A pré-candidata ao Governo do Pará pelo PSOL, Araceli Lemos, cobrou esclarecimentos do ex-governador Helder Barbalho (MDB) sobre o uso de uma aeronave pertencente a uma empresa que mantém contrato com o Governo do Pará durante uma agenda política realizada em Canaã dos Carajás. A cobrança foi feita após reportagem publicada pelo portal UOL, na última sexta-feira (26), apontar que o deslocamento ocorreu em um avião arrendado de uma empresa.
Segundo a publicação, a empresa possui contrato de aproximadamente R$ 40 milhões com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para a prestação de serviços de limpeza em escolas da rede estadual. A aeronave teria sido utilizada por Helder Barbalho em compromissos relacionados à pré-campanha eleitoral.
Em manifestação pública, Araceli afirmou que é necessário esclarecer quem custeou o voo e se a utilização da aeronave observou as normas da legislação eleitoral e administrativa.
“A população tem o direito de saber quem custeou esse deslocamento e se todas as regras eleitorais e administrativas foram respeitadas”, declarou.
A pré-candidata também defendeu que agentes públicos e ex-gestores devem prestar esclarecimentos quando empresas contratadas pelo poder público aparecem vinculadas a atividades de natureza política.
“Quando recursos, serviços ou estruturas ligadas a empresas contratadas pelo poder público aparecem em atividades eleitorais, é dever dos envolvidos prestar todos os esclarecimentos à sociedade”, acrescentou.
O episódio ocorre em meio aos preparativos para as eleições de 2026 e reacende o debate sobre a utilização de bens e serviços ligados a empresas contratadas pela administração pública em agendas de caráter político.
A reportagem do UOL também relembra outro episódio envolvendo Helder Barbalho. Em agosto de 2024, o então governador precisou realizar um pouso de emergência no município de Tucuruí durante um voo em uma aeronave registrada em nome da empresária Andréa Costa Dantas, proprietária da JA Construções e esposa do deputado federal Antônio Doido (MDB). O parlamentar é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de integrar uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.
A legislação eleitoral proíbe o uso de bens, serviços ou estruturas públicas em benefício de candidatos, partidos ou coligações, podendo a conduta, quando comprovada, caracterizar abuso de poder político ou econômico e ensejar sanções previstas na legislação.
Até o momento, Helder Barbalho não havia se manifestado publicamente sobre as informações divulgadas pela reportagem nem sobre as declarações da pré-candidata do PSOL.


