Especialistas em computação forense, peritos e policiais ouvidos pela CNN Brasil apontaram inconsistências na explicação apresentada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, sobre mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os prints das conversas teriam sido localizados no aparelho do empresário no mesmo dia em que ele foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025. Na sexta-feira (6), o ministro divulgou uma nota negando que tenha trocado mensagens com Vorcaro.
Segundo Moraes, os registros identificados nos prints estavam associados a “pastas de outras pessoas” na lista de contatos do banqueiro, o que indicaria que as mensagens não teriam sido enviadas a ele.
Na manifestação, o ministro argumentou que o contato e a mensagem aparecem vinculados à mesma pasta no computador utilizado para armazenar os arquivos extraídos do celular de Vorcaro.
Especialistas, porém, afirmam que esse tipo de organização de arquivos não permite determinar automaticamente quem foi o destinatário de uma mensagem.
De acordo com peritos ouvidos pela reportagem, quando dados de um celular apreendido são extraídos para análise, os arquivos passam por um processo técnico de reorganização feito por softwares especializados. Esse procedimento segue regras destinadas a preservar a integridade das evidências digitais, dentro do chamado processo de cadeia de custódia.
A Polícia Federal utiliza, por exemplo, ferramentas de perícia digital como o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais) para analisar conteúdos extraídos de celulares e computadores.
Durante esse processo, o sistema cria uma “assinatura digital” para cada arquivo, conhecida como hash — uma sequência única de números e letras gerada por um algoritmo matemático. Esse código funciona como uma espécie de impressão digital do arquivo e permite verificar se o conteúdo foi alterado após a coleta.
Para organizar o grande volume de dados obtidos nas extrações, o software utiliza os primeiros caracteres desse código para criar subpastas automáticas onde os arquivos são armazenados.
Por esse motivo, segundo especialistas em computação forense, a localização de um arquivo em determinada pasta não indica necessariamente a identidade do interlocutor da conversa, já que a estrutura de armazenamento segue critérios técnicos e não a lista de contatos original do aparelho.
*Com informações da CNN
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