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terça-feira, junho 18, 2024

STF nega habeas corpus para ‘Capitã Cloroquina’, que depõe nesta quinta-feira na CPI da Covid-19

A secretária havia requisitado o habeas corpus para ser autorizada a não responder a perguntas dos senadores, de modo a não produzir eventuais provas contra si

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O Supremo Tribunal Federal (STF) negou habeas corpus preventivo para a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, que prestará depoimento nesta quinta-feira, 20/5, à CPI da Pandemia. A decisão foi do ministro Ricardo Lewandowski.

A secretária, que ganhou o apelido de “Capitã Cloroquina”, havia requisitado o habeas corpus para ser autorizada a não responder a perguntas dos senadores, de modo a não produzir eventuais provas contra si. Mayra Pinheiro é apontada como promotora do “tratamento precoce” — uso de medicamentos sem eficácia comprovada — contra a Covid-19 no âmbito do Ministério da Saúde. Ao contrário do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que obteve um habeas corpus do Supremo, a secretária não responde a nenhum inquérito.

Membro suplente da CPI, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) registrou a decisão. “Que venha a oitiva na CPI”, escreveu ele em rede social.

Capitã cloroquina – No dia 21 de março, Pinheiro, que é médica pediatra, dividiu com seus contatos no Facebook um pouco do que se passava com ela durante os dias em que seu corpo sentia os efeitos da Covid-19. Além de pensamento positivo e atendimento médico por via remota, seus parceiros de convalescença foram ivermectina, hidroxicloroquina, bromexina, azitromicina, zinco, vitamina D e proxalutamida, todos ali, “na cabeceira da cama”, como ela mesma postou.

O porquê de tantos remédios, ela também explicou no texto: “Porque quando a sensação de morte surge de forma inesperada, você usa todos os recursos que podem trazer benefício. E foi viver que escolhi”. Foi com esse discurso em defesa de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19 que Mayra Pinheiro recebeu o apelido que a acompanha.

Com essa retórica, Mayra ganhou projeção no Ministério da Saúde sob Eduardo Pazuello, embora tenha chegado à pasta ainda nos primeiros dias da gestão de Luiz Henrique Mandetta. E foi também a defesa diligente do chamado “tratamento precoce” que levou a CPI a apresentar quatro requerimentos para que a secretária prestasse depoimento.

Sindicalista contra o Mais Médicos – Antes de se tornar a “Capitã Cloroquina”, Mayra era mais conhecida por ter sido presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará e por sua crítica ao programa Mais Médicos, que, entre outras iniciativas, incentivava a vinda ao Brasil de médicos formados em outros países, principalmente Cuba, para trabalhar na rede pública, e que acabou ficando sob seu comando quando ela chegou ao Ministério da Saúde.

Dias antes da posse em 2019, em entrevista ao jornal “El País Brasil”, a secretária defendeu a sua posição crítica à política adotada com médicos cubanos. “A gente não pôde comprovar a certificação de que essas pessoas haviam cursado medicina nem que tinham o domínio da língua”, justificou. Ela também criticou a política de expansão de cursos para a formação de médicos. “[O Mais Médicos] Também trouxe a abertura indiscriminada de escolas de medicina no Brasil, que não precisamos e que são de péssima qualidade.”

Em 2018, filiada ao PSDB e formada pelo movimento de renovação política RenovaBR, concorreu a uma das duas vagas do Ceará em disputa para o Senado Federal. Recebeu 11,37% dos votos válidos, um total de 882.019, e ficou em quarto lugar. Cid Gomes (PDT) e Eduardo Girão (então no Pros, hoje no Podemos) foram eleitos.

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Fonte: Agência Senado

Foto: Divulgação

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