O desempenho da direita no primeiro turno das Eleições 2026 levou a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a reavaliar o peso que o fim da escala 6×1 terá na estratégia para o segundo turno. A proposta vinha sendo tratada por aliados como uma das principais bandeiras para a etapa decisiva da disputa presidencial.
Segundo apuração da CNN Brasil, a avaliação antes da votação era de que a pauta trabalhista poderia ajudar Lula a ampliar apoio entre trabalhadores, especialmente nas faixas de menor renda. O tema foi levado ao último ato de campanha do petista antes do primeiro turno, realizado em São Paulo, quando ele voltou a defender mudanças na jornada de trabalho.
O cenário mudou depois da abertura das urnas. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente de Lula no resultado nacional, enquanto partidos e candidatos de direita também ampliaram presença no Senado. Dentro da campanha governista, esse resultado passou a ser visto como um fator que pode dificultar a tramitação da proposta no Congresso durante o intervalo entre os dois turnos.
A preocupação é que uma tentativa de votação da PEC antes de 25 de outubro resulte em derrota, em placar apertado ou sequer avance no Senado, o que poderia reduzir o efeito político pretendido pela campanha. Apesar disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicou a interlocutores que pretende manter a proposta na pauta, embora o novo cenário eleitoral tenha diminuído as expectativas de aprovação.
Tema entrou na disputa do segundo turno
O fim da escala 6×1 também passou a integrar diretamente o embate entre Lula e Flávio Bolsonaro. O candidato do PL criticou a proposta e classificou a iniciativa do governo como oportunismo eleitoral. Flávio defende outro modelo para a jornada de trabalho, baseado em maior liberdade de negociação sobre carga horária e remuneração.
No programa de governo de Lula, a redução da jornada permanece entre as propostas para a área trabalhista. O plano prevê jornada semanal de 40 horas sem redução salarial, além de outras medidas ligadas a emprego, renda e proteção social.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a campanha petista agora discute como combinar a pauta trabalhista com outros temas considerados relevantes para recuperar votos e ampliar a mobilização do eleitorado. O desempenho do primeiro turno também colocou no centro da estratégia os mais de 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas.
A definição sobre o espaço que o fim da escala 6×1 ocupará na campanha dependerá, portanto, tanto das articulações no Congresso quanto da estratégia eleitoral adotada por Lula nas próximas semanas.
*Com informações do UOL
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