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quarta-feira, junho 12, 2024

Dólar passa de R$ 5,70 e Bolsa cai após debandada na equipe de Paulo Guedes

Os juros futuros também avançam, refletindo a percepção de que o Banco Central terá que ser mais agressivo com a política monetária - na semana que vem o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir a nova taxa Selic, hoje em 6,25% ao ano

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O dólar começou esta sexta-feira, 22/10, em alta, na contramão da queda predominante no exterior, após a saída de Bruno Funchal (secretário especial do Tesouro e Orçamento) e de Jeferson Bittencourt (secretário do Tesouro) da equipe econômica por discordarem do drible no teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil de R$ 400, avalizado pelo ministro Paulo Guedes.

Às 11h42, a moeda americana tinha alta de 0,91%, cotada a R$ 5,7190, depois de ter atingido a máxima de R$ 5,7290. A Bolsa de valores recuava 3,13%, para os 104.360,56 pontos – apenas cinco ações tinham alta no Ibovespa. O CDS de 5 anos do Brasil, termômetro do risco país, subiu para o maior nível em um ano.

Os juros futuros também avançam, refletindo a percepção de que o Banco Central terá que ser mais agressivo com a política monetária – na semana que vem o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir a nova taxa Selic, hoje em 6,25% ao ano.

Antes mesmo do anúncio dessa nova ruptura na equipe de Guedes, a curva de juro já apontava na quinta-feira, 21, para a possibilidade de alta de 1,50 ponto porcentual na taxa básica de juros, para 7,75% ao ano na semana que vem e de 1,25 ponto em dezembro. De 51 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, 15 (29%) preveem um aumento de 1,25 ponto ou mais da Selic em outubro. A aposta em alta de 1 ponto dos juros em outubro, a 7,25%, ainda continuava majoritária, com 36 instituições.

Para Luís Felipe Laudisio dos Santos, da Renascença DTVM, o que o mercado mais temia, aconteceu e com uma velocidade muito mais intensa. “Paulo Guedes na corda bamba, mesmo com o presidente Bolsonaro reiterando apoio ao ministro, é mais um foco de tensão. O cenário externo mais positivo, não deve evitar mais um forte movimento no real”, avalia Santos em relatório nesta manhã.

Debandada no ministério –O desmanche de parte da equipe de Guedes aconteceu depois de manobra para revisão do teto de gastos, principal âncora da política fiscal brasileira. Funchal já estava decidido a deixar o governo após reunião na segunda-feira com o presidente Jair Bolsonaro, quando ficou clara a ruptura da política fiscal com a finalidade eleitoral.

A saída se concretizou depois do anúncio, feito por Bolsonaro, de um auxílio para os caminhoneiros e do atropelo das lideranças do Centrão no acordo final para mudar a emenda do teto de gastos. A mudança abriu espaço para R$ 83,6 bilhões em despesas que incluem o Auxílio Brasil de R$ 400, emendas parlamentares e outras medidas do programa eleitoral do presidente e do Centrão.

Na noite anterior, durante uma live, o ministro Paulo Guedes já havia falado em uma “licença para gastar” ou na própria revisão do teto.

O secretário do Tesouro, Jeferson Bittencourt, e mais dois secretários-adjuntos, Gildenora Dantas e Rafael Araújo, acompanharam Funchal nesse terceiro movimento de debandada desde que Guedes montou o que foi chamado, no início do governo, de “dream team” do seu superministério da Economia. “Foi uma questão de princípio”, disse Funchal à equipe.

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Com informações do Estadão

Foto: Divulgação

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