Deputados criticam Sinetram e cobram explicações sobre suspensão do passe livre durante audiência na Aleam

Parlamentares questionaram a interrupção do benefício, cobraram transparência nos repasses financeiros e defenderam os estudantes prejudicados pelo impasse no transporte coletivo de Manaus

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A suspensão do passe livre estudantil em Manaus provocou críticas de deputados estaduais durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (5), na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Os parlamentares cobraram explicações do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram), questionaram a interrupção das recargas gratuitas e defenderam uma solução para evitar novos prejuízos aos estudantes da capital amazonense.

A audiência ocorreu em meio à mobilização de alunos de escolas e universidades, que ocuparam a sede do Legislativo estadual para exigir a retomada do benefício. Parte dos manifestantes passou a noite de quarta-feira (4) na Assembleia, na tentativa de pressionar as autoridades por uma resposta ao impasse.

Durante os pronunciamentos, os deputados Sinésio Campos (PT), Joana Darc (União Brasil), Brena Dianná (União Brasil), Felipe Souza e Rozenha (PSD) fizeram críticas à suspensão do serviço. Entre os principais pontos levantados estavam a ausência de representantes do Sinetram na audiência até o momento das cobranças, as divergências sobre os repasses financeiros e os impactos da medida na rotina escolar.

Sinésio Campos compara suspensão do benefício a uma greve

O deputado estadual Sinésio Campos (PT) criticou a interrupção do passe livre estudantil e comparou a medida adotada pelo Sinetram a uma paralisação semelhante às greves realizadas por trabalhadores do transporte coletivo.

Durante o pronunciamento, o parlamentar questionou o tratamento dado às paralisações dos motoristas, frequentemente contestadas pelas empresas na Justiça, enquanto a suspensão das recargas estudantis também compromete o acesso a um serviço essencial.

Para Sinésio, o impasse ultrapassa a discussão judicial e envolve o interesse público, principalmente diante dos prejuízos enfrentados por estudantes e profissionais da educação no encerramento do ano letivo.

O deputado também cobrou a presença de representantes do Sinetram, que, segundo ele, eram esperados às 10h, mas ainda não haviam comparecido até as 11h10.

Joana Darc acusa Sinetram de promover “greve fria”

A deputada estadual Joana Darc (União Brasil) também criticou a suspensão do benefício e classificou a medida como uma “greve fria”. Segundo a parlamentar, a interrupção ocorreu de forma unilateral e prejudicou estudantes que dependem do transporte coletivo para frequentar as aulas.

Durante a audiência, Joana afirmou que os deputados tentaram entrar em contato com o Sinetram para solicitar a presença de representantes do sindicato, mas não haviam recebido resposta até o momento de sua manifestação.

A parlamentar ressaltou que a suspensão ocorre em um período importante para os alunos, especialmente aqueles que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), vestibulares e processos seletivos de universidades.

“Não pode simplesmente cortar um direito”, declarou Joana Darc, ao defender a continuidade do benefício e cobrar respeito aos estudantes.

Brena Dianná defende mobilização estudantil

A deputada estadual Brena Dianná (União Brasil) manifestou apoio aos estudantes que participaram da mobilização na Aleam e destacou a importância dos movimentos sociais na conquista e preservação de direitos.

Durante o pronunciamento, a parlamentar ressaltou que a participação dos alunos no debate é legítima e que a Assembleia Legislativa deve permanecer aberta às reivindicações da população.

Brena também mencionou a decisão judicial que determinou o restabelecimento das recargas do passe livre estudantil e destacou a mobilização dos estudantes em defesa do benefício.

“Esta é a casa de vocês”, afirmou a deputada, ao reforçar que o Legislativo estadual deve ser um espaço de diálogo entre a sociedade e os representantes políticos.

Felipe Souza afirma que Estado está em dia com repasses de 2026

O deputado estadual Felipe Souza afirmou que o Governo do Amazonas realizou pagamentos mensais de R$ 3 milhões ao Sinetram ao longo de 2026. Segundo o parlamentar, os repasses referentes ao ano estão em dia, embora existam pendências relacionadas a 2025.

Durante a audiência, Felipe declarou possuir comprovantes dos pagamentos efetuados e cobrou que representantes do sindicato comparecessem à Assembleia para apresentar as planilhas financeiras que fundamentam os valores reivindicados.

O deputado também questionou as alterações nos montantes cobrados pelo Sinetram e defendeu maior transparência sobre os custos do sistema de transporte coletivo.

Felipe ressaltou ainda que a Justiça determinou o restabelecimento do passe livre e afirmou que eventuais divergências financeiras devem ser discutidas entre o sindicato e o Governo do Estado, sem comprometer o deslocamento dos estudantes.

Rozenha questiona planilhas financeiras e acusa Sinetram de manipulação

O deputado estadual Rozenha fez críticas à gestão financeira do Sinetram e acusou o sindicato de manipular planilhas de custos do transporte coletivo de Manaus.

Segundo o parlamentar, durante seu mandato como vereador da capital, teve acesso a documentos financeiros do setor e identificou informações que considerou inconsistentes, incluindo registros de prejuízos recorrentes e despesas que, em sua avaliação, não deveriam constar nas planilhas.

Rozenha questionou por que as empresas permanecem operando no sistema de transporte coletivo apesar dos prejuízos apresentados nos documentos.

“Se só tem prejuízo, por que se mantém a operação?”, questionou.

As declarações representam acusações feitas pelo deputado durante a audiência e não constituem, por si só, comprovação de irregularidades nas contas do sindicato.

O parlamentar também classificou como irresponsável a suspensão unilateral do passe livre e afirmou que eventuais pendências financeiras não justificam prejudicar o acesso dos estudantes à educação. Segundo ele, a interrupção do benefício pode resultar em pedidos de reparação pelos danos causados.

Justiça determina retomada do passe livre estudantil em Manaus

As críticas dos parlamentares ocorrem após a Justiça do Amazonas determinar, na quarta-feira (4), que o Sinetram restabeleça o sistema de recargas gratuitas do passe livre estudantil em toda a rede de transporte coletivo de Manaus.

A decisão foi proferida pela 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus, após pedido de tutela de urgência apresentado pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).

Conforme a determinação, o sindicato tem prazo de 24 horas, contado a partir da intimação, para restabelecer o benefício. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 50 mil, limitada inicialmente a R$ 1 milhão.

A medida foi solicitada após mais de 150 estudantes relatarem à Defensoria Pública prejuízos decorrentes da suspensão das recargas gratuitas.

Impasse financeiro envolve dívida milionária

A suspensão do passe livre está relacionada a divergências sobre os valores dos subsídios destinados ao transporte dos estudantes da rede estadual.

O Sinetram afirma que o Governo do Amazonas acumula uma dívida de R$ 279,4 milhões referente ao benefício. O Executivo estadual, por sua vez, contesta os valores cobrados e sustenta que os pagamentos referentes a 2026 estão em dia.

Segundo o Governo, o último repasse, relativo a outubro, foi realizado no dia 23 daquele mês, no valor de R$ 3 milhões. Já as cobranças referentes a períodos anteriores são alvo de divergências e discussões judiciais.

Apesar da determinação judicial para restabelecer o passe livre, a efetiva normalização das recargas ainda precisa ser confirmada.

A audiência na Aleam ampliou a pressão política por uma solução para o impasse, com cobranças de transparência nos repasses e de garantia do transporte gratuito para os estudantes.

As acusações feitas pelos parlamentares sobre a gestão financeira do Sinetram também demandam esclarecimentos do sindicato.

Liderança estudantil cobra retomada do passe livre e destaca prejuízos aos alunos

Durante a audiência pública, o vice-presidente da União dos Estudantes Secundaristas do Amazonas (UESA), Gabriel Tavares, criticou a suspensão do passe livre estudantil e destacou as dificuldades enfrentadas por alunos que dependem do transporte coletivo para frequentar as aulas em Manaus.

Segundo Gabriel, estudantes que moram em áreas afastadas da capital chegam a utilizar até cinco ônibus para chegar às escolas, enfrentando longos deslocamentos diariamente. O representante estudantil também alertou para os impactos da suspensão do benefício às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), período em que muitos alunos intensificam a preparação para as provas.

Durante o pronunciamento, Gabriel afirmou que o movimento estudantil está disposto a intensificar as mobilizações e realizar novas ocupações na Aleam, na sede do Sinetram e em órgãos do Governo do Amazonas, caso o benefício não seja restabelecido. Ele também criticou as condições estruturais das escolas públicas e defendeu a garantia do transporte gratuito como essencial para o acesso à educação.

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