Avanço da direita redesenha mapa eleitoral do país e leva bolsonarismo ao segundo turno no Amazonas

PL amplia presença nos governos estaduais, Flávio Bolsonaro lidera disputa presidencial no primeiro turno e candidatos ligados à direita registram votações expressivas; no Amazonas, Maria do Carmo chega ao segundo turno, mas partido fica fora das vagas ao Senado.

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Os resultados do primeiro turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (4), apontam para um avanço da direita em diferentes regiões do país e uma ampliação da presença eleitoral do Partido Liberal (PL), principal legenda associada ao bolsonarismo.

Os dados da Justiça Eleitoral mostram reflexos desse movimento na disputa pela Presidência da República, nos governos estaduais, no Senado e na Câmara dos Deputados. O cenário, no entanto, não é uniforme: partidos de centro e de esquerda também obtiveram vitórias importantes, e candidatos identificados com o bolsonarismo foram derrotados em algumas disputas estaduais.

Na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno na liderança da apuração e avançou para o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com mais de 90% das urnas contabilizadas durante a noite deste domingo, Flávio registrava 48,03% dos votos válidos, contra 43,99% de Lula. Nenhum dos dois alcançou maioria absoluta, e a eleição será decidida em 25 de outubro. Os números são da totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O desempenho do candidato do PL ganha peso porque ocorre quatro anos depois de uma eleição presidencial decidida por margem estreita entre Lula e Jair Bolsonaro e mostra que o eleitorado identificado com a direita e com o bolsonarismo segue mobilizado no país.

PL avança nos governos estaduais

A força eleitoral do PL também apareceu nas disputas pelos governos dos estados.

No primeiro turno, o partido se consolidou como uma das principais forças no comando dos Executivos estaduais. Entre os eleitos estão Jorginho Mello, em Santa Catarina; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; Sergio Moro, no Paraná; Arthur Henrique, em Roraima; e Marcos Rogério, em Rondônia. A situação do Rio de Janeiro ainda envolvia discussão judicial sobre votos e registro de candidatura durante a totalização.

Em Rondônia, por exemplo, Marcos Rogério, do PL, foi eleito no primeiro turno com 56,86% dos votos válidos e 537.370 votos, após 100% das seções serem totalizadas, conforme divulgação oficial do TSE.

No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco, também do PL e apoiado pelo campo bolsonarista, venceu a disputa estadual. No Paraná, Sergio Moro foi eleito governador.

Além das vitórias diretas do PL, nomes de partidos de centro-direita associados ao mesmo campo político também conquistaram estados importantes. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito no primeiro turno com cerca de 62,6% dos votos válidos, derrotando Fernando Haddad (PT).

Em Minas Gerais, Cleitinho, do Republicanos, também venceu a eleição estadual.

Os números, contudo, mostram um país politicamente dividido. O PT manteve governos importantes no Nordeste, com vitórias de Jerônimo Rodrigues, na Bahia, Rafael Fonteles, no Piauí, e Elmano de Freitas, no Ceará. O PSD também conquistou governos em diferentes regiões.

Por isso, o resultado permite afirmar que houve avanço da direita, mas não uma vitória uniforme do bolsonarismo em todo o território nacional.

Senado também registra avanço da direita

A eleição deste ano renovou 54 das 81 cadeiras do Senado Federal, o equivalente a dois terços da Casa.

Em Santa Catarina, o PL conquistou as duas vagas em disputa com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro. Carol registrou 33,47% dos votos, enquanto Carlos Bolsonaro alcançou 25,35%.

Em São Paulo, duas candidaturas apoiadas pelo campo da direita foram eleitas: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL). Com 92,9% das urnas contabilizadas no momento da confirmação do resultado, Derrite tinha 30,4% dos votos e André do Prado, 29,3%.

Em Minas Gerais, Domingos Sávio (PL) também conquistou uma das vagas ao Senado.

Mas novamente houve exceções importantes. Em Pernambuco, Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) derrotaram nomes ligados ao campo bolsonarista. No Piauí, Ciro Nogueira, presidente do PP e aliado da direita, ficou fora das duas vagas.

Amazonas: direita avança para o segundo turno do governo

No Amazonas, um dos resultados mais significativos deste domingo foi a classificação de Professora Maria do Carmo (PL) para o segundo turno do governo estadual.

Com 98,03% das urnas apuradas, Omar Aziz (PSD) liderava com 818.967 votos, ou 40,34% dos votos válidos. Maria do Carmo aparecia em segundo lugar, com 503.081 votos, equivalentes a 24,78%.

O atual governador Roberto Cidade (União Brasil) ocupava a terceira colocação, com 442.484 votos, ou 21,79%, enquanto David Almeida (Avante) aparecia com 215.549 votos, ou 10,62%.

O resultado colocou frente a frente no segundo turno duas candidaturas de campos distintos. Maria do Carmo disputou a eleição pelo PL e recebeu apoio do grupo político ligado a Flávio Bolsonaro. Omar Aziz concorre pelo PSD em uma coligação que também reúne MDB, Republicanos e a federação formada por PT, PCdoB e PV.

A chegada de Maria do Carmo ao segundo turno representa um crescimento eleitoral do PL no Amazonas e ocorre dois anos depois de o partido ter levado o deputado federal Capitão Alberto Neto ao segundo turno da eleição para a Prefeitura de Manaus, em 2024.

PL também lidera votação para deputado federal no Amazonas

O avanço do partido apareceu ainda na disputa para a Câmara dos Deputados.

Com quase 98% da apuração estadual, Sargento Salazar (PL) liderava a votação nominal para deputado federal, com aproximadamente 211 mil votos.

Em uma etapa anterior da apuração, o PL também aparecia como o partido com maior volume de votos para deputado federal no Amazonas, concentrando 22,70% dos votos partidários, à frente de MDB, União Brasil e Republicanos.

O resultado coloca um candidato do PL no topo da votação individual para a Câmara no estado e reforça o desempenho da legenda na eleição proporcional.

Senado, porém, impõe limite à onda no Amazonas

O resultado do Senado mostra, entretanto, que o avanço da direita no Amazonas não ocorreu de maneira homogênea.

As duas vagas foram conquistadas por Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB), ambos reeleitos.

Com 98,8% das urnas apuradas, Eduardo Braga somava 1.220.198 votos, ou 32,2%, enquanto Plínio Valério registrava 937.614 votos, equivalentes a 24,7%.

O candidato do PL, Capitão Alberto Neto, ficou em terceiro lugar. Em uma das últimas atualizações da apuração, aparecia com cerca de 900 mil votos e 23,8%, diferença relativamente pequena em relação a Plínio Valério, mas insuficiente para conquistar uma das duas vagas.

O ex-governador Wilson Lima (União Brasil), que deixou o Governo do Amazonas para disputar o Senado, ficou em quarto lugar, com aproximadamente 12% dos votos.

O resultado revela uma característica importante da eleição amazonense: o eleitor não votou necessariamente de forma linear em um único campo político.

Enquanto o PL levou Maria do Carmo ao segundo turno do governo e colocou Sargento Salazar no topo da votação para deputado federal, o partido não conseguiu conquistar uma das duas cadeiras do Senado.

Um eleitorado que distribuiu seus votos

Os dados deste domingo também demonstram que interpretar o resultado exclusivamente como uma “onda” exige cautela.

O voto brasileiro de 2026 apresentou combinações diferentes entre presidente, governador, senador e deputados. Em diversos estados, candidatos de centro-direita obtiveram votos de eleitores que também apoiaram Lula; em outros, políticos que evitaram associação direta com a disputa presidencial foram eleitos.

No Amazonas, esse comportamento fica particularmente evidente.

O eleitorado colocou uma candidata do PL no segundo turno do governo, reelegeu dois senadores de MDB e PSDB e distribuiu as vagas da Câmara entre diferentes partidos.

Ainda assim, quando observado o cenário nacional, os resultados confirmam que a direita e o PL ampliaram sua presença eleitoral em 2026.

O partido chegou ao segundo turno presidencial com Flávio Bolsonaro, conquistou governos estaduais, garantiu cadeiras importantes no Senado e registrou candidatos entre os mais votados para a Câmara.

No Amazonas, o efeito aparece principalmente na classificação de Maria do Carmo para enfrentar Omar Aziz no segundo turno e na liderança de Sargento Salazar entre os candidatos a deputado federal.

O segundo turno, marcado para 25 de outubro, mostrará se esse avanço será convertido também em vitória presidencial e no Governo do Amazonas.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Justiça Eleitoral, Agência Senado e dados de apuração do TSE reproduzidos por veículos de acompanhamento eleitoral.

Leia mais: Lula e Flávio Bolsonaro avançam ao segundo turno na disputa pela Presidência

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