O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia fazer uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste ano, após o segundo turno das Eleições 2026. A possibilidade é discutida por integrantes do governo e do PT diante da mudança na composição do Senado que ocorrerá a partir de 2027.
A avaliação entre aliados é de que uma eventual indicação ainda com a atual composição da Casa poderia encontrar um ambiente político diferente daquele que haverá com a posse dos senadores eleitos neste ano. O Senado é responsável por sabatinar e aprovar os nomes escolhidos pelo presidente da República para o Supremo, sendo necessários ao menos 41 votos favoráveis no plenário.
Antes de formalizar qualquer escolha, porém, Lula deve conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avaliar se existe espaço político para uma nova votação. Em abril, após a rejeição de Jorge Messias para a Corte, Alcolumbre havia sinalizado a senadores que não pretendia analisar uma nova indicação antes das eleições.
A discussão ganhou novo peso depois do primeiro turno, que resultou na eleição de uma bancada mais à direita para o Senado. Para dirigentes petistas, uma indicação aprovada ainda em 2026 também reduziria em uma vaga o número de ministros que poderiam ser escolhidos por Flávio Bolsonaro (PL), caso ele vença a eleição presidencial. O segundo turno entre Lula e Flávio está marcado para 25 de outubro.
Nome de centro é considerado
Dentro do governo, a avaliação é de que, caso Lula decida avançar com uma indicação ainda neste ano, o nome precisaria reunir apoio além da base governista e ter trânsito entre partidos do centro e do chamado centrão.
Esse cenário reduziria, neste momento, a possibilidade de uma nova tentativa com Jorge Messias. O então advogado-geral da União foi indicado por Lula para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas teve o nome rejeitado pelo Senado em abril, por 42 votos contrários e 34 favoráveis.
Depois da derrota, Lula chegou a dizer a aliados que pretendia insistir em Messias. A resistência no Senado e as negociações posteriores com Alcolumbre, porém, mantiveram aberta a discussão sobre outros nomes.
Entre as alternativas mencionadas por integrantes do governo estão o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) e Simone Tebet, também filiada ao PSB. Pacheco já havia sido o nome defendido por Alcolumbre para a vaga anteriormente destinada a Messias.
Outro nome que já entrou nas avaliações de Lula é o desembargador Ricardo Couto, atual governador interino do Rio de Janeiro. Em setembro, reportagens apontaram que o presidente estudava a indicação de Couto como alternativa a Messias, em meio às discussões sobre a composição do Supremo.
Até o momento, não há indicação formal definida. Uma eventual nomeação dependerá tanto da escolha de Lula quanto da disposição do Senado para realizar a sabatina e votar o nome antes do encerramento da atual legislatura.
*Com informações da CNN
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