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segunda-feira, julho 22, 2024

Mayra Pinheiro defende cloroquina, exime Bolsonaro e culpa AM por caos na saúde

Mayra, assim como Pazuello, também passou por um intenso treinamento no Palácio do Planalto. Diferente do ex-chefe, a auxiliar do Ministério Saúde teria, segundo fontes, “dado menos trabalho” a integrantes dos Ministérios da Casa Civil e da Secretaria-Geral da Presidência, já que estaria com “o discurso afinado”

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A secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro afirmou à CPI da Covid que, na qualidade de médica, mantém a orientação do uso de cloroquina e “de todos os recursos possíveis para salvar vidas”. A adoção do medicamento contra a Covid-19 foi um dos principais temas abordados pelos senadores no depoimento desta terça-feira, 25/5, na comissão parlamentar de inquérito (CPI) do Senado.

A servidora, que é titular da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde da pasta, disse ainda que nunca recebeu ordem para defender o remédio e que o ministério nunca recomendou o uso da substância, mas apenas orientou a comunidade médica para a dosagem segura, uma vez que a cloroquina e a hidroxicloroquina já vinham sendo usadas no mundo inteiro.

O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomenda mais o uso dos remédios, e a testemunha respondeu que, embora o Brasil seja signatário da entidade, os ministérios da Saúde de todos os países do mundo são órgãos independentes e têm autonomia para a tomada de decisão de acordo com as situações locais.

“A OMS retirou a orientação desses medicamentos para tratamento da Covid-19 baseada em estudos que foram feitos com qualidade metodológica questionável, usando medicações na fase tardia da doença, em que todos nós já sabemos que não há benefício para os pacientes”, afirmou o senador.

Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, afirmou que cloroquina não é antiviral em “estudo sério” nenhum do mundo. Trata-se de um antiparasitário, frisou. Ao se referir ao presidente Jair Bolsonaro, ele disse que a insistência em permanecer no erro não é virtude, mas defeito de personalidade.

“Minha discordância aqui nunca foi política, mas científica, não tem nenhum antiviral que possa controlar a doença. Não podemos levantar a bandeira. Isso não é sério, não é honesto, não é direito. É uma medicação velha, usada numa doença nova que não se conhece”, disse Otto.

A secretária respondeu dizendo que há estudos demonstrando efeitos antivirais da cloroquina e reiterou que nunca disse que o medicamento seja capaz de curar a Covid-19, mas, sim, diminuir as internações e evitar o colapso do sistema de saúde.

Tratamento precoce – O senador Marcos Rogério (DEM-RO) disse que tem havido um debate muito grande na comissão sobre a cloroquina e “tratamento precoce” — mas só em relação ao Governo Federal —, sendo que a execução das políticas públicas são feitas pelos estados e municípios nas suas respectivas unidades de saúde.

O governista fez um levantamento mostrando que há estados seguindo atualmente o protocolo de “tratamento precoce” com adoção de cloroquina. É o caso, segundo ele, de Alagoas, Bahia, São Paulo, Amapá.

“O que mata mais é o atendimento precoce, com os medicamentos disponíveis receitado pelos médicos, ou é a negação do atendimento? O doente deve procurar ajuda só quando não tiver mais jeito?”, indagou o parlamentar, que apresentou estudos demonstrando a importância do tratamento na fase inicial da doença.

Imunidade de rebanho – Pressionada pelo relator sobre a teoria da imunidade de rebanho, a secretária do Ministério da Saúde esclareceu à CPI que a tese não pode ser usada indistintamente na população por não ser possível prever o tempo e a intensidade de exposição necessárias até que seja atingido algum benefício.

Segundo ela, a tese de imunidade de rebanho nunca foi cogitada pelo Ministério da Saúde como estratégia de combate à pandemia; além disso, o assunto nunca foi discutido com ela pelo presidente da República.

Desestruturação – Mayra salientou a desestruturação de unidades públicas de atendimento médico de Manaus, de responsabilidade das autoridades locais. As mortes por asfixia na capital amazonense chocaram o Brasil e o mundo no início do ano.

“Eu pessoalmente não estive nas Unidades Básicas de Saúde (de Manaus). A prospecção foi feita através de um relatório por um grupo de médicos e técnicos do Ministério da Saúde. O secretário da Atenção Primária à Saúde permaneceu por quase 30 dias em Manaus, visitando todas as unidades de saúde. O cenário que eu posso dizer hoje ao senhor – isso estava presente no relatório – era de caos. Nós encontramos unidades fechadas, literalmente, com cadeado e corrente”, afirmou.

O governo Bolsonaro foi duramente criticado por não ter ajudado o Amazonas quando soube que o Estado passava por fase crítica. Em seu depoimento, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello chegou a mentir sobre a data em que tomou conhecimento da situação. “Encontramos unidades que não estavam atendendo, que não tinham médicos, que não tinham medicamentos nas suas farmácias básicas. Nós não encontramos triagem organizada para Covid, que é uma recomendação do Ministério da Saúde”, afirmou Mayra.

Genocídio – A reunião desta terça-feira já começou com um bate-boca entre governistas e o relator Renan Calheiros, que abriu seus questionamentos com um texto sobre o Tribunal de Nuremberg, que julgou nazistas após a Segunda Guerra Mundial. Ao falar da lealdade de Hermann Goring a Adolf Hitler e do genocídio dos judeus, Renan foi imediatamente interrompido pelo líder do governo, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

“É um absurdo querer comparar a situação que nós estamos enfrentando aqui com o genocídio que ocorreu na Alemanha. É um absurdo. Isso é mais que um prejulgamento! É uma coisa odienta! Odienta!”, protestou.

Horas depois, o senador Marcos Rogério leu nota da Confederação Israelita do Brasil (Conib) repudiando a menção ao nazismo feita por Renan. O relator, então, alegou que não comparou a pandemia ao Holocausto, e sim, “à atitude de negação” de autoridades.

Preparada pelo Planalto – Aliados do governo no Congresso estão satisfeitos com o desempenho de Mayra Pinheiro na CPI. O desempenho recebeu elogios pelo “bom preparo e defesa do que acredita”. Assim como o ex-ministro Pazuello, Mayra também passou por um intenso treinamento no Palácio do Planalto. Diferente do ex-chefe, a auxiliar do Ministério Saúde teria, segundo fontes, “dado menos trabalho” a integrantes dos Ministérios da Casa Civil e da Secretaria-Geral da Presidência, já que estaria com “o discurso afinado”.

A blindagem do Poder Executivo em relação à crise de oxigênio em Manaus também agradou governistas tanto no Palácio do Planalto quanto no Congresso Nacional. O senador Jorginho Mello (PL-SC), da tropa de choque governista, foi só elogios à Mayra.

“Excepcional, preparada, competente, segura, serena. Ela fez o depoimento dela, na minha avaliação, bom, seguro, tranquilo, humilde”, disse Mello a jornalistas.

Confira galeria:

 

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Fonte: Agência Senado

Fotos: Marcos Oliveira, Leopoldo Silva, Edilson Rodrigues, Jefferson Rudy /Agência Senado

 

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