chama a atenção e não gera interesse, ou seja, faça o cara parar no conteúdo dele e ficar, ele pode ter as melhores propostas, isso não vai importar. O segredo de uma eleição não é e nunca foi ser o mais competente, com as melhores propostas. Sempre foi chamar a atenção do eleitor, dominar o debate público, as rodas no bar, e gerar identificação no eleitor”, pontuou Lucas Pimenta.
Do ponto de vista legal – Passando da fase do encantamento do eleitorado pelos políticos, por meio das estratégias e conteúdos persuasivos, a um mecanismo legal que o candidato aos cargos majoritários (presidente e governador, neste caso), tem que cumprir junto à Justiça Eleitoral, que é o de registrar seu plano de governo, contendo as propostas para o pleito, no ato da oficialização da candidatura no sistema eleitoral.
Para analisar este contexto, O Convergente ouviu a advogada e especialista em Direito Eleitoral, Denise Coelho, que explicou que o plano de governo tem que está disponível também para os cidadãos.
“Desde 2010 é obrigatório, por parte dos candidatos aos cargos do executivo, apresentar programas de governo no ato de registro das suas candidaturas junto à Justiça Eleitoral. E esse período ele já iniciou a partir do momento em que esses candidatos forem escolhidos pelos partidos políticos através das suas convenções partidárias que irão finalizaram agora no dia 5, e terão até o dia 15 de agosto para realizar junto à Justiça Eleitoral o pedido de registro de candidatura. Os candidatos também devem enviar programas de governo para que se fique público a todos os cidadãos esses programas e projetos para que futuramente possam ser cobrados pela população como um todo”, comentou a especialista.
Denise também afirma que os planos de governo com as propostas são necessários a fim de evitar um desequilíbrio durante a disputa, em que um candidato pode oferecer algo para conquistar o voto do eleitor como uma moeda de troca, o que não é permitido.
“Em relação ao registro junto à Justiça Eleitoral desses programas de governo, dessas promessas feitas durante o período eleitoral. Qual é a importância? É verificar se não está sendo cometido nenhum tipo de ato ilícito em relação à captação de sufrágio [dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro e outros]. E se estiver observado alguma materialidade nesse sentido para que a Justiça Eleitoral possa identificar e assim abrir ou inquérito pelo Ministério Público Eleitoral para investigação de captação ilícita de sufrágio. O objetivo maior sempre vai ser resguardar a sociedade, resguardar o pleito eleitoral para que durante a escolha por parte dos cidadãos não se tenha nenhum tipo de desequilíbrio durante o pleito eleitoral”, pontuou.
Opinião do eleitor – Nas ruas do Centro de Manaus, alguns transeuntes responderam questionamentos do Portal O Convergente, – que está com uma série de reportagens especiais sobre as eleições, por meio do quadro “Manifesto Político – politizando opiniões”-, a respeito da importância das propostas dos candidatos ao eleitorado e se elas os influenciam na hora de votar.
Alguns dos entrevistados afirmaram que as propostas de campanha os influenciam na hora do voto e outros disseram que nem tanto, mas que elas contribuem para a formação de opinião sobre um determinado candidato, até mesmo para não votar neste postulante.
Um dos entrevistados foi o pastor evangélico Carlos Alberto, de 60 anos, que disse que as propostas de campanha dos candidatos são muito importantes para que o eleitor conheça a figura política e saiba, de fato, em quem está votando.
“Ele tem que ter o seu histórico, ter a sua programação. Ele [candidato] tem que ter uma programação para apresentar, principalmente em um debate e o povo vai estar atento a elas”, disse Alberto afirmando que as propostas influenciam sim na sua escolha na hora da votação. “A gente tem que saber, elas influenciam e muito, a gente saber para quem nós estamos votando”, pontuou.
Já a autônoma Clara Marcia Medeiros, 49 anos, disse ao O Convergente que as propostas influenciam até um certo ponto em sua decisão na hora do voto nas urnas e observa o que os políticos eleitos estão fazendo ou já fizeram para assim formar uma opinião, se vota ou não em tal candidato.
“As propostas informam até um certo ponto e conforme o trabalho deles, eu vejo muito o que um o faz e a proposta do outro, mas não costumo não votar para o mesmo não, a não ser que ele esteja fazendo coisas boas”, destacou Clara afirmando que acompanha sempre que pode as propostas dos candidatos em campanha eleitorais.
Confira o fala povo:
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Por Edilânea Souza
Criação e ilustração: Marcus Reis


