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sexta-feira, fevereiro 23, 2024

Boa Vista do Ramos superfatura licitação e contrata confecção de 260 jalecos por R$ 445 cada um

O valor de mercado do jaleco com as mesmas especificações constantes na licitação custa, em média, R$ 150. Boa Vista do Ramos pretende gastar R$ 295 a mais por cada unidade, totalizando R$ 115,7 mil

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A Prefeitura de Boa Vista do Ramos (distante 553 quilômetros de Manaus) firmou um contrato de mais de R$ 352 mil com duas empresas para a “prestação de serviços na confecção de rouparia técnica hospitalar visando atender as necessidades da Secretaria Municipal de Saúde e demais Unidades de Saúde”. Pelo contrato, a unidade do jaleco sairá por R$ 445, sendo que o valor unitário do produto com as mesmas especificações custa no mercado cerca de R$ 150. A diferença é de R$ 295.

Somente pela compra prevista de 260 jalecos ao valor de R$ 445, o prefeito de Boa Vista do Ramos Eraldo Trindade (PSC) pretende gastar R$ 115,7 mil. Conforme as especificações do jaleco eles devem ser unissex de manga longa, de altura até o joelho e abertura frontal. De acordo com um morador do município que preferiu não se identificar, Boa Vista do Ramos possui estrutura para confeccionar os uniformes hospitalares na própria cidade.

“Se for para produzir essas roupas hospitalares eu queria entender o motivo do prefeito não ter mandado fazer aqui na cidade mesmo. Temos várias costureiras que poderiam ser beneficiadas com um contrato desse, além de sair mais barato. Pagar R$ 445 por um jaleco é um absurdo, todo mundo sabe que não é esse valor”, reclamou o morador.

Consultada pelo Portal O Convergente, a costureira Apolônia Freitas explicou que a cotação para a produção de jaleco com as especificações apresentada pela prefeitura custa em torno de R$ 150, cada uniforme. Segundo ela, esse valor pode até diminuir de acordo com a quantidade demandada. Com um pedido em grande quantidade, o material para a produção pode ser comprado por preços mais baixos.

Empresas – Conforme publicação no Diário Eletrônico dos Municípios, as empresas vencedoras da licitação Nº 026/2021 foram a Fabrício Barbosa Pereira, CNPJ: 24.940.543/0001-57 e a SG Comércio de Produtos Alimentícios Eireli, CNPJ 27.610.802/001-70.

Confira os documentos:

A Fabrício Barbosa Pereira, localizada no Centro de Manaus, receberá dos cofres públicos do município R$ 311.366 mil. Contudo, os preços dos itens listado no extrato Nº 036/2021 desperta atenção por apresentar números discordantes com os valores praticados no mercado.

Outro ponto que chama atenção e levanta suspeitas quanto a idoneidade da empresa é que no endereço indicado na licitação, Rua Major Gabriel, Centro, funciona um comércio de estivas, conforme moradores das proximidades.

Confira imagens:

A outra empresa beneficiada com a licitação está sediada no bairro Adrianópolis e receberá do município cerca de R$ 42 mil para o fornecimento de aventais, campo fenestrado, capotes e saco de Hamper, de acordo com o extrato de preços Nº 037/2021.

Confira o documento:

Superfaturamento – Boa Vista do Ramos é um dos menores municípios do Amazonas, de acordo com dados do Instituto de Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo assim a gestão do prefeito Eraldo Trindade tem, constantemente, apresentado gastos excessivos em licitações. Uma delas diz respeito a locação de 600 impressoras e aquisição de outros serviços de impressão por quase R$ 2 milhões, valores bem mais altos do que os praticados no mercado.

Sobre o assunto, O Convergente entrou em contato com a Prefeitura de Boa Vista do Ramos para questionamentos, mas não obteve retorno até o fechamento dessa matéria.
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Por Juliana Freire
Fotos: Divulgação / Ilustração: Marcus Reis

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