O dia 18 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, data que reacende um alerta urgente no país: a violência sexual contra crianças e adolescentes ainda é uma ferida social escondida, muitas vezes protegida pelo medo, pela vergonha e pelo silêncio.
A data foi instituída pela Lei Federal nº 9.970/2000 e se tornou referência nacional para campanhas de conscientização, prevenção e denúncia. Em 2026, o Brasil chega ao 26º ano de mobilização do 18 de Maio, com ações em escolas, órgãos públicos, conselhos tutelares, entidades sociais e redes de proteção.
Mais do que uma campanha simbólica, o Maio Laranja é um chamado à responsabilidade coletiva. A violência sexual contra crianças e adolescentes não é um problema distante. Ela pode acontecer dentro de casa, na vizinhança, no ambiente escolar, nas redes sociais ou em espaços onde a criança deveria estar protegida.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania promove, entre os dias 18 e 21 de maio de 2026, o 3º Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, em Brasília. O evento reúne autoridades, especialistas, gestores públicos, sociedade civil e jovens para debater prevenção, proteção, atendimento e enfrentamento às violências sexuais, incluindo crimes praticados no ambiente online.
Em Manaus, a campanha também ganhou força nas escolas municipais. A Prefeitura abriu a 26ª edição da campanha “Faça Bonito”, com ações educativas voltadas à prevenção, proteção e orientação da comunidade escolar. Segundo a Semed, as atividades incluem rodas de conversa, ações lúdicas e mobilização de estudantes para reforçar a importância da denúncia e da escuta.
O principal desafio é romper a cultura do silêncio. Crianças e adolescentes nem sempre conseguem verbalizar a violência. Muitas vítimas demonstram sofrimento por meio de mudanças de comportamento: medo repentino de determinadas pessoas, isolamento, tristeza, agressividade, queda no rendimento escolar, alterações no sono, recusa em frequentar lugares específicos ou comportamento sexualizado incompatível com a idade.
Por isso, adultos precisam estar atentos. A proteção da infância não pode ser tratada como responsabilidade exclusiva da família. Escola, vizinhos, profissionais da saúde, assistência social, lideranças religiosas, imprensa, conselhos tutelares e poder público fazem parte da rede que pode impedir que uma violência continue acontecendo.
A campanha “Faça Bonito – Proteja nossas crianças e adolescentes”, oficializada pelo Conanda como símbolo nacional de mobilização, reforça a necessidade de prevenção, identificação e enfrentamento ao abuso e à exploração sexual em todo o país.
Como denunciar
As denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, canal nacional gratuito de violações de direitos humanos. O atendimento funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e as denúncias podem ser anônimas. Também é possível denunciar pelo WhatsApp (61) 99611-0100, Telegram e site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.
Em situação de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo 190 ou procurar o Conselho Tutelar mais próximo.
Neste 18 de maio, o alerta é direto: quando uma criança dá sinais de medo, o adulto precisa enxergar. Quando há suspeita, é preciso denunciar. O silêncio nunca pode ser maior que a proteção.
Sinais de alerta que adultos não devem ignorar
- Mudança brusca de comportamento;
- medo de ficar perto de alguém;
- tristeza ou isolamento;
- queda no rendimento escolar;
- agressividade repentina;
- alterações no sono ou alimentação;
- comportamento sexualizado incompatível com a idade;
- recusa em voltar para casa ou ir a determinados lugares.
Onde denunciar
Disque 100: gratuito, anônimo e 24h
WhatsApp: (61) 99611-0100
Emergência: 190
Rede local: Conselho Tutelar, delegacias e serviços de assistência social.


