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segunda-feira, julho 22, 2024

Brasil assume presidência do Mercosul e Bolsonaro volta a defender flexibilização de regras do bloco

Bolsonaro defendeu, como tem feito nos últimos meses, a diminuição da tarifa externa comum no bloco e a possibilidade de que membros do Mercosul negociem acordos individuais

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O Brasil assumiu nesta quinta-feira, 8/7, a presidência pro-tempore (sazonal) do Mercosul, bloco que reúne, além do Brasil, o Uruguai, a Argentina e o Paraguai. Uma cúpula dos chefes de Estados das quatro nações marcou a transferência da presidência da Argentina para o Brasil, que presidirá o bloco pelos próximos seis meses.

O presidente Jair Bolsonaro discursou durante a cerimônia da 58ª Cúpula do Mercosul. Ele criticou a gestão argentina, comandada pelo presidente Alberto Fernández. Bolsonaro afirmou que os últimos seis meses não corresponderam às necessidades e expectativas do bloco. Ele defendeu, como tem feito nos últimos meses, a diminuição da tarifa externa comum no bloco e a possibilidade de que membros do Mercosul negociem acordos individuais.

“O semestre que encerramos deixou de corresponder às expectativas e necessidade de modernização do Mercosul. Deveríamos ter apresentado resultados concretos nos dois temas que mais mobilizam nossos esforços recentes: a revisão da tarifa externa comum e a flexibilidade para negociação comerciais com parceiros externos”, criticou Bolsonaro.

Em abril, o Uruguai propôs mudar as regras do bloco. O país defendeu que os membros do bloco possam negociar, sozinhos, com países que não são do Mercosul. O Uruguai assegurou contar com o apoio do Brasil, enquanto o Paraguai coincidiu com a posição da Argentina.

Nesta quinta, Alberto Fernández disse que a posição da Argentina é manter as negociações em bloco, em contraposição ao que prega o Brasil. “Nossa posição é clara, cremos que o caminho é o cumprir o tratado de Assunção. Negociar juntos com terceiros países ou blocos e respeitar a figura do consenso, com base na tomada de decisões em nosso processo de integração”, disse Fernández.

No fim de junho, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a regra do consenso tem deixado uma porta aberta para que a Argentina barre acordos comerciais bilaterais que o Brasil vem buscando com outros países.

Em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira, 7/7, Brasil e Argentina já não haviam conseguido chegar a um consenso sobre a redução das tarifas de importação do Mercosul. Com isso, o Uruguai anunciou que vai negociar por conta própria acordos bilaterais com outros países.

A proposta brasileira defende uma redução de 10% das alíquotas da Tarifa Externa Comum (TEC). Já os argentinos fizeram uma contraproposta pedindo a exclusão de um quarto dos produtos que faz parte da TEC.

Bolsonaro disse que quer utilizar sua presidência para que o Mercosul promova a liberdade e prosperidade dos povos locais. “O Brasil tem pressa, temos sede por resultados. Precisamos lançar novas negociações, resolver as pendentes, diminuir tarifas. Queremos uma economia mais arejada e integrada ao mundo”, diz.

“A persistência de impasses e o uso da regra do consenso como instrumento de veto e o apego a visões arcaicas com viés defensivo só servirão para criar ceticismo e dúvidas sobre o potencial do bloco. O Brasil não vai parar nos esforços de modernizar sua economia e queremos que os nossos sócios de integração sejam parceiros nessa caminhada.”

O presidente do Brasil afirmou ainda que, com o avanço da vacinação em massa da população, espera poder receber os outros líderes do continente presencialmente na próxima Cúpula, que ocorre no final do ano.

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Com informações Agência Brasil

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

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