Senado terá dois votos: segundo voto pode decidir quem representará o Amazonas por oito anos

Disputa tem nove candidatos, mas pesquisas apontam quatro nomes entre os favoritos; especialistas avaliam que escolha da segunda opção pode ser determinante

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O eleitor amazonense irá às urnas neste ano com uma particularidade importante na disputa pelo Senado Federal: poderá escolher dois candidatos diferentes para representar o Amazonas pelos próximos oito anos. Em uma corrida considerada acirrada, pesquisas apontam dúvidas e estratégias distintas envolvendo o primeiro e, principalmente, o segundo voto.

Por se tratar de uma eleição majoritária, os dois candidatos que receberem o maior número de votos válidos serão eleitos e passarão a representar o Amazonas no Senado a partir do próximo ano.

A disputa no estado conta com nove candidatos: Eduardo Braga (MDB), Alberto Neto (PL), Wilson Lima (União), Plínio Valério (PSDB), Xuxa (Mobiliza), Dailson Corrêa (DC), Ismael Munduruku (Rede), Professora Evany (PSOL) e Evandro de Oliveira (PSTU).

A corrida aparece concentrada principalmente em quatro nomes, conforme pesquisas eleitorais divulgadas recentemente. O Convergente reuniu os resultados de cinco levantamentos recentes para mostrar como está o cenário. Veja a tabela abaixo.

Pesquisa
Quaest — 25/08 Eduardo Braga — 25% Alberto Neto — 16% Plínio Valério — 13% Wilson Lima — 12%
Real Time — 26/08 Alberto Neto — 24% Wilson Lima — 19% Eduardo Braga — 18% Plínio Valério — 14%
Eficaz — 28/08 Eduardo Braga — 28,6% Alberto Neto / Wilson Lima — 15,7% Plínio Valério — 13,1%
Veritá — 29/08 Alberto Neto — 52,7% Eduardo Braga — 37,2% Plínio Valério — 24,1% Wilson Lima — 15,5%
Paraná — 05/09 Eduardo Braga — 50% Alberto Neto — 39,3% Plínio Valério — 29,9% Wilson Lima — 25,6%

 

De acordo com os dados, Eduardo Braga aparece em primeiro lugar em três das cinco pesquisas analisadas, enquanto Alberto Neto lidera duas. Wilson Lima alcança sua melhor colocação no levantamento do Real Time Big Data, aparecendo em segundo, enquanto Plínio Valério oscila entre a terceira e a quarta posições.

Disputa acirrada

Segundo o cientista político e advogado Helso Ribeiro, a disputa deste ano apresenta um nível de equilíbrio que ele não observava nas últimas eleições para o Senado no Amazonas.

O especialista avalia que as duas vagas devem ficar entre os quatro candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas: Eduardo Braga, Alberto Neto, Wilson Lima e Plínio Valério.

“Não tinha visto uma disputa tão acirrada. Ela deve permanecer até o último dia da eleição”, afirmou.

Na avaliação do cientista político, é justamente o segundo voto que pode trazer surpresas. O eleitor que já possui um candidato definido pode chegar à urna ainda indeciso sobre a segunda escolha e optar, por exemplo, por um nome que apresente menor rejeição.

Nesse cenário, a segunda opção do eleitor pode ganhar peso decisivo e fazer com que candidatos inicialmente colocados em posições diferentes terminem a eleição com votações muito próximas.

Helso Ribeiro reforça que os quatro principais nomes apontados pelas pesquisas entram na reta final competitivos, mas considera a disputa pela segunda vaga uma incógnita.

“Vamos lá: 25% para cada um, um exemplo. Quem vai para a primeira vaga? Os quatro [se referindo aos quatro primeiros colocados nas pesquisas]. Quem vai para a segunda? Aí já não se sabe. A segunda vaga é uma interrogação. Eu já conversei com coordenadores de campanhas desses candidatos. A segunda vaga, eles vão investir no voto nulo para garantir o seu candidato como eleito”, disse o especialista.

Interior também pode definir eleição

Helso Ribeiro também destaca que as particularidades geográficas e eleitorais do Amazonas podem influenciar diretamente o resultado.

Segundo ele, o interior representa uma parcela significativa do eleitorado estadual e, por isso, o candidato que conseguir construir uma campanha forte nos municípios pode obter vantagem na disputa. Manaus, entretanto, permanece como território fundamental para os postulantes às duas vagas.

Quem são os suplentes

Cada candidato ao Senado precisa registrar dois suplentes. Embora não sejam escolhidos separadamente pelo eleitor, eles integram a chapa e podem assumir o mandato caso o senador eleito se afaste definitivamente ou em outras hipóteses previstas na legislação.

O Convergente levantou os nomes registrados nas chapas dos nove candidatos ao Senado pelo Amazonas.

Eduardo Braga (MDB) tem como primeira suplente Sandra Braga, esposa do senador. A segunda suplência ficou com Miguel Capobiango Neto, ex-assessor parlamentar.

Na chapa de Alberto Neto (PL), Alessandro Toniza ocupa a primeira suplência e Mário Bastos, a segunda. Alessandro era conhecido politicamente pelo sobrenome “Bronze”, mas adotou outro nome eleitoral para disputar o pleito.

Plínio Valério (PSDB), que tenta a reeleição, tem Kelly Barbosa, primeira-dama de Tefé, como primeira suplente, e a professora Judite Pinho como segunda suplente.

Wilson Lima (União) tem Luís Mário Bonates como primeiro suplente e Babá Tupinambá como segundo. Bonates é empresário e bacharel em Direito, enquanto Babá exerce seu segundo mandato como vereador de Parintins.

Xuxa do Amazonas (Mobiliza) tem Neida Farias como primeira suplente e Ângelo Reis como segundo.

Isaías Amazonas ocupa a primeira suplência de Dailson Corrêa (DC). Nascido em Manaus, ele já participou de uma eleição municipal. A segunda suplência é ocupada por Capelão Roberto da Silva.

Daila Prestes é a primeira suplente de Ismael Munduruku, da Federação PSOL/Rede. Ela entrou na chapa após o indeferimento da candidatura de Laynara Prestes. André Monteiro ocupa a segunda suplência.

Na chapa da Professora Evany (PSOL), Renan Rotondano é o primeiro suplente. Servidor público federal, ele também se apresenta nas redes sociais como ator e cineasta. Jander Muniz é o segundo suplente.

Já Evandro de Oliveira (PSTU) tem o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Antonio Neto como primeiro suplente e João Rebouças como segundo.

O que faz um senador

O senador representa seu estado no Congresso Nacional e exerce mandato de oito anos. Entre suas principais atribuições estão discutir e votar projetos de lei, propostas de emenda à Constituição e fiscalizar atos do Poder Executivo.

O Senado também possui competências exclusivas, como processar e julgar determinadas autoridades em processos de impeachment e aprovar, após sabatina, indicações presidenciais para cargos como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, os senadores analisam questões relacionadas ao orçamento público, operações financeiras e outras matérias previstas na Constituição.

Eleitores ainda avaliam segundo voto

A menos de um mês das eleições, parte dos eleitores ainda não definiu os dois candidatos em quem pretende votar.

Juliana Batista afirmou que ainda está indecisa, mas disse que seus escolhidos provavelmente estarão entre os candidatos que aparecem nas primeiras posições das pesquisas eleitorais.

Daniele Mendonça, por sua vez, já definiu um dos votos para o Senado, mas ainda avalia quem será sua segunda escolha. Segundo ela, a decisão deverá ser tomada mais perto da eleição.

A eleitora afirmou também saber que os dois votos precisam ser destinados a candidatos diferentes, já que não é possível votar duas vezes no mesmo candidato.

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