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quarta-feira, maio 22, 2024

Inflação supera meta do Baco Central e chega a 10,67% em 12 meses

De acordo com especialistas a alta de preços de bens e serviços monitorados pelo governo, como a energia elétrica e a gasolina, tem afetado diretamente a inflação, mas tem resultado também numa pressão indireta sobre outros itens, gerando uma inflação de custos.

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No acumulado de 12 meses, a inflação chega a 10,67%, bem acima da meta estabelecida pelo Banco Central para este ano, de 3,75% podendo variar entre 2,25% e 5,25%. A inflação oficial no País alcançou 1,25% em outubro, sendo o maior resultado para o mês desde 2002, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados nesta quarta-feira, 10/11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa foi a mais elevada deste ano, superando até as expectativas mais pessimistas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma alta mediana de 1,06%.

Os reajustes constantes no preço dos combustíveis, gás de cozinha e energia elétrica, foram alguns dos principais fatores para o índice registrado no último mês.

A gasolina subiu 3,10% em outubro, sexto mês seguido de aumentos que já ultrapassa 38% apenas neste ano. Os consumidores também pagaram mais pelo óleo diesel (5,77%), etanol (3,54%) e gás veicular (0,84%).

As passagens aéreas também tiveram influência nesse percentual pois tiveram um salto de 33,86% em outubro.  O gás de botijão subiu 3,67%, sendo a 17.ª alta consecutiva no produto, acumulando elevação de 44,77% desde junho de 2020.

A energia elétrica também voltou a subir, e as famílias ainda gastaram 1,17% a mais com alimentação, com destaque para o encarecimento do tomate, batata-inglesa, café moído, frango e queijo.

No mês de outubro, houve alta de preços em todos os nove grupos que integram o IPCA, sendo que sete deles tiveram aumentos maiores que no mês anterior.

De acordo com especialistas a alta de preços de bens e serviços monitorados pelo governo, como a energia elétrica e a gasolina, tem afetado diretamente a inflação, mas tem resultado também numa pressão indireta sobre outros itens, gerando uma inflação de custos.

Foi o que explicou Pedro Kislanov, gerente do IBGE. Para o pesquisador, a demanda tem se recuperado aos poucos, impulsionada pela reabertura da economia e pelo avanço da vacinação da população contra a covid-19.

No entanto, o cenário atual evidencia pressão de uma inflação de custos, turbinada por aumentos nos combustíveis, gás e energia, além da alta do dólar.

“A gasolina tem impacto no frete, acaba afetando preços de outros itens também”, exemplificou Kislanov, lembrando que o IPCA está sendo pressionado por preços administrados, mas os alimentos também contribuem para a inflação elevada.

Dentro do índice, a inflação de serviços – usada como termômetro de pressões de demanda sobre a inflação – passou de uma alta de 0,64% em setembro para 1,04% em outubro. E a de itens monitorados pelo governo saiu de 1,93% em setembro para 1,35% em outubro.

“Essa alta nos preços dos serviços tem que ser observada com certa cautela ainda, porque os serviços prestados às famílias não têm sido a principal contribuição para a recuperação do setor de serviços. A alta de preços  pode ter questões que não são relacionadas diretamente com a demanda por serviços, mas também a alta de custos”, completou o pesquisador.

O pesquisador do IBGE cita como exemplo o encarecimento das passagens aéreas (33,86%) e do transporte por aplicativo (19,85%). “(Passagem aérea) Tem inflação de custo, por conta da depreciação cambial, já que muitos contratos de aéreas são atrelados ao dólar, e da alta no custo dos combustíveis, a alta de querosene de aviação. E tem também inflação de demanda. Com a melhora da pandemia, houve aumento da demanda”, justificou Kislanov. “No transporte por aplicativo os fatores são parecidos. Tem aumento na circulação de pessoas e tem também aumento dos combustíveis. Esses custos acabam sendo repassados para o consumidor”, contou.

Percentuais   – A inflação de serviços acumulada em 12 meses saiu de 4,41% em setembro para 4,92% em outubro. A inflação de monitorados em 12 meses passou de 15,72% em setembro para 17,01% em outubro, o maior patamar desde janeiro de 2016, quando foi de 17,22%.

No mês de outubro, todas as 16 regiões que integram o IPCA tiveram altas de preços. A inflação acumulada em 12 meses já alcança dois dígitos em 12 delas: Vitória (12,22%), Goiânia (11,03%), Curitiba (13,48%), Campo Grande (11,41%), São Luís (11,58%), Porto Alegre (11,92%), Rio Branco (11,94%), Fortaleza (11,34%), Belo Horizonte (10,46%), Recife (10,29%), Salvador (10,38%) e São Paulo (10,22%).

As maiores contribuições para o IPCA acumulado em 12 meses são da gasolina (2,08 pontos porcentuais), energia elétrica (1,30 ponto), gás de botijão (0,42 ponto), etanol (0,41 ponto), automóvel novo (0,38 ponto) e automóvel usado (0,28 ponto).

De janeiro a outubro, o IPCA acumula alta de 8,24%, sob pressão, principalmente, dos aumentos na gasolina (1,88 ponto), energia elétrica (0,88 ponto) e gás de botijão (0,37 ponto).

Juros  – Para tentar conter a inflação, o Banco Central (BC) fez sucessivos aumentos na Selic, a taxa básica de juros, e já sinalizou que fará mais.

Na última reunião, em outubro, a taxa subiu de 6,25% para 7,75% ao ano — o maior patamar desde setembro de 2017, quando estava em 8,5% ao ano.

Ao subir os juros, o BC procura reduzir o consumo, forçando os preços a cair. O efeito colateral negativo é que isso segura o crescimento econômico. Por outro lado, quando a inflação está baixa, o BC corta os juros para estimular o consumo.

No ano passado, a inflação fechou em 4,52%, a maior desde 2016 (6,29%) e acima do centro da meta do governo para 2020 (4%).

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Da Redação com informações do UOL e Estadão

Foto: Divulgação

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