O resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 2026 no Rio de Janeiro revelou uma divisão territorial relacionada ao perfil de renda dos bairros da capital. Levantamento da inPulso.ai, elaborado a partir de dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de informações do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que Flávio Bolsonaro (PL) teve desempenho proporcionalmente maior nas regiões de menor renda, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve percentuais mais altos nos bairros de maior renda.
A análise reuniu os votos das seções eleitorais e os agregou por bairro. Em seguida, as 149 localidades avaliadas foram divididas em cinco grupos, conforme a renda média. Entre o grupo formado pelos 20% dos bairros de menor renda e o dos 20% de maior renda, a votação de Flávio caiu de 51% para 41,3% dos votos válidos. Lula apresentou movimento inverso, passando de 41,2% para 49,7%.
No conjunto da cidade, Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em 85 bairros, enquanto Lula ficou à frente em 65. Em 2022, Jair Bolsonaro havia vencido em 82 bairros da capital e Lula, em 69.
Apesar da diferença no perfil territorial, o mapa eleitoral apresentou poucas mudanças em relação à disputa presidencial de quatro anos atrás. Dos 149 bairros analisados, apenas cinco trocaram o partido mais votado para presidente. Quatro passaram do PT para o PL e um realizou o movimento inverso. Segundo o levantamento, todos tinham apresentado diferença inferior a três pontos percentuais entre os dois primeiros colocados em pelo menos uma das duas eleições.
Desempenho nos bairros
Entre os locais onde Flávio Bolsonaro obteve os maiores percentuais estão Campo dos Afonsos, com 69% dos votos válidos; Vila Militar, com 63,2%; Vargem Grande e Barra de Guaratiba, ambas com 60,2%; e Campo Grande, com 58,7%.
Já os maiores percentuais de Lula foram registrados em Cosme Velho, com 67,3%; Glória, com 65%; Laranjeiras e Lapa, com 64,8%; e Rocinha, onde o petista alcançou 63,5%. O resultado da Rocinha mostra que a relação entre renda média e voto não se reproduz de maneira uniforme em todos os bairros, apesar do padrão geral identificado no agrupamento por faixas de renda.
No resultado geral da capital fluminense, Flávio recebeu 47,88% dos votos válidos, contra 43,91% de Lula.
Brancos, nulos e abstenção também variaram
O estudo identificou ainda diferenças na participação eleitoral conforme a renda dos bairros. Na disputa presidencial, votos brancos e nulos representaram 6,5% dos votos de quem compareceu às urnas no grupo de menor renda. Entre os bairros de maior renda, o percentual ficou em 3,1%.
Na eleição para o Senado, a diferença foi maior: brancos e nulos somaram 23,7% nas localidades de menor renda e 10,4% no grupo de maior renda. O levantamento ressalta, porém, que esses dados mostram uma associação territorial e, isoladamente, não permitem determinar as causas desse comportamento eleitoral.
Considerando toda a cidade, a proporção de votos brancos e nulos para presidente ficou em 5,1% entre os eleitores que compareceram às urnas, ante 4,9% em 2022. A abstenção também aumentou, passando de 24,1% para 26,1% do eleitorado carioca.
O levantamento da inPulso.ai indica, portanto, uma associação entre a renda média dos bairros e a distribuição territorial dos votos no Rio. Os dados, no entanto, são agregados por bairro e não permitem concluir que a renda individual de cada eleitor determinou sua escolha nas urnas.


